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Formação contribui para bons resultados e reconhecimento
DATA
24/09/2013 06:55:55
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Jornal Médico
Formação contribui para bons resultados e reconhecimento

A par da actividade clínica e assistencial, a APDP é pioneira na formação e educação de pessoas com diabetes, desenvolvendo uma forte componente formativa interna e externa com cursos para profissionais de saúde, doentes e familiares

 

Uma das principais prioridades da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) desde a sua fundação, há 87 anos, tem sido a formação na área da diabetes, quer dos doentes, quer dos profissionais de saúde.

"Desde muito cedo que se percebeu que o tratamento da diabetes passava por muito mais do que dar insulina aos doentes... Era fundamental educá-los e essa sempre foi uma tradição desta casa", explica o director clínico da associação, João Filipe Raposo, para logo acrescentar: "educar os doentes é muito mais do que transmitir informação às pessoas. É torná-las activas na gestão da sua diabetes. Para isso, a APDP criou grupos de ajuda para doentes e seus familiares que, a partir dos anos 70, evoluíram para cursos estruturados de educação".

Assim, para além da actividade clínica e assistencial, a APDP desenvolve uma forte componente formativa com cursos de formação em diabetes para doentes e familiares e também para médicos, enfermeiros, técnicos de saúde na área da podologia, formação pedagógica de formadores e cursos avançados de nutrição, adianta aquele responsável.

Dentro da mesma orientação e "com acentuada componente educativa, desportiva e lúdica", realizam-se cursos para pessoas com diabetes e campos de férias para jovens com diabetes. Há ainda a revista trimestral, iniciada em 1931 e denominada Diabetes - Viver em Equilíbrio, que pretende ser o elo de ligação entre a APDP e todos os sócios, sejam eles pessoas com diabetes, técnicos de saúde ou leigos (ver caixa), destaca João Filipe Raposo.

 

Vários níveis de formação

A parceria da APDP com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) ganha especial relevo na área da formação. "Historicamente, a APDP sempre recebeu profissionais do SNS para estágios", sublinha o director clínico, adiantando que "para além disso, temos os programas de formação estruturados, com três níveis de formação: inicial, que consiste num curso de três dias destinado a médicos, enfermeiros e farmacêuticos; intermédia, com cursos modulares sobre as várias áreas específicas dentro da diabetes e; avançada, para quem já tenha experiência profissional e queira diferenciar-se e sedimentar um pouco mais os seus conhecimentos na área da diabetes".

Os alunos das cadeiras de Saúde Pública e Introdução à Clínica da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, bem como os do último ano do mestrado da Faculdade de Medicina da Universidade do Algarve, também têm sido recebidos na sede da associação para a realização de estágios, onde ficam a conhecer este modelo pioneiro de prestação de cuidados à pessoa com diabetes.

A APDP desenvolve ainda um curso pós-graduado, "para quem pretenda evoluir na dimensão académica". Trata-se de uma pós-graduação em diabetes, através de uma parceria com o Instituto de Higiene e de Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa.

Para além das instalações na capital - a sede, na Rua do Salitre e a Escola da Diabetes, junto ao Largo do Rato -, existe um polo de formação em Matosinhos. A APDP também desencadeia acções formativas a pedido das administrações regionais de saúde, em agrupamentos de centros de saúde, procurando assim responder às necessidades locais de cada uma destas instituições.

A intervenção directa em escolas é outro dos alvos de educação/formação da associação, através de uma parceria com o núcleo de jovens da APDP. Este trabalho pretende informar/sensibilizar alunos, professores e auxiliares educativos para as questões da diabetes, procurando também desta forma evitar casos de discriminação.

Este modelo de actuação da APDP, em que a formação desempenha um papel incontornável, é pioneiro e apresenta características únicas a nível mundial, "tendo já demonstrado - ao contrário do que se previa - que é um modelo poupador de recursos económicos, com eficiência significativa face aos cuidados hospitalares", sublinha João Filipe Raposo, congratulando-se com o facto de a actividade da APDP já ter merecido reconhecimento nacional e internacional, através da atribuição de prémios (Hospital do Futuro, Medalha de Ouro do Ministério da Saúde) e acreditações (OMS/Parlamento Europeu).

 

 

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