A despesa em Saúde está comprometida
DATA
21/06/2013 08:06:51
AUTOR
Jornal Médico
A despesa em Saúde está comprometida

"O nosso Estado não tem dinheiro para comprar um pirulito. Temos a despesa em Saúde comprometida". Quem o diz é António Ferreira, médico e presidente do conselho de administração do Hospital de São João, no Porto

Versão integral apenas disponível na edição impressa

"O SNS é sempre deficitário porque todos os anos há orçamentos rectificativos para tapar buracos. O nosso Estado não tem dinheiro para comprar um pirulito. Temos a despesa em Saúde comprometida". Quem o diz é António Ferreira, médico e presidente do conselho de administração do Hospital de São João, no Porto.

A denúncia foi feita no X Fórum Saúde, iniciativa do Diário Económico e deixou desconcertada muitos dos participantes, que enchiam por completo o auditório do Pestana Palace Hotel, em Lisboa.  

E as coisas tendem a piorar, garante: se nada for feito, até 2018 a despesa total do São João aumentará 31%. Face a esta realidade, preconiza: "não há alternativa senão gastar o menos possível, termos processos que garantam a eficiência dos 'outputs' que depois se transformem em 'outcomes' na saúde das populações".

É precisa uma reforma profunda do serviço nacional de saúde e ela passa, inevitavelmente pelo encerramento de maternidades e urgências nos casos em que há um excesso de oferta. "Temos de ter coragem para avançarmos para a concorrência entre sector público e privado", para uma "reforma dos recursos humanos da saúde a nível das leis laborais", para a "criação de um formulário nacional de medicamentos" e para "acabar com concursos públicos que são promotores da corrupção, passando para as compras auditadas", preconizou para logo acrescentar: tudo isto "sustentado pela equidade e pela transparência".

O Administrador do São João denunciou, ainda, a iniquidade na distribuição do dinheiro público na área da Saúde: "Enquanto um cidadão do Algarve tem direito a 830 euros, na região de Lisboa e Vale do Tejo esse valor ultrapassa os mil euros", exemplificou. "Não temos qualquer competência para dar valor ao dinheiro. E assim não há forma de gerir a Saúde", garante António Ferreira.

 

 

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro

O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.