MGF e Medicina Interna a uma só voz
DATA
18/11/2011 04:40:25
AUTOR
Jornal Médico
MGF e Medicina Interna a uma só voz

A APMCG, a SPMI e os colégios de MGF e Medicina Interna, juntaram-se para redigir uma carta enviada ao Ministério da Saúde, onde reclamam que sejam adoptadas medidas que promovam a sustentabilidade do sistema, através do contributo fundamental das especialidades generalistas.

 

A APMCG, a SPMI e os colégios de MGF e Medicina Interna, juntaram-se para redigir uma carta enviada ao Ministério da Saúde, onde reclamam que sejam adoptadas medidas que promovam a sustentabilidade do sistema, através do contributo fundamental das especialidades generalistas. O conteúdo da missiva suscitou interesse por parte da tutela e Paulo Macedo recebeu os representantes da Plataforma Medicina Geral e Familiar/Medicina Interna esta manhã, na João Crisóstomo

 

“Dar um contributo decisivo para a optimização de recursos, mantendo intacta, ou até melhorada, a qualidade assistencial” no Serviço Nacional de Saúde (SNS) é a grande finalidade da recém-criada Plataforma Medicina Geral e Familiar/Medicina Interna, que integra a Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral (APMCG), a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e os Colégios de Medicina Geral e Familiar (MGF) e de Medicina Interna (MI) da Ordem dos Médicos (OM) e que, hoje de manhã, foi recebida em audiência pelo ministro da Saúde, Paulo Macedo, e pelo secretário de Estado adjunto e da Saúde, Leal da Costa, na sequência de uma missiva enviada à tutela.

Conscientes de que as especialidades médicas de carácter generalista (MGF e MI) têm, no actual contexto socioeconómico, um papel fundamental na garantia da qualidade da prestação de cuidados de saúde e na gestão racional dos recursos existentes, os presidentes do Colégio de MGF da OM, José Silva Henriques, do Colégio de MI da OM, José Barata, da APMCG, João Sequeira Carlos, e da SPMI, António Martins Baptista, defendem, como contributo para a sustentabilidade do sistema e para a melhoria dos ganhos em saúde: colocar o doente no centro do sistema, desincentivar o recurso à Urgência e apostar na prevenção primária.

Empenhada em contribuir de forma positiva e pró-activa para a solução dos problemas do SNS, a Plataforma MGF/MI propõe, entre outras medidas, a manutenção do processo de reorganização dos cuidados de saúde primários (CSP), a generalização das unidades de saúde familiar (USF) e a melhoria das instalações e equipamentos das unidades de saúde.

 

A importância do trabalho em equipa…

Na reunião com os governantes do Ministério da Saúde (MS), os representantes desta plataforma apresentaram, ainda as suas sugestões no que toca à política de recursos humanos, defendendo a “colocação atempada dos jovens especialistas, com contratos justos e dignos da função que desempenham” e a “suspensão imediata da contratação de médicos sem formação especializada em MGF”.

Este é um ponto que o médico de família (MF) João Sequeira Carlos reconhece marcar sobretudo a agenda da MGF, mas no qual é “intransigente”. Isto porque, “a prática não especializada da Medicina vai contra os padrões preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Associação Mundial de Médicos de Família (WONCA), configurando um retrocesso do ponto de vista internacional”, adiantou, ao nosso jornal, o presidente da APMCG.

À saída do encontro, João Sequeira Carlos salientou “o ambiente de grande responsabilidade e seriedade em que decorreu a audiência” e a certeza de que “é vontade da tutela garantir um SNS abrangente, universal e de qualidade”, reconhecendo a “árdua tarefa que este Executivo tem pela frente”.

Para o MF, a criação desta plataforma entre especialidades cuja aproximação é “inevitável” e a audiência com o ministro são a prova de que “com trabalho em equipa se conseguem melhores resultados” e “é o paradigma do que é preciso que a sociedade civil faça: cada um de nós, nestes tempos de crise, tem a responsabilidade acrescida de identificar problemas e propor soluções”.

 

… E da articulação entre especialidades

No âmbito da reorganização hospitalar, a partilha de cuidados entre a MI e as restantes especialidades foi uma das propostas apresentadas na reunião, em que os quatro responsáveis também salientaram a importância de se reequacionar o financiamento dos actos médicos – através da revalorização clínica, dos hospitais de dia e medicina domiciliária e de soluções de escoamento de internamentos prolongados – e de se reformular o acesso aos serviços de urgência, por via da valorização da referenciação pelo MF e penalização do recurso por situações não emergentes e sem contacto prévio com os CSP.

Para isso, entendem os representantes da Plataforma MGF/MI, importa desenvolver uma articulação efectiva entre os cuidados hospitalares e os CSP, com normas de orientação clínica partilhadas; avaliação conjunta de indicadores de qualidade; definição conjunta de critérios de articulação e referenciação; reuniões de consultadoria; modelo de gestão do doente crónico assente na cooperação entre MGF e MI; facilitação da comunicação entre CSP e cuidados hospitalares, de forma a promover a continuidade de cuidados; sistemas de Informação centrados no cidadão, com garantia de interoperabilidade e possibilidade de acesso aos dados em qualquer ponto de prestação de cuidados; rentabilização de outros sistemas de comunicação.

A Plataforma MGF/MI recorda que as especialidades médicas generalistas dos Cuidados de Saúde Primários (Medicina Geral e Familiar) e Hospitalares (Medicina Interna), representam cerca de oito mil médicos, que pela sua plena integração e conhecimento do sistema de saúde e pela sua distribuição, cobrindo todo o território nacional, estão em condições de dar um contributo decisivo na optimização de recursos e na melhoria da qualidade assistencial.

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
#sejamestrelas

Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

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