Excesso de peso e obesidade duplicam em crianças entre os 12 e os 36 meses
DATA
21/06/2013 07:05:39
AUTOR
Jornal Médico
Excesso de peso e obesidade duplicam em crianças entre os 12 e os 36 meses

Resultados podem ser explicados por vários factores, como o facto do leite de vaca ser introduzido por volta dos 12 meses de idade e os refrigerantes por volta dos 18

O estudo desenvolvido em parceria pela Escola Superior de Biotecnologia da Católica Porto (na imagem), pela Faculdade de Medicina (FMUP) e pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto analisou uma amostra constituída por mais de 2.000 crianças com idades compreendidas entre os 12 e os 36 meses de idade tendo revelado que 20 por cento das mães portuguesas na zona Norte introduz o leite de vaca demasiado cedo na alimentação das crianças, ou seja, antes dos 12 meses de idade

 

 

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A Escola Superior de Biotecnologia (ESB) do polo do Porto da Universidade Católica e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto apresentaram, há dias, os resultados preliminares do projecto "EPACI Portugal 2012 - Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento na Infância", das crianças da região norte do país. As conclusões revelam que os valores do excesso de peso e obesidade das crianças entre os 12 aos 36 meses de idade duplicam relativamente ao observado aos seis meses de vida. Este resultado pode ser explicado por vários factores, como o facto do leite de vaca ser introduzido por volta dos 12 meses de idade e os refrigerantes por volta dos 18. 21,2 por cento das crianças destas faixas etárias consumem refrigerantes - sem gás (18,5 por cento) e com gás (2,7 por cento) - numa base diária.

O estudo mostra igualmente que, durante o segundo e terceiro anos de vida, 10,7 por cento das crianças come sobremesas doces diariamente. A este nível, refira-se que os doces começam a fazer parte da diversificação alimentar, em média, aos 13 meses.

Os resultados apontam, também, para o facto de - entre os 12 e os 36 meses - 31,4 por cento das crianças nunca terem provado cereais de pequeno-almoço, apenas 56 por cento terem ingerido peixe diariamente e 12,2 por cento nunca terem comido vegetais no prato. De salientar que a idade média de início de consumo de carne e peixe se situa nos seis e oito meses, respectivamente.

Segundo Carla Rêgo, coordenadora do projeto, "a obesidade é, actualmente, um dos problemas de saúde que mais afecta a população e cada vez mais cedo". "A obesidade infantil é já encarada como um problema de saúde pública, estando associada a um aumento da probabilidade de se desenvolver obesidade na idade adulta e levando a perturbações no sono, problemas ortopédicos, distúrbios gastrointestinais e, a longo prazo, doença cardiovascular e diabetes", acrescenta a responsável.

 

Estudo pioneiro a nível europeu

O estudo - que analisou uma amostra constituída por mais de 2.000 crianças com idades compreendidas entre os 12 e os 36 meses de idade - revela, ainda, que 20 por cento das mães portuguesas na zona Norte introduz o leite de vaca demasiado cedo na alimentação das crianças, ou seja, antes dos 12 meses. O estudo foi desenvolvido em parceria pela Escola Superior de Biotecnologia da Católica Porto, pela Faculdade de Medicina (FMUP) e pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, com o patrocínio da Milupa. Conta, igualmente, com o apoio da Direção Geral de Saúde e das administrações regionais de saúde.  

Trata-se de um projecto pioneiro, uma vez que não existem, quer em Portugal quer na Europa, dados relativos às áreas avaliadas, ou seja, ao perfil de crescimento e comportamento alimentar nas crianças até aos três anos de idade. Os resultados nacionais do "EPACI Portugal 2012 - Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento na Infância" são divulgados em setembro.

 

 

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Editorial | Conceição Outeirinho
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O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.