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Portugal em contraciclo desde 2010
DATA
24/09/2013 07:25:06
AUTOR
Jornal Médico
Portugal em contraciclo desde 2010

Muito embora não exista evidência de que existe uma relação directa entre a situação de crise que o país atravessa e a evolução dos indicadores de saúde, a verdade é os números têm vindo a piorar ano após ano em algumas áreas-chave

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Muito embora não exista evidência de que existe uma relação directa entre a situação de crise que o país atravessa e a evolução dos indicadores de saúde, a verdade é os números têm vindo a piorar ano após ano em algumas áreas-chave. 

Desde logo a taxa de mortalidade infantil, que em Portugal tem vindo a aumentar desde 2010, tendo-se fixado, em 2012, em 3,4 mortes por mil nados-vivos. Um valor ainda assim muito positivo, se se tiver em conta que em 2011 (últimos dados disponíveis) a média da União Europeia para o mesmo indicador era de 3,9 mortes por mil nados-vivos (5,5 em 2001) de acordo com dados do Relatório sobre Iniquidades em Saúde na União Europeia, divulgado pela Comissão presidida por Durão Barroso, no passado dia 9.

No documento, surge ainda a informação de que a região de Lisboa e Vale do Tejo é que regista a taxa mais elevada, que segundo os dados de Bruxelas variarão entre os 3,3 e os 3,9 mortos por mil nados-vivos. Um valor muito elevado, quando comparado com o registado no Algarve, que na estatística europeia surge no "quadro de Honra", com uns impressionantemente escassos 1,9 óbitos por mil nados-vivos.

Regressando ao todo europeu, nos dois extremos da tabela, neste indicador, encontram-se a Roménia, com 9,4 (em 2001 a taxa era de 18,4) e a Suécia, com 2,1 (3,7 em 2001).  

Refira-se que em toda a União Europeia a taxa de mortalidade infantil tem registado uma evolução muito positiva. Entre 2001 e 2012, alguns países conseguiram mesmo resultados extraordinários neste indicador. No topo da tabela está a Estónia, que conseguiu reduzir a mortalidade em 71,6%, logo seguida pela Roménia, que registou uma redução de 48,9%.

No documento, é referido ainda que a diferença entre os valores máximos e mínimos registados entre os 27 Estados-Membros neste indicador diminuiu no mesmo período. Em 2001, o valor mais elevado foi de 18,4/1000 (Roménia) e o menor de 3,2/1000 (Holanda), ou seja, uma diferença de 15,2 mortes por mil nados-vivos. Uma diferença reduzida para 7,3 por mil habitantes em 2011. Dito de outro modo, em 2001, o risco de uma criança morrer com idade inferior a um ano era quase seis vezes maior na Roménia do que na Holanda. Já quando se compara a situação em 2011, esse risco diminui entre realidades extremas para pouco mais de 4 vezes.

Um outro indicador que também regista uma evolução negativa é o do número de total de óbitos, que em 2013 atingiu os 107.586, o mais elevado da última década. Um valor particularmente alarmante, se se tiver em conta que o número de nascimentos também tem vindo a "cair" situando-se, em 2012, nos 89.841 nados-vivos. Contas feitas, apura-se um saldo negativo de quase 18 mil nascimentos.

As notícias também não são animadoras, quando o que está em causa é esperança de vida saudável, em que o nosso país ocupava, em 2011 a 22ª posição entre os 27 estados-membros considerados no relatório (a Croácia não foi incluída).

Nesse ano, os homens portugueses podiam aspirar a 60,7 anos de vida saudável e as mulheres a 58,7 anos. Valores abaixo dos da médica europeia que foram, no mesmo ano, de 61,8 e 62,2 anos, respectivamente.

Neste indicador, os suecos são, uma vez mais, os melhor posicionados, com uma esperança de vida de 71,1 anos, muito maior do que a alcançada pelos pior classificados, os Eslovacos, cuja esperança de vida sem doenças não vai além dos 52,1 anos. No caso das mulheres, é Malta quem sobe ao pódio com uma média de 70,7 anos de esperança de vida saudável. No outro extremo da lista, novamente a Eslováquia, com 52,3 anos.

Feitas as contas aos extremos, verifica-se que a diferença máxima registada no que toca à esperança de vida saudável nos homens foi de 19 anos. No caso das mulheres, essa diferença ficou-se pelos 18,4 anos.

De acordo com o relatório, estas diferenças ficam a dever-se, sobretudo às diferenças nas "condições de vida e factores como o rendimento, níveis de desemprego e de educação". O documento informa ainda terem sido encontrados "muitos exemplos de associações entre factores de risco para a saúde, incluindo o tabaco e a obesidade, e circunstâncias sócio-económicas".

 

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