Profissionais dos CSP mais receptivos ao alargamento de competências dos enfermeiros
DATA
30/05/2013 12:27:25
AUTOR
Jornal Médico
Profissionais dos CSP mais receptivos ao alargamento de competências dos enfermeiros

Estes números levam especialistas a defender a revisão da composição da força de trabalho em saúde e o alargamento de competências dos enfermeiros, como medidas para melhorar o acesso da população aos cuidados de saúde e a eficiência na prestação de serviços, defende o estudo

Versão integral apenas disponível na edição impressa

 

De acordo com os resultados de um estudo realizado por investigadores do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), apoiado pelos escritórios europeus da Organização Mundial de Saúde (OMS) e recentemente publicado numa revista científica internacional, Portugal é dos países desenvolvidos com um dos ratios mais baixos de enfermeiros por habitantes e por médicos e um dos ratios mais elevados de médicos por habitantes.

Estes números levam especialistas a defender a revisão da composição da força de trabalho em saúde e o alargamento de competências dos enfermeiros, como medidas para melhorar o acesso da população aos cuidados de saúde e a eficiência na prestação de serviços, defende o estudo.

Várias experiências internacionais mostram que a expansão das competências dos enfermeiros pode ser implementada sem impactos negativos na qualidade dos serviços ou na segurança dos doentes e, até, com resultados positivos na satisfação dos utentes. Em Portugal, estas medidas carecem ainda de maior debate público, mas já foram identificadas em documentos como a avaliação da OMS relativa ao Plano Nacional de Saúde 2004-2010, no relatório sobre a análise da sustentabilidade financeira do Serviço Nacional de Saúde da Entidade Reguladora da Saúde, e no relatório final do Grupo técnico para a Reforma Hospitalar, do Ministério da Saúde.

Nos vários documentos, o alargamento das competências dos enfermeiros é proposto como uma medida custo-efetiva não só para tornar o sistema de saúde mais eficiente e acessível, bem como para ajudar a lidar com os "desafios demográficos", salientando-se que algumas tarefas médicas podem ser executadas, de forma segura, por enfermeiros com formação adequada.

O estudo mostra que os profissionais dos cuidados de saúde primários serão os que estarão mais receptivos à transferência de algumas competências para os enfermeiros e destacam as seguintes áreas: gestão integrada da doença, doença crónica, seguimento da gravidez, cuidados a grupos vulneráveis, diabetes, hipertensão, nutrição, promoção da saúde ou tratamento de ferimentos.

Em relação à prescrição por enfermeiros, esta foi considerada aceitável para determinados exames complementares de diagnóstico e para alguns tipos de medicamentos, como os analgésicos, contraceptivos e antitabágicos, e antipiréticos, no caso de febre alta. Os profissionais auscultados defendem, contudo, que a formação dos enfermeiros necessita de ajustes e que a regulação profissional terá de ser adaptada, exigindo uma maior colaboração entre as ordens profissionais dos médicos e dos enfermeiros.

 

 

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro

O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.