Açores vai ter 'call center' da saúde ainda este ano
DATA
30/05/2013 12:30:09
AUTOR
Jornal Médico
Açores vai ter 'call center' da saúde ainda este ano

Os serviços prestados pelo call-center de Saúde estarão organizados em duas grandes áreas: atendimentos de teor clínico e Atendimento de teor não clínico

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De acordo com a proposta do Governo açoriano de reestruturação do Serviço Regional de Saúde (SRS), apresentada na Assembleia Legislativa Regional, o arquipélago passará a dispor, já este ano, de um 'call center" da saúde.

Os serviços prestados pelo call-center de Saúde estarão organizados em duas grandes áreas: atendimentos de teor clínico e Atendimento de teor não clínico.

O atendimento de teor clínico é organizado em três grupos de acordo com diferentes objetivos. O primeiro destes grupos é o da triagem clínica, através da qual se "pretende identificar, tão cedo quanto possível, as situações mais graves que apresentem maior risco para a saúde do utente, permitindo o encaminhamento para um médico e se necessário acionar os serviços de urgência médica. A triagem será realizada de modo a evitar a sobrecarga das unidades de prestação de cuidados com situações simples, nomeadamente as que possam ser resolvidas recorrendo aos autocuidados", Lê-se no documento.

O segundo grupo integra o aconselhamento e encaminhamento, que fornece ao utente serviços como acesso a serviços de urgência, consulta de um médico num determinado espaço de tempo, definido em horas ou dias e prescrição de autocuidados, quando de acordo com informação do utente, tal seja suficiente para a situação em concreto (no caso de prescrição de autocuidados, serão realizadas chamadas de seguimento, no sentido de acompanhar a evolução do utente, sempre que tal seja necessário).

O terceirogrupo é o da assistência em saúde pública, que disponibilizará aos utentes conselhos relativos a elementos práticos e hábitos de prevenção em saúde pública que abranjam o país, uma comunidade ou uma família, nomeadamente em situações de epidemia e proteção coletiva em saúde.

O atendimento de teor não clínico terá como objetivo prestar informações ao utente relacionadas com a saúde, nomeadamente o que respeita à prestação de serviços, estando esta organizada em dois grupos: o Diretório do Serviço Regional de Saúde dos Açores, que fornece informação ao utente sobre instituições e serviços integrados na rede de prestação de cuidados de saúde, incluindo as valências, moradas, contactos e horários de atendimento. Já o segundo grupo, disponibilizará ao utente informação permanente e atualizada sobre as farmácias de serviço. 

O Governo açoriano conta ter em funcionamento o 'call center' da saúde já no segundo semestre deste ano. O call center ficará sediado no edifício do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores, na ilha Terceira, e permitirá "um aconselhamento e triagem das reais necessidades dos utentes", algo que se afigura como "um passo imprescindível de melhoria da qualidade e da eficácia dos serviços que são prestados aos açorianos".

"O que se pretende, efectivamente, é assegurar uma resposta rápida e eficaz aos problemas do utente, reduzindo o uso excessivo do serviço de atendimento permanente dos cuidados primários e o reencaminhamento do utente para os cuidados de saúde adequados ao seu problema, quando necessário", adianta o documento.

O atendimento será realizado por enfermeiros com formação específica nos protocolos de triagem e aconselhamento, sendo que o serviço funcionará 24 horas, sete dias por semana, através de telefone, correio electrónico e internet.

Com a proposta de reestruturação do SRS, o executivo liderado por Vasco Cordeiro não pretende "refundar, mas sim reformar" o SRS para que "continue a ser bom", lê-se no documento, disponível na página na internet do Governo Regional (http://www.azores.gov.pt)

Entre as várias medidas propostas no documento está a criação de um Centro Hospitalar dos Açores, para que os três hospitais da região sejam geridos apenas por um Conselho de Administração e o acesso de médicos de família a todos os açorianos até ao final de 2016, quando termina a actual legislatura.

O documento, com medidas calendarizadas, está dividido em dois grandes capítulos, onde são descritas medidas de organização e gestão do SRS, bem como da prestação dos cuidados, num arquipélago com 250 mil habitantes dispersos por nove ilhas.

"O Serviço Regional de Saúde assenta numa estrutura desenhada há cerca de 30 anos, tendo sofrido poucas modificações ao longo dos últimos anos. Face a um período de grande desenvolvimento nas vias de comunicação, nas tecnologias de informação e na ciência médica, a incorporação dessas melhorias na actividade diária das unidades de saúde, considera-se que as mesmas podem ser mais potenciadas em benefício das açorianas e dos açorianos", adianta a proposta, que está agora em fase de discussão pública.

O Executivo Regional socialista assegura que o documento, que contém em anexo as propostas dos partidos e parceiros sociais, pretende ser "o motor de uma discussão alargada a toda a sociedade", de modo a que a versão final "seja fruto do maior consenso", mostrando-se aberto a aditamentos às medidas propostas ou aperfeiçoamento das que já constam da proposta.

No âmbito da reformulação do sector da Saúde, o Governo açoriano considera também "essencial" garantir que todos os processos de aquisição/substituição de equipamentos passem a depender da análise custo/benefício efectuada pela Saudaçor.

 Entende ainda o Executivo açoriano que, primeiro, deve ser esgotada toda a capacidade instalada na região antes de adquirir novos equipamentos e quando assim acontecer, deve haver o cuidado de proceder a uma homogeneização das marcas dos aparelhos a adquirir.

 

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
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O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.