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Clínica diabetológica atendeu 18 mil doentes em 2012
DATA
10/09/2013 09:02:27
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Jornal Médico
Clínica diabetológica atendeu 18 mil doentes em 2012

Se o associativismo é o alicerce da APDP, a clínica diabetológica é a sua fachada principal. Com um modelo de prestação de cuidados único e extremamente diferenciado, a Clínica Diabetológica da APDP realizou, em 2012, mais de 50 mil consultas médicas envolvendo diversas especialidades, tendo sido observados mais de 18 mil doentes

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"Uma parceira forte e antiga do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com um enorme volume de actividade e uma prestação muito diferenciada de cuidados na área da diabetes". É desta forma que o director clínico da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), João Filipe Raposo, descreve aquele que é, provavelmente, o mais conhecido cartão-de-visita da APDP em Portugal e no mundo: a clínica diabetológica.

"A nossa clínica de diabetes é, não só uma das maiores a nível europeu e mundial, como também apresenta uma filosofia de prestação de cuidados completamente diferente de qualquer consulta de diabetes existente no país ou no estrangeiro", explicou o responsável, em entrevista ao nosso jornal.

De facto, a estrutura física da clínica diabetológica da APDP está totalmente direccionada para a pessoa com diabetes nas diversas vertentes da doença e áreas de especialidade em que estes doentes necessitam de cuidados: em diabetologia, oftalmologia, cardiologia, psiquiatria, podologia, pré-concepção, nefrologia, entre outras. "Todas as áreas que de algum modo podem estar afectadas pela diabetes estão aqui garantidas, com apoio de consultas e de meios complementares de diagnóstico, de modo a que a pessoa veja resolvidas as suas necessidades e não seja compartimentada pelas várias consultas de especialidade, com todo o prejuízo que daí advém - o que acontece nos hospitais, com os tempos de espera que são conhecidos e com alguma perda de informação que por vezes sucede", aponta João Filipe Raposo.

Na APDP, a integração e a continuidade de cuidados é uma garantia, com ganhos de saúde significativos e imediatos para os utentes, diz o responsável. "Possuímos um sistema informático desenhado pela casa, para que a informação não se perca e para que a decisão possa ser partilhada e comunicada entre todos os profissionais que acompanham o doente aqui na associação", acrescenta.

 

Clínica não é só para associados

E são muitos os profissionais que trabalham na APDP... Ao todo - entre médicos, enfermeiros, dietistas/nutricionistas, psicólogos, técnicos de diagnóstico e terapêutica (na área da Cardiologia e da Oftalmologia), auxiliares e secretariado - são cerca de 140.

Isto porque a procura também é elevada... No ano passado, a clínica diabetológica da APDP realizou cerca de 50 mil consultas, tendo sido observados mais de 18 mil doentes. João Filipe Raposo salienta que "as consultas na APDP estão abertas a todas as pessoas que necessitem dos serviços clínicos na área da diabetes, mesmo as que não são associadas, podendo ser referenciadas pelo SNS, subsistemas de saúde, seguros de saúde ou mesmo que venham a título particular".

De acordo com o director clínico da instituição, o perfil do utente da APDP divide-se de acordo com a tipologia da doença: "temos cerca de 3.800 pessoas com diabetes de tipo 1, dos quais 700 são crianças e jovens até aos 21 anos. A restante população apresenta diabetes de tipo 2, e é habitualmente acompanhada nos cuidados de saúde primários (CSP), pelo seu médico de família (MF), que são, o local e o profissional apropriados para fazer este acompanhamento", explicou ao nosso jornal o director clínico da APDP, sublinhando que "apenas são referenciados para a clínica diabetológica da associação casos com mais anos de evolução, com pior grau de compensação ou com aparecimento de complicações e em que o MF reconhece que a APDP pode ter um papel na melhoria do controlo, na optimização da terapêutica ou na correcção dessas complicações".

 

A clínica em números

As consultas são uma das mais-valias da APDP que, só no ano passado, realizou 50.335 consultas médicas das diversas especialidades, tendo observado um total de 18.787 doentes. Na área da Diabetologia foram observadas e orientadas 14.118 pessoas com diabetes, das quais 3.424 recorreram pela primeira vez à APDP. No total, foram efectuadas 27.883 consultas de diabetologia na associação.

A especialidade de podologia, uma das que mais cresceu em 2012, acompanhou 7.565 doentes que apresentavam lesões relacionadas com o pé diabético. Neste âmbito, o serviço de apoio domiciliário semanal assistiu 35 doentes num total de 170 domicílios. A área da Podologia somou, assim, 10.859 consultas, 16.485 actos terapêuticos ao pé diabético e 2.107 avaliações do risco de pé diabético no ano passado.

Em oftalmologia foram consultadas 12.185 pessoas, tendo sido assistidos com tratamento por fotocoagulação laser 1.117 pessoas com diabetes. Foram ainda contabilizadas 14.724 consultas de oftalmologia, 6.418 avaliações periódicas de utentes seguidos em consultas de diabetologia e 1.360 cirurgias. A APDP foi ainda responsável pelo rastreio da retinopatia diabética a cerca de 30 mil pessoas nas unidades prestadoras de CSP na região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo (LVT). De acordo com João Filipe Raposo, esta é "uma área crucial" e através deste protocolo para a realização de um rastreio de base populacional, sistemática e anual em dois agrupamentos de centros de saúde (ACES) da Administração Regional de Saúde (ARS) de LVT "conseguimos que um número significativo de pessoas sejam submetidas a este programa de rastreio, com o mínimo de incómodo e sem sobrecarga para o SNS, nomeadamente para as consultas de oftalmologia, que sabemos que estão altamente sobrecarregadas".

Por seu turno, o departamento de análises clínicas da associação realizou 235.815 análises, em 2012, ao passo que em cardiologia foram observados 3.885 doentes para orientação de patologias relacionadas com o foro cardiológico. Ainda no ano passado, as restantes especialidades (urologia, saúde reprodutiva, saúde mental, nefrologia e imagiologia) deram assistência e encaminharam mais de duas mil pessoas.

 

 

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