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Falta de autonomia dos ACES é a grande desilusão
DATA
08/10/2009 05:26:44
AUTOR
Jornal Médico
Falta de autonomia dos ACES é a grande desilusão

As dificuldades que a equipa encontra no momento de aplicar os incentivos institucionais a que teve direito, é apenas um reflexo da falta de autonomia de uma estrutura que, por inerência, está muito mais próxima do terreno

 

As USF representam uma mudança radical nos cuidados de saúde primários, diz Maria da Luz Pereira, coordenadora da USF FF Mais. A diferença radica no empenho das equipas multiprofissionais, quer ao nível da reorganização interna dos serviços, quer em termos do trabalho por objectivos, que implica o esforço do trabalho em equipa. "Atingir as metas depende do trabalho em conjunto e não apenas do médico e do enfermeiro". Na sua opinião, o recente estudo sobre satisfação, realizado pela Missão para os Cuidados de Saúde Primários, mostra bem o resultado desse esforço.

Contudo, "a Administração acompanha a mudança mais lentamente" e as ARS continuam a ter "o controlo sobre tudo". Aliás, para Maria da Luz Pereira, "a grande desilusão é o corte da autonomia dos ACES". As dificuldades que a equipa encontra no momento de aplicar os incentivos institucionais a que teve direito, é apenas um reflexo da falta de autonomia de uma estrutura que, por inerência, está muito mais próxima do terreno.

Também ao nível dos sistemas informáticos, a médica considera que "houve, por parte dos profissionais envolvidos nas unidades de saúde familiar um empenho e uma velocidade de adaptação e de evolução superior à da Administração".

A USF, que trabalha com o Medicine One, integra o projecto Performance Monitor. "Este parece-nos, do ponto de vista dos sistemas informáticos de apoio às unidades de saúde familiar, a única solução plausível". No entanto, a médica lamenta que as USF estivessem quase dois anos à espera que a Administração "desenvolvesse um sistema de avaliação eficaz". Não conseguiu "e fomos nós, mais uma vez, que tivemos de o fazer".

 

População de Fernão Ferro pode duplicar nos próximos cinco anos

A equipa da USF é composta por oito médicos, sete enfermeiros e seis administrativos. A sua capacidade instalada, de acordo com a coordenadora, encontra-se esgotada, quer no que se refere a utentes por lista (entre 1.750 e 1.900), quer em termos de espaço. Tendo em consideração que a Junta de Freguesia de Fernão Ferro prevê que a população duplique nos próximos cinco anos, Maria da Luz Pereira afirma que é preciso pensar, num futuro próximo, em criar uma "USF gémea" em Fernão Ferro.

A ligação dos profissionais à comunidade permite uma leitura e avaliação atenta das suas necessidades, daí que algumas das estratégias desenvolvidas pela equipa nestes três últimos anos estejam direccionados para a intervenção na comunidade, com o apoio da junta de freguesia. A capacitação dos utentes é uma delas. As sessões de esclarecimento fazem parte desses projectos, assim como a divulgação de informação dirigida aos utentes, através de folhetos distribuídos nas farmácias, igrejas e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), entre outros. Até ao final do ano, prevê-se a criação de uma associação de voluntários da unidade de saúde familiar, cujo objectivo será levar ainda mais longe o apoio e a atenção aos utentes mais carenciados.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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