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USF S. Félix da Marinha: RRE permite evoluir com serenidade
DATA
08/11/2009 02:38:17
AUTOR
Jornal Médico
USF S. Félix da Marinha: RRE permite evoluir com serenidade

Ser e(m) (u)nidade - Serenidade, é o lema da equipa da USF S. Félix da Marinha. "Pretendemos evoluir sem sobressaltos ou atropelos", explica o coordenador, Júlio Costa Ramos

Ser e(m) (u)nidade - Serenidade, é o lema da equipa da USF S. Félix da Marinha. "Pretendemos evoluir sem sobressaltos ou atropelos", explica o coordenador, Júlio Costa Ramos. "A experiência do Regime Remuneratório Experimental (RRE) trouxe-nos a serenidade para avançar". O que não quer dizer que não existam razões de queixa... Como a de falta de "instalações condignas". As actuais correspondem ao espaço que a equipa ocupava enquanto RRE e até foram chumbadas pela ERA Norte...

A USF S. Félix da Marinha tem um trajecto singular. Um dos seus médicos, integrado numa associação mutualista, implementou junto da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, há muitos anos, uma unidade de saúde pioneira (integrada na mutualista), "cuja orientação e princípios se sobrepõem à visão actual das USF modelo C", salienta o coordenador da unidade, Júlio Costa Ramos.

Mas embora a unidade funcionasse em pleno, "a dificuldade de instalações, recursos humanos e o tipo de contrato celebrado com a Administração condicionaram, ao longo dos anos, uma pressão sobre todos os intervenientes do processo que os levou a considerar a alteração do projecto".

Em 1998, a publicação do DL 117/98, "aliado à carência existente na freguesia de S. Félix da Marinha ao nível dos cuidados de saúde primários", fez com que o grupo que trabalhava na mutualista apresentasse uma candidatura ao RRE.

Apesar de "muitos contratempos", a unidade de saúde acabaria por abrir portas a 27 de Março de 2000, mantendo-se em actividade "até à evolução natural" para o modelo das USF, em 1 de Maio de 2008.

A equipa seria então reforçada com seis profissionais (dois médicos, dois enfermeiros e dois secretários clínicos), "todos eles escolhidos por conhecimento pessoal dos profissionais mais antigos".

Na USF S. Félix da Marinha, como aliás na maioria das USF, "o processo de mobilidade foi complexo e demorado, o que condicionou que, há data da abertura, se registassem carências ao nível dos recursos humanos".

Apesar disso, a equipa estava calma e tranquila no momento do arranque. Aliás, como explica o coordenador, "o espírito de continuidade não poderia levar a outra atitude, embora nos preocupássemos com as novas metodologias de trabalho que pretendíamos adoptar".

Como a inovação não é isenta de receios e "o novo método de trabalho condicionou atrasos", durante algum tempo (um a dois meses), "ocorreram atritos entre os profissionais e os utentes, que não estavam habituados a atrasos nem dificuldades de acessibilidade, como temporariamente aconteceu até que se estabilizasse o novo processo organizativo".

 

Muitas noites mal dormidas...

Entre a entrega da candidatura e a entrada em funcionamento da USF, o momento mais marcante "foi a visita da ERA Norte, pois poderia condicionar a nossa evolução", recorda Costa Ramos. "A nossa preocupação com os documentos a analisar e com as instalações - que sabíamos não servirem para a USF -, traduziram-se em momentos de alguma tensão e expectativa".

Depois, "a novidade e complexidade dos documentos a apresentar", tornou a fase de candidatura "muito complicada", apesar do entusiasmo e participação de todos os profissionais. "Não me parece que tenha havido noites em claro mas houve, certamente, muitas noites mal dormidas pelo trabalho que, na altura, havia para desenvolver...".

 

Equipa aguarda "instalações condignas" para inaugurar a USF

A equipa acabaria por arrancar "sem sobressaltos, sem inaugurações e sem visitantes". Até um dia... "Esperamos pelas novas instalações para fazermos uma inauguração condigna como USF", vaticina o coordenador da unidade.

A USF ocupa o mesmo espaço do RRE que, por certo, "foi chumbado pela ERA Norte". Manifestamente insuficiente, "a exiguidade do espaço conduz a algumas carências" e o equipamento existente na unidade de saúde é "o minimamente indispensável a um bom trabalho".

Ao nível das acessibilidades há a apontar a escassez de "transportes públicos e a área disponível para estacionamento completamente insuficiente". A mudança de local de trabalho irá, certamente, resolver alguns destes problemas, pelo que "aguardamos pacientemente pelas novas instalações...", insiste o coordenador.

 

Plano formativo é pensado em grupo

Uma das vertentes primordiais da USF - e enquanto RRE - diz respeito à formação. Daí que o plano formativo interno e externo, abrangendo todos os profissionais, seja "pensado em grupo para o ano em curso e orientado pelos responsáveis da área da formação da unidade, a médica de família Cândida Guedes e a Enfermeira Marta Pereira".

Desde o início da actividade, "todos os grupos profissionais já frequentaram ou apresentaram projectos formativos, dentro e fora da USF" e, no que se refere à formação pré e pós-graduada, a USF tem actualmente três internas do Internato Complementar de Medicina Geral e Familiar, dois alunos do último ano do Curso de Enfermagem e vários outros do curso de Medicina.

 

Autarquia e associações locais apoiam a USF

Desde a primeira hora, a equipa de S. Félix da Marinha contou com a cooperação da Junta de Freguesia e de outras associações da comunidade, como a associação de Jovens (AJovem) no desenvolvimento de acções dirigidas à população da sua área de referência.

A parceria com a Escola Secundária Arq. Oliveira Ferreira, o agrupamento de escolas Sophia de Mello Breyner e o Centro Social de São Félix da Marinha, já vem dos tempos do RRE através, nomeadamente, de uma consulta de "acessibilidade absoluta" para os adolescentes, acções de esclarecimento nas escolas e apoio ao centro social.

No momento da candidatura, a equipa apresentou também dois projectos na área da Saúde Oral e Apoio Social à Comunidade. No entanto, "com a definição apresentada pela MCSP para a carteira adicional, foram descontinuados". A consulta de cessação tabágica é outro projecto na forja, "em associação e cooperação com a USF da Aguda".

Na realidade, "o grupo desta USF tem muitas ideias para realizar e gostaria muito de as aplicar" mas, para isso, vai ter que esperar "pacientemente", persiste o coordenador, pelas novas instalações.

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