Saúde Infantil e Juvenil vai incluir eBoletim
DATA
21/06/2013 07:59:31
AUTOR
Jornal Médico
Saúde Infantil e Juvenil vai incluir eBoletim

O uso dos eBoletins apresenta diversas vantagens. "Além de ser mais fácil a sua utilização, permite o acesso simplificado à informação. A sua disponibilização na rede de internet inclui a utilização de sistemas inteligentes e automáticos de alerta

Versão integral apenas disponível na edição impressa

 

A Direção-Geral da Saúde apresentou há dias, em Lisboa, o novo Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil (PSIJ), de onde se destaca o eBoletim Saúde Infantil e Juvenil, uma versão digital do PSIJ, que vem permitir que mães, pais e outros cuidadores de crianças nascidas a partir de Junho de 2013, optem por esta alternativa, em vez do tradicional modelo em suporte de papel.

De acordo com Francisco George, Director-Geral da Saúde, O uso dos eBoletins apresenta diversas vantagens. "Além de ser mais fácil a sua utilização, permite o acesso simplificado à informação. A sua disponibilização na rede de internet inclui a utilização de sistemas inteligentes e automáticos de alerta, que permitem transmitir informações importantes, quer aos utentes, quer aos profissionais, sobre marcações de consulta, reforço de vacinas, realização de exames clínicos, entre outros".

Por exemplo, no caso de um bebé de meses, os pais serão avisados por e-mail sempre que estiver programada uma consulta e no período entre consultas receberão informação de saúde respeitante à etapa de desenvolvimento do seu filho.

A entrada em vigor bem como a distribuição dos novos boletins, a respetiva distribuição e o uso do eBoletim serão efetuadas de forma gradual, prevendo a DGS que o processo esteja concluído até ao final de 2013, ao nível dos cuidados de saúde primários e em 2014 na vertente hospitalar.

 

As novidades do novo PSIJ

Para além do eBoletim, o novo PNSIJ introduz outras novidades relativamente à versão até aqui em vigor.

Desde logo, a alteração na cronologia e no número das consultas referentes a idades-chave do plano de vigilância da Consulta de Saúde Infantil e Juvenil, que passarão das actuais 17 para 18.

Estas consultas serão harmonizadas com o programa nacional de vacinação, de forma a reduzir o número de deslocações aos serviços de saúde, e com acontecimentos importantes na vida do bebé, da criança ou do adolescente, tais como as etapas do desenvolvimento físico, psicomotor, cognitivo e emocional, a socialização, a alimentação e a escolaridade.

Na apresentação do novo PNSIJ, a DGS destacou a consulta dos 5 anos, que tem como finalidade avaliar a existência de competências para o início da aprendizagem, a dos 6/7 anos, para detectar precocemente dificuldades específicas de aprendizagem, e a dos 10 anos, que visa preparar o início da puberdade e a entrada para o 5.º ano de escolaridade.

Outra novidade do novo PMSIJ é a adoção de novas curvas-padrão de crescimento preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reconhecidamente mais consentâneas com as características da população portuguesa.

Com a entrada em vigor do novo PNSIJ, haverá um reforço significativo da importância das questões relacionadas com o desenvolvimento infantil, das perturbações emocionais e do comportamento e dos maus tratos e a introdução de novos textos de apoio, de novos anexos e de links para diversos documentos online, de forma a facilitar o acesso à informação sobre as várias matérias e à articulação com outros programas e projetos relevantes em matéria de saúde infantil e juvenil, nacionais e internacionais.

De acordo com a DGS, com vista a uma correcta operacionalização do PNSIJ, "os sistemas informáticos de apoio ao médico e ao enfermeiro sofreram uma indispensável e inovadora adaptação que permitiu a criação de um sistema único de registo de dados e informações acessível a estes dois profissionais da equipa de vigilância de saúde e que favorece a complementaridade nas intervenções, a rentabilização de recursos humanos e evita a duplicação de registos em dois sistemas isolados", informa o organismo liderado por Francisco George em comunicado.

Com o objectivo de familiarizar os profissionais a nível nacional com as alterações introduzidas, têm vindo a ser desenvolvidas múltiplas sessões de informação e de formação de modo a facilitar a implementação nacional do PSNIJ 2013, quer a nível dos cuidados primários, quer a nível hospitalar.

 

Uma história de sucesso... com mais de duas décadas

O Programa Nacional de Vacinação e o Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil (PNSIJ), criado em 1992, foram decisivos para que Portugal tivesse alcançado os actuais indicadores da mortalidade infantil, que colocam o nosso país entre os melhores a nível mundial, pesem embora as desigualdades em saúde que subsistem, quando considerados diferentes grupos sociais.

Ao longo destes 21 anos, o PNSIJ tem sido objecto de atualizações periódicas, em função da evolução científica e da necessidade de desenvolver respostas mais adequadas a velhos e novos desafios que se colocam num mundo global e em constante mudança.

Do PNSIJ constam, de forma sintética, as principais linhas orientadoras de avaliação, monitorização e intervenção, que as equipas de profissionais devem observar no âmbito da promoção, prevenção, protecção e provisão de cuidados de saúde às crianças e aos adolescentes.

 

Francisco George alerta contra grupos antivacinação

Na sessão de apresentação do programa para a saúde infantil e juvenil, o ministro da Saúde e o diretor-geral da Saúde defenderam o cumprimento do PNV e alertaram para os grupos antivacinação. "Está a ser revisto e avizinham-se mudanças para maior protecção das crianças e que não podem ser adiadas", disse o diretor-geral da Saúde, Francisco George. Uma das vacinas será a da meningite B.

Por seu lado, Paulo Macedo defendeu que "o boletim eletrónico vai permitir um acompanhamento muito melhor da saúde da criança por parte dos pais, com alertas sobre as consultas e vacinas". O reforço da vacinação " é uma aposta do Ministério da Saúde e da Direção-Geral da Saúde. O plano nacional deve ser cumprido para proteger a saúde das crianças", disse o Ministro

Na mesma sessão, Francisco George alertou para o aparecimento de grupos antivacinas. "É muito provável que esteja relacionado com o desaparecimento de algumas doenças. Não vemos crianças com sarampo e isso faz com que alguns pais não dêem importância à vacina. Ainda temos taxas de cobertura muito altas, mas não queremos que sejam reduzidas por causa desses movimentos", referiu, salientando que é a saúde de todos que fica em risco, pois desce a imunização de grupo.

 

 

 

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro

O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.