Denise Alexandra: Encontro Nacional da ADSO: relato da minha experiência
DATA
24/11/2011 08:51:36
AUTOR
Jornal Médico
Denise Alexandra: Encontro Nacional da ADSO: relato da minha experiência

Foi um sucesso! O Encontro Nacional da Associação dos Docentes e Orientadores de Medicina Geral e Familiar (ADSO) teve lugar nos passados dias 11 e 12 de Novembro, no Campus de Gambelas, da Universidade do Algarve, em Faro

 

Foi um sucesso! O Encontro Nacional da Associação dos Docentes e Orientadores de Medicina Geral e Familiar (ADSO) teve lugar nos passados dias 11 e 12 de Novembro, no Campus de Gambelas, da Universidade do Algarve, em Faro. Em paralelo, decorreu a reunião internacional anual do EURACT Council, permitindo o cruzamento de programas numa mesa redonda, na tarde do primeiro dia do Encontro, com a participação animada de todos. A metodologia implementada neste Encontro foi a realização de conferências, seguidas de dois workshops, em paralelo. Em cada workshop foi escolhido um participante para fazer o respectivo relato em plenário.

No primeiro dia, começámos com uma conferência subordinada ao tema TIC na formação de MGF, pelo Dr. Carlos Martins. Partilhando, de forma isenta e prática, um exemplo de um dia habitual, com o auxílio do seu smartphone e aplicações, apresentou as várias alternativas disponíveis no mercado e aplicações úteis para facilitar e maximizar o nosso trabalho enquanto médicos e docentes/orientadores.

Seguiram-se os dois workshops, em paralelo. Um dedicado ao Uso de TIC para melhorar a formação e prestação de cuidados, dinamizado pelo Dr. Carlos Martins, e o outro sobre quadrangulação formador/formando/utente/computador - aspectos comunicacionais na consulta, orientado pelo Dr. José Mendes Nunes.

No primeiro, relatado pelo Dr. Edgar Ferreira, houve a oportunidade de utilizar, sob orientação, diversas aplicações informáticas no contexto de smartphone, tais como epocrates, 5 minute clinical consult, entre outras. Discutiu-se qual a melhor utilização destas tecnologias no contexto da actividade assistencial, no gabinete médico e em consulta domiciliária, assim como eventuais interfaces nos actuais sistemas de prescrição electrónica com funcionalidades equiparáveis às destas aplicações. Em contexto Web, foram demonstrados o prontuário terapêutico on-line e o simpósio terapêutico como ferramentas úteis de prescrição. Abordaram ainda a utilização do software Zotero, uma ferramenta útil de gestão bibliográfica. E, no final, fez-se um enquadramento das tecnologias de informação e comunicação como sendo úteis na gestão da agenda médica, na comunicação com o utente e na tomada de decisão médica.

No segundo workshop, procedeu-se a uma reflexão sobre as mudanças introduzidas na nossa prática clínica pela presença do computador e do interno/formando. Foram discutidas várias estratégias interessantes para ultrapassar eventuais problemas que surjam nesta quadrangulação, como a disposição do mobiliário e organização do gabinete e aspectos da nossa comunicação verbal e não verbal, durante a consulta.

No período da tarde, mudámos o registo linguístico para Inglês e tivemos o privilégio de ter uma conferência conjunta com os membros do EURACT Council sobre o papel do médico de família na Educação Básica Médica. Assistimos às apresentações de Yvonne van Loeeuwen, da Universidade de Maastrich, Mette Brekke, da Universidade de Oslo, Esra Saatci, da Universidade de Izmir, e de Luís Filipe Gomes, da Universidade do Algarve.

Em Maastrich e no Algarve é utilizada a metodologia de ensino por PBL (problem based learning) que, embora ainda não haja provas de ser melhor, é, pelo menos, tão boa quanto outros métodos. A professora Yvonne comparou a relação método clássico de ensino versus PBL com fertilização in vitro versus sexo. Ambos conseguem o mesmo objectivo mas o PBL e o sexo são muito mais divertidos. Em todas as apresentações foi destacada a presença da formação no contexto da Medicina Geral e Familiar desde fases precoces e ao longo da licenciatura.

Encerrámos o primeiro dia do Encontro com dois workshops: Aptidões para a consulta e avaliação no local de trabalho e Dinâmica de pequenos grupos.

No segundo dia, o Dr. Yonah Yaphe fez uma brilhante conferência sobre Teaching Medicine as an Art or the Art of Teaching Medicine, onde foi exemplificada a utilização de arte, nas áreas do cinema, pintura e literatura, no ensino da Medicina. Concluímos que a arte induz a reflexão, enriquece as nossas vidas, ensina-nos sobre a vida e ajuda a prevenir o burn-out.

Ainda na parte da manhã, tiveram lugar dois workshops: Perfil do docente/orientador de MGF, dinamizado pelo professor Jaime Correia de Sousa, e Reflexão sobre a interface do ensino pré e pós-graduado, orientado pela professora Cristina Ribeiro.

A última conferência do Encontro foi dedicada ao tema da prevenção quaternária e disease mongering, com as intervenções do professor Armando Brito de Sá, Dr. Edgar Ferreira e dois alunos do Curso de Medicina da Universidade do Algarve, Filipa Maduro e Filipe Machado. Os últimos apresentaram, à guisa de promotores de produtos farmacêuticos, de forma muito bem-humorada, a Síndrome da Normalidade Adquirida (SNA), como exemplo de disease mongering. Terminámos o Encontro com algumas palavras do professor Alberto Pinto Hespanhol, na sessão de encerramento.

Trabalhámos muito e bem neste dois dias, mas também tivemos oportunidade de conviver nos simpáticos coffee breaks e almoços, com iguarias caseiras, e num jantar animado, com os membros do EURACT Council, no Convento de São Francisco, servido por alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Faro.

Já estamos a adiantar a organização do Encontro de 2012 que será atempadamente divulgado e onde esperamos a presença de todos os docentes e orientadores de Medicina Geral e Familiar.

 

Denise Alexandra
Médica de família na USF Santiago
Membro da ADSO
Membro do Colégio de MGF da Ordem dos Médicos

 

 

 

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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