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Futuro e sustentabilidade da Saúde mereceram destaque
DATA
24/09/2013 07:17:02
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Jornal Médico
Futuro e sustentabilidade da Saúde mereceram destaque

No passado dia 14 de Setembro, a AbbVie organizou uma conferência, com o intuito de promover a discussão em torno da sustentabilidade da saúde e o impacto de soluções inovadoras e das novas tecnologias aplicadas ao sector

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A capacitação do doente, o impacto da adesão à terapêutica, os avanços tecnológicos na saúde, o desafio demográfico e a sustentabilidade do sector foram os temas dominantes da conferência Há Dez Anos a Construir o Futuro, promovida pela farmacêutica AbbVie, que contou com a participação de especialistas do sector, como o gestor Adalberto Campos Fernandes, a ex-Alta-Comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, a professora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Ana Escoval, bem como do jornalista de economia, Camilo Lourenço.

Foram ainda chamadas a participar no debate a sociedades portuguesas de Dermatologia e Venereologia (SPDV), Gastrenterologia (SPG), Reumatologia (SPR) e Medicina Interna (SPMI), num reforço da importância das parcerias com todos os protagonistas do sector em prol de soluções que permitam a sustentabilidade da Saúde em Portugal.

Para a presidente da SPR, Vivina Tavares, "o SNS está a precisar de uma terapêutica inovadora". Na construção de um modelo futuro da saúde em Portugal, salientou a responsável, "as sociedades médicas têm um papel particularmente importante na medida em que podem ajudar a perceber quais as alternativas mais válidas para, de uma forma equitativa, avançarmos face aos constrangimentos pungentes".

 

(In)sustentabilidade financeira e ética?

Questionado por Adalberto Campos Fernandes sobre se o SNS sofre o perigo de, para além de financeiramente, ser eticamente insustentável, o presidente da SPMI, Faustino Ferreira, afirmou que esse risco existe, reforçando a importância de se envolverem os cidadãos no debate e de informá-los devidamente para que, em conjunto com todos os agentes do sector, "possamos tomar as opções difíceis e encontrar saídas inteligentes para os desafios actuais".

Na sessão sobre Sustentabilidade da saúde e o desafio demográfico, Ana Escoval partilhou algumas ideias sobre o modelo de financiamento da Saúde, lembrando que o mercado da Saúde tem características muito diferentes dos restantes mercados e defendendo que "não é no momento de acesso aos cuidados, isto é, na altura em que a pessoa mais precisa, que devem ser imputados custos ao cidadão".

A professora da ENSP citou dados recentes da OCDE para sublinhar que "o governo português já cortou o dobro do que o recomendado pela troika no sector da saúde". E apontou o exemplo da Irlanda, país que também está a receber ajuda externa, mas cujo orçamento da Saúde foi protegido nas negociações com o Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. Para a especialista em economia de saúde, "não há soluções mágicas" para garantir a sustentabilidade do sistema de saúde. Mas, uma coisa é certa... O governo não poderá ignorar o desafio demográfico decorrente do envelhecimento populacional e do crescente índice de dependência dos idosos.

 

Doente 360º: trabalhar a literacia em saúde

Com o envelhecimento populacional a ser a tendência demográfica dominante, as doenças crónicas apresentam-se como uma prioridade a gerir nos sistemas de saúde.

A este respeito, a directora clínica do departamento de Pediatria do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), Maria do Céu Machado, salientou que, na doença crónica, complexa e de longa duração, o doente tem que ser um verdadeiro parceiro. Para tal, o desenvolvimento de conceitos como os da literacia em saúde (produção e partilha de informação/conhecimento) e da capacitação (que já contempla uma bilateralidade) é crucial. Igualmente essencial é a prática de uma "medicina compreensiva, de proximidade e de oportunidade".

Ainda no plano da doença crónica, a ex-Alta-Comissária da Saúde apontou o exemplo da Plataforma de Dados em Saúde como uma ferramenta de gestão inovadora, mas lamentou que "as reformas dos serviços de saúde em Portugal não estejam a acompanhar esta tentativa de gestão da doença crónica".

 

 

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