“Doentes e médicos têm de assumir novos papéis no SNS do futuro”
DATA
28/02/2013 10:20:05
AUTOR
Jornal Médico
“Doentes e médicos têm de assumir novos papéis no SNS do futuro”

O modelo que serviu de base à criação dos sistemas de saúde actuais já não serve para manter o SNS do futuro. Quem o diz é Lord Nigel Crisp, antigo chefe executivo do serviço de saúde britânico

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A definição de um novo modelo de Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma inevitabilidade e a reestruturação do sistema de saúde, uma urgência. Tudo porque o sistema de saúde actual foi construído a pensar nas doenças e nos doentes de ontem. Hoje, o mapa das doenças mudou, a epidemiologia é outra e a necessidade de um novo modelo é, por isso, iminente.

A constatação foi partilhada pelo antigo chefe executivo do serviço de saúde britânico, Lord Crisp, na IX Conferência da Indústria Farmacêutica organizada, recentemente, pelo Diário Económico e pela MSD.

"Ao nível da Medicina, o século XX foi fantástico", sublinhou o ex-responsável do National Health Service (NHS) e secretário permanente do departamento de saúde britânico entre 2000 e 2006. Contudo, os modelos usados para construir os sistemas de saúde do passado já não servem para preservar o SNS no futuro, adiantou.

"Precisamos de um novo modelo, que aposte mais na prevenção [da doença], nos cuidados domiciliários e que contemple um maior envolvimento do cidadão", defendeu Crisp, exemplificando: "Na África do Sul há clubes de doentes com VIH/SIDA, grupos de interajuda que dão apoio aos doentes e trabalham com os médicos e com outros profissionais de saúde, porque muitas vezes um doente percebe melhor as manifestações da doença do que um médico".

De acordo com o conferencista britânico, no desenvolvimento do SNS do futuro, é importante ter em conta o contexto económico actual, assumindo-o como uma oportunidade para cortar no desperdício e aumentar a eficiência. No entanto, "os meios económicos por si só não funcionam", alertou.

Para o especialista, aspectos como o trabalho em equipa e a skill mix serão certamente incontornáveis no novo modelo de sistema de saúde.

Nigel Crisp, que esteve seis anos à frente do NHS, durante o mandato de Tony Blair, vai permanecer em contacto com o nosso país, nos próximos tempos, uma vez que é a cara de uma plataforma encomendada pela Fundação Calouste Gulbenkian com o intuito de contribuir para o debate da reforma do Estado português. Este grupo, que integra diversas personalidades internacionais da área da Saúde, deverá apresentar, já em Fevereiro, um estudo com propostas concretas para a reestruturação do SNS. Mais um contributo que se vem juntar ao famigerado relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), que sugeriu medidas polémicas como novo aumento das taxas moderadoras na Saúde.

 

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Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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