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Médicos sul-americanos vão reforçar equipas do Algarve e Alentejo
DATA
30/07/2009 10:16:02
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Jornal Médico
Médicos sul-americanos vão reforçar equipas do Algarve e Alentejo

O Governo está a recrutar médicos do Uruguai para resolver a falta de clínicos no Algarve e no Alentejo...

O Governo está a recrutar médicos do Uruguai para resolver a falta de clínicos no Algarve e no Alentejo. Espera-se que comecem a chegar ao nosso país ainda durante o Verão. De acordo com o secretário de Estado da Saúde, esta foi a solução encontrada pelo Governo para resolver a falta de médicos que actualmente se faz sentir no território nacional. "Em Portugal é absolutamente claro que não há médicos suficientes para os cuidados de saúde primários", declarou durante uma recente visita às unidades de saúde familiar do Algarve.

Ao nosso jornal, o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS), Rui Lourenço, indicou que os médicos serão sujeitos a um processo de equivalências antes de iniciarem a sua integração no Serviço Nacional de Saúde. Segundo este responsável, "desde há mais de um ano que o Ministério da Saúde tem estado a contactar vários países do mundo para saber qual a sua disponibilidade para reforçar a área da Medicina Geral e Familiar" em Portugal. Neste momento já há 14 médicos uruguaios a trabalhar no INEM, "dois dos quais em Faro". Aliás, o acordo de colaboração entre os dois Estados não se restringe a esta área de prestação de serviços. Recentemente, vários especialistas do Centro Hepato-Bilio-Pancreático (CHBPT) do Hospital Curry Cabral deslocaram-se ao Uruguai para apoiar os médicos locais a iniciarem o programa nacional de transplantes hepáticos. Na primeira fase do programa, que decorreu entre Abril e Dezembro do ano passado, doze médicos uruguaios participaram e completaram, em diversas fases, estágios formativos no CHBPT.

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Rui Lourenço ainda não sabe quantos médicos serão colocados no Algarve. Aliás, os números só serão divulgados quando os acordos estiverem completamente encerrados. Aquilo que se sabe é que o Algarve tem, neste momento, cerca de 100 mil utentes sem médico atribuído. O responsável da ARS acredita que a condição periférica da região algarvia aumenta a "dificuldade no recrutamento de médicos e enfermeiros". Entretanto, houve um "reforço da estrutura do INEM", o que, defende o presidente da ARS, suprimiu algumas das necessidades, estabelecendo uma "melhor articulação" entre a procura e a oferta dos serviços existentes. Acresce ainda que "temos aumentado o número de internos de Medicina Geral e Familiar ao longo do tempo". Só que muitos outros entraram na idade da reforma e a população não parou de crescer. Actualmente, o número de cidadãos inscritos nos centros de saúde ronda o meio milhão.

 

ARS Alentejo espera chegada de médicos ainda durante o Verão

 

"Estamos a fazer um grande esforço, com o Ministério da Saúde, para conseguir que médicos estrangeiros, não só do Uruguai, mas também de outros países da América Latina, possam vir trabalhar para a região", afirma também a presidente da ARS do Alentejo, Rosa Matos. Segundo esta responsável, as carências na região fazem-se sentir, particularmente, em "alguns concelhos do distrito de Beja, como Odemira, e no Litoral Alentejano", pelo que a vinda de clínicos estrangeiros pode "colmatar essas situações".

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"Se conseguirmos que esses profissionais venham, a maioria deverá ficar no distrito de Beja e no Litoral Alentejano". Rosa Matos lembra que a falta de médicos constitui um problema nacional, mais agudizado numa região como o Alentejo, longe dos grandes centros urbanos e no interior."Há falta de médicos em Portugal e é difícil captar médicos nacionais para esta zona do país. Os concursos que abrimos ficam desertos. Por isso, estamos a fazer este esforço para atrair médicos estrangeiros", diz.

Sem adiantar, para já, o número total de médicos estrangeiros que a ARS e o Ministério da Saúde querem captar para o Alentejo, Rosa Matos revelou, contudo, que prevê que esse processo de contratação de recursos humanos para reforçar as unidades de Saúde da região esteja concluído "em inícios de Agosto".

Questionada sobre a área geográfica de proveniência dos clínicos, a presidente da ARS do Alentejo explicou que, com médicos da América Latina, "será mais fácil garantir a sua integração cultural e a própria comunicação com os doentes", sem que a língua seja obstáculo. "Serão sujeitos a formação e vai haver um período de adaptação dos médicos à população e vice-versa", sublinhou.

Na região, já trabalham "dois médicos uruguaios", que estão integrados na Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Beja, contratados pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

 

Défice de médicos não significa ausência de cuidados

 

Em Odemira, o maior concelho do país, a população residente aumenta de 26 mil para 80 mil, no Verão. "Há um grande espírito de sacrifício nos médicos para tapar os buracos. O INEM e a Cruz Vermelha também dão uma ajuda, mas no Centro de Saúde chegam a estar apenas dois clínicos de serviço", refere o presidente da Câmara, António Camilo.

O quadro de 23 profissionais está preenchido com um máximo de 15. "Por isso, dos 26 mil residentes permanentes, temos seis mil sem médico de família. Eu sou um deles", acrescenta o edil, que aponta a pouca atractividade da região como causa do problema. "Por ano abrem cinco concursos, mas ninguém concorre. Os médicos preferem os centros urbanos".

"Isso é uma verdade", diz Rosa Matos, acrescentando que "o problema não é a falta de concursos..." mas, isso sim, a falta de médicos no país.

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Todavia, a responsável da ARS Alentejo ressalva que embora a carência de médicos seja especialmente visível no distrito de Beja e no Litoral Alentejano "tanto em Odemira como em Alcácer do Sal existem serviços a funcionar 24 horas e períodos de consulta aberta". 

Naquela região existem ainda dois Serviços de Urgência Básica (SUB) e, em Odemira, uma ambulância SIV "que permite transportar rapidamente, em caso de emergência, a pessoa até ao hospital mais próximo".

As pessoas estão seguras, diz Rosa Matos. "Não se pode confundir a falta de médicos de família, que é uma realidade - Odemira é um dos concelhos mais problemáticos - com a falta de assistência".

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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