“Os CSP continuam a ser a minha grande luta”
DATA
27/09/2011 08:31:56
AUTOR
Jornal Médico
“Os CSP continuam a ser a minha grande luta”

Com quase 40 anos de serviço, Elisabete Barbosa, da USF Vale do Vez, do Centro de Saúde de Arcos de Valdevez, considerou que era altura de deixar a sua longa e interessante carreira como médica de família, orientadora de formação e especialista em Saúde Pública. Contudo, a unidade de saúde familiar continua a ser a sua segunda casa. Do mesmo modo que, admite, a Medicina Geral e Familiar é a sua segunda paixão… 

 

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Com quase 40 anos de serviço, Elisabete Barbosa, da USF Vale do Vez, do Centro de Saúde de Arcos de Valdevez, considerou que era altura de deixar a sua longa e interessante carreira como médica de família, orientadora de formação e especialista em Saúde Pública. Contudo, a unidade de saúde familiar continua a ser a sua segunda casa. Do mesmo modo que, admite, a Medicina Geral e Familiar é a sua segunda paixão… 

Jornal Médico de Família – Como é que se tornou especialista em Saúde Pública antes mesmo de ter a especialidade de Medicina Geral e Familiar?
Elisabete Barbosa – Licenciei-me em 1976. Três anos depois, fui para a periferia, em Arcos de Valdevez, uma zona extremamente rural. Aquela época era outro mundo…Repare que foi só após o 25 de Abril que se começou a falar de uma “medicina para todos”, ou seja, com igual oportunidade de acesso, sem necessidade do cartão, emitido pelos presidentes da junta de freguesia aos médicos da Misericórdia, a certificar a condição de “pobre”.
Era naquela ruralidade e com aquela gente que queria estar, para responder às suas carências em relação à saúde e até alguns problemas sociais. Senti necessidade de adquirir conhecimentos técnico-científicos mais profundos. Como adquiri-los?
Em 1981,frequentei a Escola Nacional de Saúde Publica em Lisboa e conclui o curso de Saúde Publica. Em 1982 iniciei o Internato Complementar de Clínica Geral, que conclui em 1985, com a classificação de 18 valores.
A especialidade de Saúde Publica veio antes da especialidade de Medicina Geral e Familiar, porque o meu curso chegou a P5 sem estarem definidas as carreiras médicas e logo as saídas para as especialidades. Foi neste estado de coisas que o Dr. Pinho da Silva me aconselhou a frequentar o curso de Saúde Pública.
Foi uma experiência muito interessante no que diz respeito à saúde da comunidade. Até porque estávamos no início de tudo, incluindo a Saúde Escolar.
Mas tratava-se de um trabalho “global” e o que eu desejava era o “frente a frente” com os doentes. Fiz então os três anos do Internato Complementar de Clínica Geral, naquela altura coordenado pelo Instituto de Clínica Geral da Zona Norte, sob a orientação do Dr. Hélder Machado, uma pessoa excepcional. Não existiam, no entanto, orientadores de formação em cada hospital e centro de saúde, como actualmente, da mesma maneira que não existiam portfolios, cadernetas com os objectivos a atingir… Todavia, eu conhecia as necessidades da minha população e isso ajudou-me muito a orientar a minha formação, no Centro de Saúde de Arcos de Valdevez e no Hospital de Viana do Castelo, em áreas essenciais para um médico de família: Saúde Materna, Saúde Infantil, Medicina Interna, Serviço de Urgência, Ortopedia…

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
#sejamestrelas

Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

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