USF do Baixo Mondego I tomam posição conjunta
DATA
24/02/2010 04:41:07
AUTOR
Jornal Médico
USF do Baixo Mondego I tomam posição conjunta

As unidades de saúde familiar do agrupamento de centros de saúde (ACES) do Baixo Mondego I estão a preparar uma tomada de posição conjunta – eventualmente com o concurso das unidades de cuidados de saúde personalizados (UCSP) –relativamente ao pedido de transcrições feitos pelos hospitais de referência. Esta prática, que se arrasta há vários anos no Serviço Nacional de Saúde, tem vindo a agravar-se, denunciam os coordenadores das USF Cruz de Celas, Briosa, Condeixa e CelaSaúde.

As unidades de saúde familiar do agrupamento de centros de saúde (ACES) do Baixo Mondego I estão a preparar uma tomada de posição conjunta – eventualmente com o concurso das unidades de cuidados de saúde personalizados (UCSP) –relativamente ao pedido de transcrições feitos pelos hospitais de referência. Esta prática, que se arrasta há vários anos no Serviço Nacional de Saúde, tem vindo a agravar-se, denunciam os coordenadores das USF Cruz de Celas, Briosa, Condeixa e CelaSaúde.
Miguel Mesquita, responsável de Cruz de Celas, salienta que os pedidos de transcrição de meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT), provenientes dos hospitais de referência (Hospitais da Universidade de Coimbra, IPO e Centro Hospitalar de Coimbra), estão a transferir encargos para as unidades de saúde familiar e UCSP, quando deveriam ser assumidos por aquelas instituições.
Esta questão já foi denunciada por diversas vezes ao departamento de contratualização da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro. “Entregámos resmas de fotocópias com os pedidos feitos pelos hospitais, para seu conhecimento, mas a verdade é que o problema continua”. O responsável da Unidade de Saúde Familiar Cruz de Celas aponta que as USF são centros de custos e responsabilidade, tendo a seu cargo a missão de prestar melhor serviço, “sem olhar a despesas mas evitando o desperdício”. O pedido de transcrições dos hospitais, não só transfere a despesa para os CSP, como penaliza os utentes, obrigando-os a andar de um serviço de saúde para o outro, “como bolas de ping-pong”, quando “deveriam estar no centro do sistema”.

Transferência de custos para os cuidados de saúde primários
Defendendo que não devem ser os cidadãos a “pagar os custos do mau funcionamento” do Serviço Nacional de Saúde, Miguel Mesquita assinala que “se os hospitais não tiverem capacidade de resposta para a realização de exames, os respectivos serviços têm acesso aos impressos de requisição nas entidades convencionadas, tal como nós”.
Para Miguel Mesquita, trata-se simplesmente de uma questão de contenção de custos nos hospitais e tentativa de transferência para outras entidades, uma situação contra a qual as unidades de saúde familiar se insurgem, de novo. O médico alerta ainda para o facto de vários serviços dos Hospitais da Universidade de Coimbra possuírem mesmo impressos próprios para efectuarem os pedidos de transcrição.

Problema é transversal às USF e UCSP
O documento, que será enviado aos conselhos de administração dos referidos hospitais e ao presidente da ARS Centro, já está preparado. A ideia é envolver o conjunto das unidades do agrupamento (USF e UCSP) nesta denúncia, na medida em que o problema é transversal. Além dos custos, o médico refere que, anualmente, são muitas as consultas que se perdem num procedimento meramente administrativo, quando deveriam ser destinadas a resolver os problemas de saúde dos utentes. “Já é tempo de acabar com este estado de coisas, que não beneficia ninguém”. A tomada de posição das unidades do Baixo Mondego I baseia-se em pareceres da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e ofícios emanados pela própria Administração Regional de Saúde do Centro.

“É preciso acabar com isto!”
nacional_transcricoes_02.jpgAs unidades de saúde familiar, assim como as unidades de cuidados de saúde personalizados, “estão a ser prejudicadas por esta inversão dos circuitos de pedidos de exames, que em nada beneficia o utente”, considera a coordenadora da Unidade de Saúde Familiar Briosa, Maria da Conceição Maia. “Não faz sentido que um doente de um hospital de Coimbra venha ao centro de saúde pedir a transcrição de exames, quando o hospital pode perfeitamente fazer a requisição, permitindo ao doente a realização dos exames nos convencionados”.
Apesar de ter iniciado o seu percurso há pouco mais de três meses, a Unidade de Saúde Familiar CelaSaúde, coordenada pela médica de família Emília Fonseca Nina, está solidária com a posição tomada pelas restantes unidades de saúde familiar do agrupamento. Além de considerar que as transcrições são um acto administrativo e não médico, que surge pela tentativa de transferir custos do hospital para os centros de saúde, a médica refere a dificuldade que os médicos de família sentem em “dizer não” aos utentes, enviando-os de volta ao hospital. “Estamos, portanto, face a uma situação duplamente ingrata”, conclui.
nacional_transcricoes_03.jpgJosé Miguel Conceição, da Unidade de Saúde Familiar Condeixa, aponta no mesmo sentido: “Pensamos que o agravamento da situação resultará do novo estatuto dos hospitais EPE (Entidades Públicas Empresariais), que os leva a olhar mais para as despesas, procurando empurrá-las para outras entidades”.
O médico afirma que o mais correcto será “acabar com isto”, na medida em que “não existe justificação nenhuma, em termos legais, para o que se está a passar”.

