Novo hospital é essencial ao sucesso do curso de Medicina
DATA
05/03/2010 08:22:27
AUTOR
Jornal Médico
Novo hospital é essencial ao sucesso do curso de Medicina

Manuel Assunção, defende que a construção de um novo hospital em Aveiro é determinante para o sucesso do curso de Medicina da UA, defendendo ainda que a nova unidade deviria ser edificada em terreno contíguo ao campus universitário

 

O reitor da Universidade de Aveiro (UA), Manuel Assunção, defende que a construção de um novo hospital em Aveiro é determinante para o sucesso do curso de Medicina da UA, defendendo ainda que a nova unidade deviria ser edificada em terreno contíguo ao campus universitário.

Em entrevista à Agencia Lusa, Manuel Assunção, que assumiu as funções de reitor da UA há dias, defendeu que o novo equipamento de saúde deve ser construído numa área próxima da universidade, para que venha a funcionar, a médio prazo, como hospital universitário para os alunos do novo curso de Medicina.

"É óbvio que a resposta é: perto da universidade", respondeu o professor universitário quando questionado sobre a localização do novo hospital, cuja construção está a ser equacionada pelo Governo.

Manuel Assunção defende que o novo hospital da cidade deve ser construído nos terrenos do estádio municipal Mário Duarte, actualmente desactivado, numa zona contígua ao Hospital Infante Dom Pedro e a poucas centenas de metros da universidade.

"Se não tiver inconvenientes graves, que não estou a antecipar agora, penso que seria uma excelente solução. Por muito que tenhamos esta excelente parceria com várias unidades de saúde e vários hospitais, é óbvio que, a médio prazo, um grande hospital universitário é sempre determinante na qualidade de um curso de Medicina e seria extremamente importante que isso viesse a acontecer", afirmou o Manuel Assunção à Lusa.

Para o docente, a proximidade entre os equipamentos teria vantagens, lembrando que está prevista a construção de uma unidade de imagiologia médica junto ao actual hospital.

O Curso de Medicina da Universidade de Aveiro foi aprovado em Dezembro de 2009 pelo ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, que o considerou "inovador" por resultar de um consórcio entre a UA e a Universidade do Porto.

Funcionará em articulação com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar do Porto (que terá o papel de supervisor), e em articulação com o Hospital de Aveiro, Hospital de Santa Maria da Feira e Hospital de Viseu e com a rede de centros de saúde.

O curso, o nono de Medicina em Portugal, tem a duração de quatro anos e é destinado a candidatos que já possuam uma licenciatura, arrancando em 2011, no Edifício das Ciências da Saúde, que será construído de raiz na zona da Agra do Crasto do "campus" da UA.

O número de admissões no primeiro ano é de 40 alunos e será gradualmente aumentado até atingir 120 por ano.

"O curso de Medicina lança um grande desafio porque também tem em si próprio lógicas inovadoras. Por um lado vai ser um primeiro caso de consórcio entre universidades. Por outro lado, a própria natureza do curso é inovadora porque vai privilegiar formações complementares das formações iniciais em áreas circunvizinhas. E vai também ter por objecto a formação de médicos que tenham a sensibilidade para a questão da medicina da família", explica Manuel Assunção.

Após a criação do curso de Medicina, o Governo voltou a manifestar vontade política para construir um novo hospital em Aveiro, que substitua o actual e que irá servir uma população a rondar os 350 mil habitantes.

O processo de construção do novo equipamento está "bem encaminhado", revelou à Lusa o presidente do Conselho de Administração do Hospital Dom Pedro, cuja actual área de influência compreende os concelhos de Aveiro, Águeda, Albergaria-a-Velha, Ílhavo, Oliveira do Bairro, Murtosa, Vagos, Estarreja e Sever do Vouga, articulando-se em rede de forma complementar com os Hospitais Distritais de Estarreja e Águeda.

O novo hospital pode vir a ser erguido na Oliveirinha, em terrenos destinados a esse fim no Plano Director Municipal, ou numa zona actualmente ocupada pelo antigo estádio Mário Duarte, que engloba ainda um conjunto de armazéns camarários.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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