Governo paga salários a médicos da Costa Rica que não dão consulta
DATA
05/10/2011 06:43:44
AUTOR
Jornal Médico
Governo paga salários a médicos da Costa Rica que não dão consulta

O Governo está a pagar salários a nove clínicos gerais da Costa Rica que deveriam estar a trabalhar nos centros de saúde de Torres Novas, Entroncamento e Almeirim, mas que permanecem inactivos devido a problemas burocráticos. Só em salários, já foram gastos mais de 100 mil euros

 

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O Governo está a pagar salários a nove clínicos gerais da Costa Rica que deveriam estar a trabalhar nos centros de saúde de Torres Novas, Entroncamento e Almeirim, mas que permanecem inactivos devido a problemas burocráticos. Chegaram aos centros de saúde no final do mês de Maio passado. Quatro meses depois, o imbróglio mantém-se. Sem fazerem nada, os nove médicos já custaram ao erário público mais de 100 mil euros, somente em salários

 

Carlos Martinez, um dos cinco médicos contratados para o Agrupamento de Centros de Saúde Médio Tejo - Serra D´Aire, graduou-se há cinco anos na Faculdade de Medicina da Universidade de Costa Rica. A partir daí, trabalhou na CCSS (Caja Costarricense de Seguro Social), nomeadamente na Clínica de Dor. A oportunidade de trabalhar em Portugal surgiu há aproximadamente um ano. "O meu objectivo é ampliar os conhecimentos médicos, ver outro tipo de doentes e conhecer outro sistema", afirma. "Acreditei que era possível. Estudei português, passei em todos os exames e recebi a homologação do título", por parte da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Tudo correu bem até ao momento em que solicitou a inscrição na Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos. À semelhança dos outros clínicos gerais costa-riquenhos, falta-lhe o "certificado de reciprocidade" entre países, sem o qual não pode terminar o processo.

"Ficámos surpreendidos quando soubemos que faltava esse documento", diz o médico, estranhando o facto de o Ministério da Saúde português não o ter exigido antes de fazer tudo o resto. "Agora, com toda a burocracia que existe no nosso país, não é tão fácil...". Na sua opinião, a mudança de governo na Costa Rica ainda veio complicar mais as coisas: "ficou tudo a zero".

Não poder trabalhar é uma situação que, "começa a ser difícil para nós, para os utentes e para os colegas dos centros de saúde, que contavam com a nossa ajuda".

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
#sejamestrelas

Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

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