27º ENCG - Saúde Mental: com a crise, os problemas “vieram para ficar”
DATA
05/03/2010 08:16:44
AUTOR
Jornal Médico
27º ENCG - Saúde Mental: com a crise, os problemas “vieram para ficar”

"São problemas que vieram para ficar", é a opinião da médica de família Cristina Galvão, que vai presidir à sessão do 27º Encontro sobre Saúde Mental - Desafios de uma década.  

O desemprego, os problemas financeiros e o endividamento das famílias têm implicações ao nível da Saúde Mental que se vão manifestar ao longo de toda a década. "São problemas que vieram para ficar", é a opinião da médica de família Cristina Galvão, que vai presidir a sessão do 27º Encontro sobre Saúde Mental - Desafios de uma década. "Quando um ou dois elementos do casal ficam na situação de desemprego, toda a família é afectada, incluindo os mais novos". E os pais, muitos dos quais investiram fortemente na formação académica dos filhos, "acabam, por vezes, já numa situação de reforma, de terem que apoiar financeiramente e afectivamente as gerações mais jovens, quando deveriam investir na sua própria vivência".

Por outro lado, com o envelhecimento populacional, é de prever um agravamento dos problemas ligados à demência. "Portugal envelhece rapidamente e nós sabemos que a demência é tanto mais prevalente quanto mais idosa é a população". Isso cria problemas, " ao nível da assistência, de consumo de fármacos, da necessidade de apoio familiar e comunitário, da disponibilidade financeira e afectiva das famílias para cuidar". A médica assinala que "a prestação primordial de cuidados de saúde a pessoas com demência insere-se no âmbito da rede de cuidados de saúde mental", que ainda se encontra em desenvolvimento. A abertura de unidades vocacionadas para este tipo de doentes é, não só urgente, como fundamental, defende a médica.

A transversalidade da saúde e da doença mental vai estar em debate no 27º Encontro, numa sessão que conta também com a participação do Prof. Dr. Ricardo Gusmão, do médico de família Nelson Gaspar e do psiquiatra Pedro Macedo.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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