 

ACES Pinhal Interior Norte
Coordenador critica “gestão” dos HUC

Com o mesmo problema das USF do ACES do Baixo Mondego I estão as do seu vizinho do Pinhal Interior Norte: em 2009, a Unidade de Saúde Familiar (USF) Serra da Lousã gastou 19 mil euros com a transcrição de meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT) solicitados pelos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). A situação foi denunciada pelo coordenador, João Rodrigues, numa carta endereçada ao conselho de administração dos HUC.
Esta é uma prática que se arrasta há vários anos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), “e da qual resultam pesados prejuízos para a eficiência global do sistema, subversões na responsabilidade da prescrição, incómodos para os utentes e sobrecarga de trabalho médico e administrativo a nível dos centros de saúde”, aponta o médico. “Se, porventura, o hospital assume não conseguir dar resposta em tempo aceitável às necessidades de meios complementares de diagnóstico terapêutico dos utentes que assiste, deveria desde logo informar os seus médicos da possibilidade de prescreverem ao sector convencionado, sem se criarem intermediários nessa linha de responsabilidade”.
coordenador_critica_gestao_dos_huc_01.jpgJoão Rodrigues considera preocupante que “os hospitais, possuindo os meios técnicos ao dispor que possibilitam a realização dos exames complementares, continuem a promover a transferência da respectiva requisição para os Centros de Saúde, os quais, não tendo essa dotação técnica, têm que requisitar ao sistema convencionado”.
Salientando que já tinha endereçado um ofício no início de 2009 aos Hospitais da Universidade de Coimbra, alertando para esta problemática e sugerindo a sua solução, num curto espaço de tempo, o responsável da unidade de saúde familiar refere que “passado um ano os médicos da USF Serra da Lousã constatam que pouco mudou, na medida em que se vêem sobrecarregados com solicitações de utentes vindos dos HUC que visam uma mera acção burocrático-administrativa de pedidos de transcrição”.
Através de uma amostra do segundo semestre de 2009, acrescenta João Rodrigues, aquela unidade de saúde efectuou mais de 360 transcrições de exames no ano passado para os HUC, “a maioria dos quais partiu da Consulta Externa de Nefrologia, Urologia, Ginecologia (quase todos pré-operatórios!) Cirurgia III e Serviço de Urgência.
“Sendo a USF um centro de custos e responsabilidades, e tendo contratualizado em 2009 um dos indicadores de eficiência – os gastos em exames complementares, constatamos nesta amostra que a gastámos 5% (19.000 euros) do contratualizado com a transcrição de pedidos dos HUC”, adianta o coordenador.
coordenador_critica_gestao_dos_huc_02.jpgJorge Rodrigues sublinha que, de acordo com a legislação em vigor, a responsabilidade pelos encargos decorrentes da prestação de cuidados de saúde aos utentes do SNS é imputada às entidades que procedam à respectiva requisição. Por isso, acrescenta, esperar “que sejam dadas instruções aos directores de serviço para que as boas práticas na prescrição dos meios complementares de diagnóstico terapêutico sejam respeitadas”.
Entretanto, “a unidade de saúde familiar irá monitorizar todos os pedidos originários dos HUC” e, sem prejuízo de outras medidas, enviará semestralmente para os HUC e a ARS Centro “o relatório com as respectivas despesas induzidas”. 

 

USF Condeixa:
Espaço vai ser alargado

A equipa de Condeixa aguarda o início de obras de redimensionamento do espaço físico da unidade de saúde familiar. De acordo com o coordenador, José Miguel Conceição, o objectivo é melhorar as condições de trabalho dos profissionais e o conforto dos utentes.
No centro de saúde, a constituição da UCSP traduziu-se numa reorganização interna do espaço. A USF irá dispor de mais três gabinetes. Um deles já está destinado aos internos da especialidade de Medicina Geral e Familiar. No total, são oito, sem contar com os alunos do sexto ano de Medicina e do Ano Comum, que actualmente partilham os gabinetes da equipa médica. 

 


No terceiro aniversário:
USF Briosa estreia portal

No seu terceiro aniversário, a equipa da USF Briosa contava divulgar aos utentes o alargamento das instalações. Mas tal não foi possível. “Ainda não tivemos indicação, oficialmente, da data prevista para o início das obras”, refere a coordenadora, Conceição Maia.
Em contrapartida, os profissionais – que se reuniram num jantar comemorativo – iniciaram a divulgação da sua página na Internet (www.usf-briosa.net) junto dos utentes. Estes já tinham a possibilidade de marcar consultas e pedir a renovação de receituário crónico através de e-mail desde o início da actividade da USF. “No início, este serviço não tinha grande expressão mas, hoje, já é significativo o número de mensagens que recebemos diariamente”, aponta a coordenadora da unidade.
O site constitui um novo formato de divulgação da informação, que já consta do Guia do Utente, disponível na área de atendimento da unidade de saúde familiar, e ainda um importante instrumento de transmissão de mensagens de saúde. Paralelamente, a equipa está a desenvolver um fórum interno, com o objectivo de dinamizar mais uma forma de comunicação interna e criar um grupo mais estreito de discussão.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.