Transplantes vão fazer parte dos contratos com hospitais
DATA
09/10/2013 11:59:16
AUTOR
Jornal Médico
Transplantes vão fazer parte dos contratos com hospitais

O Ministério da Saúde vai incluir os transplantes nos contratos programa que faz com os hospitais e que garantem o financiamento das unidades

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O Ministério da Saúde vai incluir os transplantes nos contratos programa que faz com os hospitais e que garantem o financiamento das unidades, divulgou o Diário de Notícias.

Segundo informações recolhidas pelo jornal, a medida faz parte de um leque de iniciativas que o Governo está a estudar para responder às recomendações do grupo de trabalho que avaliou os motivos do decréscimo da colheita de órgãos e transplantes. Entre elas estava o alargamento das unidades que fazem estas cirurgias e já há privados interessados.

"A proposta de contratualização irá incluir dados referentes a transplantações. O financiamento será feito, por ora, pela actividade desenvolvida, embora, como acontece desde há anos, haverá a fixação de metas contratuais para cada centro de transplantação. Para os centros de colheita a atitude deverá ser a de incentivar que equipas locais procedam às colheitas, quando possível", revelou ao DN o secretário de Estado da Saúde, Fernando Leal da Costa.

Segundo o DN, a medida visa responder às recomendações feitas pelo grupo de trabalho criado pelo Governo para analisar os motivos do decréscimo dos transplantes. Entre os motivos apontados pelas unidades estavam a falta de formação, de camas, necessidade de maior sensibilidade para a área e também a questão dos incentivos.

O ministério está a estudar o modelo, mas ainda não há valores definidos. "Para já a prioridade é compensar os hospitais que colhem mais e mantêm os dadores cadavéricos em condições de serem dadores", adiantou Fernando Leal da Costa, acrescentando que os dados da transplantação deverão passar a fazer parte do sistema de monitorização que compara os diferentes hospitais e que já "estão a decorrer auditorias aos gabinetes de colheita.

Entre as propostas estava também o alargamento da rede de recolha de órgãos e de unidades a fazer transplantes. "Posso dizer que há hospitais privados interessados em fazer transplantações de órgãos", referiu o secretário de estado.

 O Ministério está a promover acções de sensibilização juntos dos profissionais e administradores, ao mesmo tempo que está a estudar a descentralização do seguimento dos doentes transplantados e o sistema de monitorização do tempo de espera para transplante que poderá ser o mesmo usado para as listas de espera para cirurgias.

 Estão também a fazer uma revisão dos seguros que protegem os dados vivos. Uma solução, sobretudo na área renal.

 "Entre Janeiro e Agosto, de 2013, efectuaram-se 499 transplantações, contra 494 em 2012, em igual período de oito meses. Em termos de transplantação renal com dador vivo houve aumento de 22, em 2012, para 31 este ano. Globalmente acreditamos que embora com alguma sazonalidade estamos num período em que parece ter sido invertida a tendência de descida e se espera que com as medidas apontadas já em curso se possa voltar a melhorar", salientou Leal da Costa ao DN.

 

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Editorial | Conceição Outeirinho
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O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.