Vírus da gripe H7N9 é um dos mais letais
DATA
10/05/2013 06:09:51
AUTOR
Jornal Médico
Vírus da gripe H7N9 é um dos mais letais

O H7N9 é um dos vírus da gripe mais fatais conhecidos até agora, anunciou esta semana o director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) para as áreas da segurança em saúde e ambiente

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O H7N9 é um dos vírus da gripe mais fatais conhecidos até agora, anunciou esta semana o director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) para as áreas da segurança em saúde e ambiente, que integra uma equipa daquela organização, que chegou à China para investigar esta doença, transmitida pela primeira vez aos humanos há algumas semanas.

 

No total, 109 pessoas foram já infectadas por este vírus, 22 das quais morreram, na sua maioria idosos.

"É, sem dúvida, um dos vírus mais letais que já conhecemos até ao momento", declarou Keiji Fukuda, numa conferência de imprensa em Pequim. "Pensamos que este vírus (H7N9) é mais facilmente transmissível ao homem que o H5N1", acrescentou o investigador, classificando-o de "excepcionalmente" perigoso.

"Estamos apenas no início da compreensão" deste vírus, disse, acrescentando que as aves são "as prováveis fontes de infecção".

Pela primeira vez, um caso foi confirmado fora da China continental, em Taipé (Taiwan), num homem de 53 anos de idade que regressou de Suzhou (leste da China), onde trabalhava. Hospitalizado, o homem garantiu aos médicos que não esteve em contacto com aves. Outros casos já foram apontados nesta cidade da província de Jiangsu.

Actualmente, "nenhuma forma duradoura de transmissão entre humanos foi constatada", reiteraram os investigadores da OMS em comunicado. "O que continua a ser incerto é se este vírus pode adquirir a capacidade de ser transmitido entre humanos", acrescentam. Casos de infecções no seio de uma mesma família foram reportados.

 

Nova estirpe está a adaptar-se a humanos

Uma análise genética ao H7N9 mostra um vírus em evolução para se adaptar às células humanas, o que gera uma crescente preocupação acerca do seu potencial para desencadear uma nova pandemia de gripe global.

Num estudo de colaboração entre uma universidade japonesa e uma academia norte-americana, liderado por Masato Tashiro e Yoshihiro Kawaoka - publicado na edição de Abril do jornal Eurosurveillance - foram examinadas sequências genéticas do H7N9 isoladas de quatro dos patogénios das vítimas humanas, bem como amostras derivadas de pássaros e dos arredores de um mercado em Xangai.

"As amostras humanas isoladas, mas não as dos pássaros e do ambiente, apresentam uma mutação nas proteínas que permite o crescimento eficiente nas células humanas e que também lhes permite crescer numa temperatura que corresponde à do tracto respiratório superior dos humanos, que é mais baixa do que a verificada nos pássaros", disse Kawaoka, investigador com experiência vasta no campo da gripe das aves.

Apesar de ainda ser muito cedo para predizer o seu potencial para causar uma pandemia, os sinais de que o vírus se está a adaptar a hospedeiros mamíferos, em particular humanos, são inegáveis, salientou Kawaoka. E acrescentou: "O acesso à informação genética dos vírus é essencial para perceber o modo de evolução dos mesmos e poder desenvolver uma vacina candidata contra a infecção".

O influenza depende da sua capacidade de se agregar e recrutar as células vivas do seu hospedeiro para se replicar e espalhar eficientemente. A gripe aviária raramente infecta humanos, mas pode, por vezes, adaptar-se às pessoas, ameaçando seriamente a saúde humana.

"Estes vírus possuem várias características específicas dos vírus da gripe em mamíferos, o que contribui para a sua capacidade para infectarem humanos e aumentar o seu potencial pandémico", concluem os investigadores neste estudo.

De acordo com Kawaoka, a maioria dos vírus neste estudo - desde os humanos aos aviários - apresentam uma mutação numa proteína designada por hemaglutinina (HA), que o patogénio utiliza para se ligar às células do hospedeiro. Estas mutações, explica, permitem que o vírus infecte facilmente as células humanas. Para além desta, as amostras isoladas das vítimas humanas contém uma outra mutação que permite ao vírus replicar-se eficientemente dentro das células humanas. Esta mesma mutação, refere Kawaoka, permite aos vírus aviários prosperar nas temperaturas "mais frescas" do sistema respiratório superior dos humanos. É nas células do nariz e da garganta que a gripe habitualmente se apodera dos hospedeitos mamíferos ou humanos.

 

Medo motiva restrições em aeroportos asiáticos

Vários governos da Ásia decidiram reforçar a triagem de passageiros que desembarcam da China, num esforço para impedir a proliferação da nova estirpe da gripe aviária.

O Vietname começou a verificar a temperatura de todos os visitantes nos seus aeroportos, anunciaram as autoridades, e o Japão disse que autorizará a partir de Maio "inspecções termográficas" em pessoas que cheguem da China por via aérea ou marítima.

As autoridades tailandesas também confirmaram que estão a preparar um plano para impedir a difusão do novo vírus, e o Ministério da Saúde de Singapura informou que o país "mantém-se em alerta elevado".

A chegada da nova gripe a Taiwan causou uma queda nas acções de companhias aéreas locais. No entanto, a maioria das empresas aéreas asiáticas afirmou não ter notado nenhuma redução significativa nas reservas dos seus voos para a China. Alguns países reforçaram também a vigilância sobre aves importadas da China, onde algumas amostras animais já tiveram resultados positivos para o H7N9.

O Vietname informou que desde o início de Abril já proibiu a importação de aves da China. As Filipinas, que mantêm um embargo à importação de aves com origem na China desde 2004, estão a reforçar as medidas de quarentena para todos os produtos avícolas.

 

 

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