Carl Steylaerts: Marshall
DATA
13/12/2011 04:28:15
AUTOR
Jornal Médico
Carl Steylaerts: Marshall

Este texto faz referência ao James Mackenzie Lecture, que decorreu na Assembleia-Geral anual do Royal College of General Practitioners, em Londres, a 14 de Novembro de 2008.

 

carl.jpgEste texto faz referência ao James Mackenzie Lecture, que decorreu na Assembleia-Geral anual do Royal College of General Practitioners, em Londres, a 14 de Novembro de 2008.
O professor Martin Marshall falou sobre Prática, Política e Possibilidades: “Talvez o nosso maior fracasso, reconhecido desde há décadas, seja a nossa incapacidade ou talvez falta de vontade para lidar com aquilo que heuristicamente designamos por fraco desempenho – a vergonha da Medicina Geral e Familiar (MGF) em utilizar termos mais provocadores”. Na minha função como clínico e alguém empenhado na melhoria da qualidade tenho estado exposto ao melhor da MGF. Mas também estive envolvido em grupos locais de desempenho e trabalhei no Governo e aí estive exposto ao que só posso esperar que seja o pior de tudo. E não estou a falar dos médicos de família (MF) que só alcançavam Nem sequer falo dos MF que não conseguem descrever o risco da diabetes mal controlada, apesar de me sentir desesperado perante esses colegas.
Falo, antes, do MF que não tem uma cadeira para sentar o seu doente porque tem diminuído o número de consultas. Falo do MF que se descobriu andar a reutilizar material descartável não esterilizado. Isso pôs-me a pensar: para que servem valores a que um número crescente de colegas de especialidade, em particular os nossos sucessores, a próxima geração, não querem aspirar?
É óbvio que os valores devem ser algo a que podemos aspirar, mas tal como a abordagem jesuíta à doutrina, devem ser algo que podemos viver no dia-a-dia. Será então necessário rever os nossos valores e redefini-los de forma a reflectirem não só o que é fundamentalmente importante, mas também algo passível de ser concretizado. Deixem-me dar a minha opinião. Sugiro que haja apenas três valores nucleares a definir a nossa disciplina e em torno dos quais devemos definir o que fazemos. Em primeiro lugar, todos os MF devem estar empenhados em ser excelentes médicos generalistas. Em segundo lugar, todos os MF devem centrar os cuidados na pessoa. Por último, todos os MF devem advogar os interesses dos seus doentes e respectivas comunidades.
O nosso desafio é encontrar uma forma de comunicar a nossa importância, de vender a nossa disciplina. Neste ponto, acredito que temos que olhar para fora do nosso corpo de conhecimento estabelecido, da mesma forma que os nossos antecessores fizeram, nos anos 60, quando se voltaram para o campo académico da educação, desbravando novos caminhos na formação dos formandos.
Por sua vez, a expertise na área da comunicação, a capacidade de mudar atitudes e comportamentos, pode ser encontrada no domínio do marketing, nomeadamente do marketing social, sustentada pela ciência da psicologia cognitiva.
O conceito de marketing social foi desenvolvido por Philip Kotler e Gerald Zaltman no início dos anos 70. Prende-se com vender não com vista ao lucro mas ao bem social. Esta ideia enfatiza a importância dos valores, de compreender a audiência-alvo no seu contexto social, de trabalhar com ela no sentido de mudar o seu pensamento e comportamento em vez de lhes proporcionar um serviço. Esta abordagem já foi utilizada com sucesso em diferentes áreas, incluindo campanhas de saúde pública, com programas pioneiros na Austrália como Quit, uma campanha pela cessação tabágica, e Sunsmart, campanha de prevenção do cancro da pele. Há um corpo de evidência crescente de que o marketing social funciona”.
Reconhecemos estas afirmações sobre a qualidade da prática e os três valores nucleares da nossa especialidade? Precisamos do marketing social ou os mindsets já estão a mudar?
No meu entender, há uma enorme evidência no seio do EQUIP de que a qualidade do nosso trabalho ainda necessita de uma abordagem activa. Actualmente, está a decorrer uma revisão da definição emitida pela WONCA Europa em 2002 e revista em 2005. Na minha opinião, os três valores nucleares que Marshall propõe são, sem sombra de dúvida, os valores mais valiosos de que alguém pode lembrar-se.
E quando o marketing social significa que devemos envolver o público, os nossos
doentes, redefinindo a nossa prática de forma a que, como num contrato, todas as partes saibam o que é concretizável, sou completamente a favor.
Vamos colocá-lo nas nossas agendas, agora!

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
#sejamestrelas

Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

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