Município assina protocolo para produção de morfina
DATA
07/11/2013 23:09:50
AUTOR
Jornal Médico
Município assina protocolo para produção de morfina

A Câmara de Beja vai assinar, um protocolo com uma empresa escocesa para a produção de morfina para fins medicinais

A Câmara de Beja vai assinar, em breve, um protocolo com uma empresa escocesa ligada à indústria farmacêutica para criar condições para instalação no concelho de uma fábrica de produção de morfina para fins medicinais, foi hoje anunciado.

O protocolo, que foi aprovado na última reunião da Câmara de Beja, deverá ser assinado "em breve" entre o município e a Macfarlan Smith e pretende "criar as condições necessárias para viabilizar a instalação da fábrica no concelho", disse hoje à agência Lusa o vereador da autarquia Manuel Oliveira.

A fábrica, que o autarca considerou um "investimento estratégico" para Beja, está prevista no projecto da Macfarlan Smith de plantação de papoila no Alentejo e deverá implicar um investimento de cerca de 20 milhões de euros, a concretizar em 10 anos, e permitir criar 30 postos de trabalho directos.

A Macfarlan Smith, através de agricultores de vários concelhos da área de influência do Alqueva, começou este ano a plantação industrial de papoila, no Alentejo, para produção de morfina para fins medicinais.

A empresa já tem um escritório em Beja e está à procura de um terreno para instalar a fábrica, a qual, numa primeira fase, irá servir para armazenar e tratar as papoilas (separar as sementes do resto da palha da planta) e, numa segunda fase, extrair a morfina, explicou Manuel Oliveira, vereador da gestão comunista da autarquia.

Através do protocolo, a câmara compromete-se a vender um terreno junto ao Aeródromo Municipal de Beja para a instalação da fábrica e construir infra-estruturas para ligar a unidade à rede de águas e saneamento da cidade, num investimento de 300 mil euros a ser concretizado pela Empresa Municipal de Água e Saneamento de Beja.

Num comunicado enviado à Lusa, os vereadores da oposição PS da Câmara de Beja manifestaram-se satisfeitos com a aprovação do protocolo, que estava a ser "negociado", há cerca de um ano, entre o anterior executivo socialista e a Macfarlan Smith e que poderá levar a realização de um "importante investimento".

O projecto da Macfarlan Smith de plantação de papoila no Alentejo decorre dos "resultados positivos das experiências desenvolvidas" pela empresa na região, nos últimos três anos, supervisionadas pelo Ministério da Agricultura, disse à Lusa fonte da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

No âmbito do projecto, licenciado pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) e que resulta de um memorando assinado entre a AICEP e a Macfarlan Smith, a empresa prevê cultivar 4.000 hectares de papoila em três anos e, dependendo do sucesso da colheita deste ano, admite instalar a fábrica no Alentejo.

O projecto em Portugal visa "complementar operações" da Macfarlan Smith no Reino Unido, para "assegurar a necessária capacidade de fornecimento de matéria-prima" (papoila) à unidade industrial da empresa em Edimburgo, na Escócia, disse a fonte da AICEP.

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos
As certezas enganadoras sobre os Outros

No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: