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“Os médicos da MGF vão ser actores centrais no processo de auditorias”
DATA
09/02/2012 08:24:35
AUTOR
Jornal Médico
“Os médicos da MGF vão ser actores centrais no processo de auditorias”

Desde há muito anunciado, o ciclo de auditorias ao cumprimento das novas normas de orientação clínica...

 

Desde há muito anunciado, o ciclo de auditorias ao cumprimento das novas normas de orientação clínica nos cuidados de saúde primários arrancou no final de Janeiro. O coordenador do Conselho Nacional da Auditoria e Qualidade da Ordem dos Médicos (entidade encarregue de vigiar o cumprimento integral das normas) garante, em entrevista exclusiva ao nosso jornal, que as incursões dos auditores visam aperfeiçoar, racionalizar e homogeneizar a prestação de cuidados, sem qualquer intenção punitiva sobre os profissionais. A existirem consequências negativas, elas incidirão apenas sobre os serviços nos quais se detectem desvios, porventura em sede de contratualização. Aliás, Álvaro Beleza deixa bem claro que se a tutela avançasse com penalizações individualizadas sobre os profissionais de saúde, por incumprimento das normas, a Ordem abandonaria de imediato a colaboração que encetou com a Direcção-Geral de Saúde. Fica também, desde já, a garantia de que o processo de auditorias nos centros de saúde será liderado por representantes da Medicina Geral e Familiar, com um elemento desta especialidade sempre a dirigir as equipas de auditores neste nível de cuidados

 

«Médico de Família - Desde o início, algumas pessoas encararam esta ronda de auditorias como uma iniciativa potencialmente punitiva... Gostaria de desmistificar esta visão?

 

Álvaro Beleza - Antes de mais, a nossa intenção foi sempre a de não excluir ninguém, nenhuma especialidade ou sociedade científica, ao nível da elaboração das normas e da sua validação. Realizámos, recentemente, uma reunião com as sociedades científicas, de forma a colocá-las em diálogo e em contacto com os colégios da especialidade da Ordem dos Médicos (OM). Ficou, inclusive, combinada a criação de grupos de trabalho que reúnam elementos, quer das sociedades científicas, quer dos colégios, numa perspectiva inclusiva. Em relação à questão específica que me coloca, é preciso dizer que este processo necessita de ser auditado. Primeiro, porque as pessoas só levam as coisas a sério quando são auditadas... Por outro lado, porque este avanço ao nível da auditoria das normas também abre caminho, em muitos serviços, ao processo de acreditação de qualidade. Ora, a acreditação da qualidade é algo que será obrigatório para os serviços de saúde, face à implementação da directiva da mobilidade dos doentes europeus. Dito de outra forma, o processo de auditora das normas que vão sendo publicadas é o início da organização dos próprios serviços para um sistema de qualidade.

 

Continua sem nos dizer se os profissionais devem, ou não, recear esta démarche como punitiva, algo que os prejudicará caso não estejam à altura das expectativas...

 

Princípio basilar: não há auditorias a médicos, apenas a serviços (sejam eles hospitais, clínicas, unidades de saúde familiar - USF -, unidades de cuidados de saúde personalizados ou outras). Depois, há que afirmar que as auditorias têm como objectivo, não só verificar se as normas são cumpridas, mas também fazer pedagogia no sentido de melhorar os procedimentos nos serviços. Haverá sempre lugar a uma reunião prévia com a direcção clínica e uma reunião final.

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Na primeira, será dada informação sobre o que pretendemos ver, com quem pretendemos falar, etc. Depois é apresentado um relatório preliminar sobre o que se observou. Após o relatório ser enviado para a unidade, é então dado um prazo máximo de um mês para que se corrijam erros e possíveis falhas. Se a unidade não conseguir corrigir os problemas, voltaremos lá e existirá sempre uma segunda hipótese de melhoria. Na conclusão do processo, surgirá um relatório final. A lógica é de total pedagogia...

 

Texto integral apenas disponível na versão impressa

 

 

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Editorial
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