É preciso acabar com os mitos que impedem a mudança na Saúde
DATA
21/06/2013 08:14:43
AUTOR
Jornal Médico
É preciso acabar com os mitos que impedem a mudança na Saúde

"A ideia de que a liberdade de escolha é passar doentes do sector público para o sector privado não é verdadeira", garante o membro do conselho científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos

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O coordenador do estudo para a reforma hospitalar encomendado pelo Governo garante que é possível garantas para que isso aconteça, é imprescindível fazer cair os grandes mitos que hoje contaminam o sector e que impedem qualquer mudança.

São cinco ao todo, contabiliza José Mendes Ribeiro.

Desde logo, a ideia enraizada na cabeça de muitos, de que se se der liberdade aos utentes para escolherem onde querem ser tratados o serviço nacional de saúde entra em colapso. "A ideia de que a liberdade de escolha é passar doentes do sector público para o sector privado não é verdadeira", garante o membro do conselho científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Pelo contrário, criar concorrência e competição entre os dois sectores é a melhor forma de alcançar competência e qualidade dos cuidados. "A ADSE dá liberdade às pessoas para escolherem o prestador de cuidados e isso permite ter custos mais baixos", exemplifica. Segundo Mendes Ribeiro, um doente do SNS custou ao Estado 952 euros em 2011, enquanto que na ADSE esse custo foi de 876 euros. 

O segundo mito que povoa a Saúde e que importa desmascarar, segundo Mendes Ribeiro, é o de que os privados não são parceiros fiáveis para gerir hospitais públicos. 

 Para desmontar este mito, Mendes Ribeiro recordou o recente relatório de benchmarking' dos hospitais divulgado pela Administração Central do Sistema de Saúde, que mostra que o Hospital de Braga - uma parceria público-privada do grupo José de Mello Saúde - se classificou como o hospital mais eficiente dentro do grupo de unidades com características semelhantes. 

O terceiro mito apontado pelo especialista, é o de que apenas os privados precisam de regulação, já que existe a convicção de que o sector público cumpre a lei. Nada mais falso, denuncia Mendes Ribeiro: o SNS também precisa de ser regulado. Por exemplo, apontou, no que toca a licenciamentos.

Outros dos mitos que marcam a percepção colectiva relativamente ao SNS é a de que existe equidade no acesso dentro do SNS. Ora, diz Mendes Ribeiro, a análise que esteve na base do estudo para reforma hospitalar mostrou um país assimétrico no que respeita ao acesso aos cuidados de saúde. "Nas várias regiões do país encontramos uma grande iniquidade no acesso. Algumas regiões têm uma oferta de cuidados maior e melhor capacidade de gerir a procura".

E depois... Denuncia, também há falta de equidade no financiamento, o quinto mito identificado por Mendes Ribeiro: "Não atribuímos os mesmos recursos financeiros a todas as regiões do pais". 

 Só desmistificando estas cinco ideias é possível reconverter o sistema de saúde através de uma nova abordagem das funções do Estado. "O ministério deve ser o grande regulador do sistema de saúde e não do Serviço Nacional de Saúde", acredita Mendes Ribeiro. E avança mesmo com a sugestão de que seja criado um instituto financeiro da saúde, que integre o SNS e a ADSE. Assim seria possível separar a entidade financiadora da prestadora, defende. 

 

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