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Grupo Médicos Unidos juntou 1500 clínicos para debate alargado
DATA
23/03/2012 10:07:03
AUTOR
Jornal Médico
Grupo Médicos Unidos juntou 1500 clínicos para debate alargado

Em três reuniões gerais realizadas nas instalações da Ordem dos Médicos, em Lisboa, Coimbra e Porto, a classe agitou-se e participou numa discussão transparente sobre os principais temas que preocupam os clínicos portugueses

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Foram aproximadamente um milhar e meio os profissionais de saúde que responderam à chamada do grupo Médicos Unidos. Em três reuniões gerais realizadas nas instalações da Ordem dos Médicos, em Lisboa, Coimbra e Porto (nos dias 22, 23 e 27 de Fevereiro), a classe agitou-se e participou numa discussão transparente sobre os principais temas que preocupam os clínicos portugueses. Para os Médicos Unidos - movimento que ganha cada vez maior notoriedade nos espaços real e virtual e já lançou o seu portal na Internet, depois do sucesso no Facebook -, as reuniões produziram ideias extremamente válidas. Sobretudo, em áreas como a revisão do internato médico, a discussão das novas grelhas salariais, as condições contratuais oferecidas aos jovens clínicos ou a luta contra a ameaça do desemprego médico

 

O Centro de Cultura e Congressos da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos (OM) acolheu, no passado dia 27 de Fevereiro, a terceira e última reunião geral promovida pelo grupo Médicos Unidos, na participaram mais de 700 clínicos... A que se devem juntar os mais de seiscentos que marcaram presença nas reuniões de Lisboa e Coimbra.

As três reuniões foram longas (cerca de quatro horas cada) e abordaram vários pontos cruciais para a prática da Medicina, como sejam a integração de todos os profissionais (sem excepção) numa carreira médica única e estruturada, a manutenção da boa qualidade na formação pré e pós-graduada, a garantia de novas grelhas salarias justas e não demasiado dependentes de parcelas remuneratórias variáveis, as regras para o cumprimento de horas extraordinárias e a ameaça do desemprego médico.

Durante os encontros, foram projectados inúmeros cenários futuros, alguns realistas, outros mais especulativos. Ao nível da MGF e dos cuidados de saúde primários, houve até quem sugerisse nestas reuniões que o Ministério da Saúde (MS) poderia aproveitar os médicos que no futuro não conseguissem aceder ao internato médico (que em breve poderá estar exaurido, em termos de capacidade formativa nos serviços), colocando estes profissionais nos agrupamentos de centros de saúde mais carenciados de recursos humanos.

Da mesma forma, aventou-se a possibilidade de grupos económicos interessados no sector da Saúde poderem arrancar com unidades de saúde familiar em modelo C, incorporando desde logo estes profissionais com baixo custo remuneratório.

Na reunião de Coimbra foi ainda apresentado um documento, intitulado "CHUC: Fusão ou conFusão", o qual aborda a problemática da construção do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), um dos mais polémicos processos de reestruturação hospitalar em curso no território nacional, realizado, segundo os autores do documento, "sem uma consulta prévia aos profissionais de saúde e sem o recurso a nenhum estudo que sustentasse essa fusão".

 

Paulo Macedo será destinatário de carta aberta

Em termos gerais, resultaram destas três reuniões várias linhas de acção que os Médicos Unidos pretendem assumir como bandeiras, nos próximos tempos.

Antes de mais, a aplicação prática dos princípios subjacentes às carreiras médicas e aos acordos colectivos de trabalho.

Por outro lado, a negociação de uma grelha salarial justa, "que respeite o estatuto e a dignidade da profissão médica", lê-se num comunicado emitido pelo grupo, onde se defende, igualmente, que não devem ser permitidas alterações no internato médico instigadas pela poupança de recursos financeiros, agora que se prepara uma revisão sistemática do mesmo.

Advoga-se, em paralelo, um respeito integral pelas "capacidades formativas das escolas médicas, para que a formação pré-graduada mantenha os níveis de qualidade a que fomos habituados durante muitos anos (...)".

Por último, exige-se a "publicação de uma Lei do Acto Médico, de acordo com o perfil profissional do médico já definido legalmente (...)". Todos estas reivindicações serão enviadas ao Ministro, em carta aberta a enviar dentro de dias. Segundo conseguimos apurar, já existe mesmo uma resenha preliminar da missiva, que circulará, previamente, pelos sindicatos médicos, OM e classe em geral. O intuito é o de encontrar um texto capaz de reunir a máxima concordância, por forma a que o governante receba um reflexo fiel das preocupações manifestadas pelos médicos.

 

 

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Editorial
Rui Nogueira
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