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Balanço francamente positivo
DATA
08/10/2009 05:39:26
AUTOR
Jornal Médico
Balanço francamente positivo

Para o coordenador da USF Alpendorada, António Marques Filipe, o balanço destes três anos de actividade "é francamente positivo". Sobretudo, quando comparado com as experiências de trabalho anterior no centro de saúde

 

Para o coordenador da USF Alpendorada, António Marques Filipe, o balanço destes três anos de actividade "é francamente positivo". Sobretudo, quando comparado com as experiências de trabalho anterior no centro de saúde que, "no nosso caso, foram muito más, durante muitos anos, quer por falta de profissionais, quer de instalações".

Outro ponto positivo diz respeito ao trabalho em equipa, "uma nova forma de abordar o trabalho em Medicina Geral e Familiar", por oposição ao "trabalho individual", embora com boas relações entre os grupos profissionais.

"Claro que há problemas", admite o médico. Mas na sua opinião, são também um pouco "fruto do aumento das expectativas" dos utentes.

USF_alpendorada.jpgA falta de inter-operacionalidade dos módulos informáticos, por exemplo, "é bem conhecida de todos" e, em relação a material e instalações, é um facto que, por vezes, as coisas emperram. Foi o que aconteceu na USF Alpendorada, onde os profissionais aguardam por pequenas obras, prometidas já lá vão três anos...

A USF está localizada num edifício construído de raiz e bastante bonito, por certo, mas nem por isso deixa de apresentar alguns problemas de insonorização que levam até os próprios utentes a queixarem-se de falta de privacidade e que causam algum embaraço à equipa.

Depois, surge o problema do pessoal contratado, sempre com a rescisão em perspectiva. Essa falta de segurança em relação ao futuro "cria instabilidade nos profissionais", daí que o responsável da USF defenda as mesmas condições contratuais para toda a equipa.

Problemas de operacionalidade na aplicação dos incentivos

O coordenador aponta ainda "problemas de operacionalidade" relacionados com a concretização do plano de investimento dos incentivos.

A USF teve, de facto, direito a incentivos institucionais em 2007 e 2008, em função do "cumprimento dos objectivos a cem por cento". O plano de investimento relativo aos de 2007 foi aprovado pelo departamento de contratualização da ARS. A dificuldade reside agora em "conhecer os passos e os procedimentos contabilísticos necessários à aplicação do dinheiro e à justificação do gasto". É que, na prática, ainda não puderam fazer nada com esse dinheiro, "quando ele é fundamental para a concretização dos nossos planos".

Se fosse possível criar uma espécie de linha de crédito "e gastar o dinheiro contra a apresentação de facturas, seria tudo muito mais prático", defende o coordenador da unidade.

Entre outros motivos, o problema surge porque "tudo continua a estar centralizado nas administrações regionais de saúde". Se as questões financeiras fossem transferidas para os agrupamentos de centros de saúde (ACES), certamente que seriam "mais fáceis de resolver". Aliás, na perspectiva de Marques Filipe, "a autonomia dos ACES é a chave para as coisas funcionarem".

Projectos que fazem a diferença

Neste processo evolutivo, não são só as expectativas dos profissionais que aumentam. As dos utentes, também. Como diz Marques Filipe, "servimos uma sociedade que está a mudar e que cada vez exige mais de nós. E ainda bem que assim é, porque nos obriga a um esforço de adaptação da equipa a níveis progressivos de exigência de qualidade".

Com esse objectivo, o grupo preocupa-se em reforçar a ligação com a comunidade. Designadamente, "através do contacto permanente com as autarquias, dando-lhes conhecimento do nosso plano de acção e dos relatórios de actividade" e da realização de acções de informação e divulgação dirigidos aos utentes. Incluindo os mais novos, com uma intervenção directa nas escolas.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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