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Novo edifício… Nova filosofia
DATA
23/10/2009 05:52:45
AUTOR
Jornal Médico
Novo edifício… Nova filosofia

Em Agosto de 2007, um grupo de profissionais - na sua maioria do CS de Aveiro - apresentou a sua candidatura a USF...

Em Agosto de 2007, um grupo de profissionais - na sua maioria do Centro de Saúde de Aveiro - apresentou a sua candidatura a USF, com o desejo comum de trabalhar em equipa, com recursos - humanos e materiais - adequados e autonomia organizativa. Um sonho que haveria de tornar-se realidade, 11 meses depois, com a abertura da USF Santa Joana, que presta cuidados a uma população de 8.400 utentes. Mais de um ano volvido sobre a inauguração formal da unidade, a equipa ainda aguarda a entrega de algum do equipamento solicitado... Nada que a impeça, porém, de pôr em prática uma nova filosofia de cuidados, onde o enfermeiro de família ganha um papel de relevo

 

"Pensar e discutir" a reforma dos cuidados de saúde primários (CSP) serviu de ponto de partida para que um "grupo de médicos" do Centro de Saúde (CS) de Aveiro decidisse constituir uma unidade de saúde familiar (USF).

Com projectos partilhados e "formas de trabalhar parecidas", esses clínicos resolveram abraçar o desafio do novo modelo organizativo. O primeiro passo que deram foi o de contactar outros profissionais - enfermeiros e funcionários administrativos - para formar um grupo coeso. Os critérios de selecção obedeceram aos conhecimentos e preferências pessoais dos elementos iniciais do grupo.

Com seis MF, cinco enfermeiros e igual número de secretários clínicos, estava formada a equipa da USF Santa Joana que, em Agosto de 2007, apresentou formalmente a sua candidatura à Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP).

Margarida Matos, MF e membro do conselho técnico desta unidade de saúde familiar, recorda esses primeiros tempos: "como médica de família, o que mais me motivou a aderir a este desafio foi um desejo de mudança; de uma melhoria da organização e prestação dos cuidados de saúde". Igualmente aliciante foi "a possibilidade de trabalhar em equipa, como recursos humanos e materiais adequados, com autonomia organizativa e partilha de projectos com objectivos comuns", adianta.

De acordo com a médica de família, "nenhum dos profissionais tinha experiência de trabalho em modelo organizativo de tipo RRE, mas alguns dos médicos e enfermeiros já tinham partilhado um projecto de trabalho em equipa que não vingou por falta de afectação de enfermeiros necessários".

 

Mudança há muito esperada

 

Foi com "grande entusiasmo e curiosidade" que a população da freguesia de Santa Joana reagiu à abertura da nova e "tão esperada" unidade, a 23 de Junho de 2008.

Tudo porque a extensão de saúde, na antiga sede da Junta de Freguesia, "não reunia as condições necessárias à prestação de cuidados". Vítor Martins, presidente da Junta de Freguesia de Santa Joana sempre defendeu que a criação de uma nova unidade era uma "necessidade urgente" para a população local.

A entrada em funcionamento da USF Santa Joana - sedeada num novo edifício entretanto construído mesmo ao lado da Junta - pôs, assim, termo a um longo e conturbado processo relacionado com a construção deste novo equipamento de saúde da freguesia. A primeira pedra do imóvel foi colocada a 23 de Novembro de 1997 - há mais de uma década, portanto. Em 2000, os trabalhos foram suspensos dado que o Tribunal de Contas se recusou a colocar um visto no contrato, o que levou à abertura de um novo concurso público. Depois de recomeçada, a obra voltou a ser interrompida quando a autarquia liderada pelo socialista Alberto Souto optou pela rescisão do contrato por divergências com o empreiteiro. A empreitada voltaria a ser recomeçada no início de 2006, com um prazo de execução de nove meses, que não foi cumprido. Uma saga demasiado penosa para a população, que há muito ambicionava por um espaço de CSP adequado, como é o da USF Santa Joana, lamenta Margarida Matos.

 

Enfermeiro de família compensa

 

Na USF Santa Joana, trabalha-se de acordo com o modelo de enfermeiro de família. Cada enfermeira é responsável, em ligação com o médico de família, pelos cuidados globais às famílias inscritas numa lista.

Para Rita Leal, enfermeira desta unidade, este modelo "traz benefícios aos cuidados prestados aos utentes, permitindo um acompanhamento e continuidade de cuidados, desde o nascimento até à morte, nomeadamente na prevenção da doença, promoção e protecção da saúde e reabilitação e cuidados a doentes nos seus estádios finais de vida". Ora, foi precisamente a oportunidade de poder trabalhar de acordo com este conceito - cuja aplicação nos CSP é defendida pela OMS - que motivou Rita Leal a integrar a equipa da USF Santa Joana.

Esta equipa - que tem em construção um plano de formação interna e externa que abrange todos os profissionais - também tem vindo a desenvolver alguns projectos junto da comunidade, sempre com o apoio próximo da Junta de Freguesia e autarquia locais, quer na divulgação das acções, quer na cedência de espaços para a realização das mesmas.

Até agora, os profissionais da USF Santa Joana já desenvolveram acções de educação para a saúde em grupo, "de acordo com as necessidades detectadas e as oportunidades surgidas", refere a enfermeira. Por exemplo, na comemoração do primeiro aniversário, a equipa organizou uma acção de sensibilização sobre os Cuidados a ter com o Sol, para crianças do Jardim Infantil, e uma outra sobre a Promoção de Hábitos alimentares Saudáveis e do Exercício físico, destinada à população mais idosa.

No sector administrativo, "existem algumas dificuldades na agilização dos sistemas de informação ao dispor", reconhece Helena Santos. De acordo com a secretária clínica, o corpo administrativo da USF Santa Joana já realizou um curso de Técnicas de Atendimento de Utentes, estando já agendadas três acções na área da qualidade organizacional.

"Defendemos o conceito de administrativos de família, em interligação com uma lista médica, mas este não está totalmente implementado devido à diferença de regimes de horário de trabalho - cinco dos seis médicos estão em 42 horas e as cinco secretárias clínicas estão em 35 horas", sublinha a responsável.

Saúde Pública

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