Falta de material básico afectou um terço das USF
DATA
30/05/2013 13:07:36
AUTOR
Jornal Médico
Falta de material básico afectou um terço das USF

Um terço das unidades de saúde familiar (USF) sentiram falta de material considerado básico, como luvas, batas ou vacinas contra o tétano, segundo dados de um inquérito divulgado no âmbito do 5º Encontro Nacional das USF, que decorreu, há dias, em Lisboa

 

Um estudo apresentado no 5º Encontro Nacional das USF mostra que, no ano passado, as equipas de cuidados de saúde primários organizadas em unidades de saúde familiar enfrentaram algumas dificuldades no exercício diário da sua actividade. Falta de material básico e problemas informáticos são os principais motivos de insatisfação, revelados pelos profissionais no inquérito

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Um terço das unidades de saúde familiar (USF) sentiram falta de material considerado básico, como luvas, batas ou vacinas contra o tétano, segundo dados de um inquérito divulgado no âmbito do 5º Encontro Nacional das USF, que decorreu, há dias, em Lisboa.

Todos os anos é feito um estudo de satisfação aos coordenadores das USF e os resultados relativos a 2012 foram apresentados em detalhe no evento organizado pela Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN). Em declarações à agência Lusa, o presidente da comissão científica do encontro e médico de família (MF) na USF Marginal, André Biscaia, explicou que uma das tendências é um aumento da insatisfação dos profissionais em relação ao Ministério da Saúde e aos organismos da administração central.

As faltas de material básico de funcionamento são apontadas por um número significativo de coordenadores de USF, com 34% deles a indicarem que em 2012 essas falhas ocorreram mais de 10 vezes. O mesmo estudo mostra que só 13% dos coordenadores afirmaram nunca terem tido falhas de material considerado básico.

O equipamento informático, que apoia grande parte da actividade clínica e administrativa nas USF, também é um dos principais motivos de insatisfação, com metade dos coordenadores a não considerar que o equipamento tem o nível de adequação pretendido.

Neste momento, há 86 candidaturas para criação de USF que estão por decidir e que poderiam dar MF a mais 150 mil utentes, segundo dados oficiais a que o nosso jornal teve acesso.

De acordo com André Biscaia, desde o início do ano apenas uma USF entrou em funcionamento, sendo que outra foi extinta.

Segundo os dados oficiais, entre 2006 e 2010 abriam 55 unidades por ano, o que dava uma média de cinco por mês. Mas em 2011/2012 a média caiu para 39 unidades.

"Há aqui qualquer coisa no processo que não está a levar a que as USF que têm candidaturas activas entrem em funcionamento", declarou o MF de Cascais, remetendo respostas para o Ministério da Saúde ou para as administrações regionais de saúde.

Os organizadores do 5º Encontro Nacional das USF continuam a frisar as vantagens destes organismos: "um modelo centrado no cidadão e na micro-eficiência e assente num elevado grau de participação, transparência, discriminação positiva e responsabilização nas decisões". De tal modo que no encontro uma das questões debatidas foi o alargamento do modelo das USF aplicado a outras áreas sociais nos serviços públicos em Portugal.

"Há muitos estudos que provam vantagens ao nível do acesso, da racionalização da prescrição de medicamentos e de meios complementares, que apontam para menos desperdício e melhor utilização de recursos", lembrou André Biscaia.

Actualmente estão em funcionamento 357 USF que abrangem cerca de 4,5 milhões de utentes e onde trabalham mais de 6.900 profissionais.

 

 

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
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O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.