Alfândega da Fé: Câmara assegura transportes a 30 doentes oncológicos
DATA
10/01/2014 08:00:38
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Jornal Médico
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Alfândega da Fé: Câmara assegura transportes a 30 doentes oncológicos

[caption id="attachment_5686" align="alignleft" width="300"]bertanunes “Uma pessoas que tenha o salário mínimo, que tenha duas ou três pessoas no agregado familiar e que tem que ir uma vez por semana ao IPO ao Porto, gasta todo o dinheiro que receberia e depois não lhe sobra para mais nada e é impossível as pessoas arcarem com este tipo de custo”, frisou a médica, que foi dirigente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar[/caption]

A Câmara de Alfândega da Fé, no Distrito de Bragança, presidida pela médica de família Berta Nunes, está a assegurar transporte a perto de 30 doentes oncológicos nas deslocações de centenas de quilómetros para tratamentos e consultas que o Ministério da Saúde deixou de comparticipar.

Há dois meses que uma viatura e motorista da autarquia transportam duas a três vezes por semana estes doentes de Trás-os-Montes até ao Porto e Coimbra para receberem os cuidados médicos que não existem na região.

As alterações à comparticipação no transporte de doentes feitas pelo Ministério da Saúde cortaram o apoio a estes doentes, que não têm capacidade financeira para pagar do seu bolso despesas que podem ascender a 100 euros em cada viagem, como contou à Lusa a presidente da Câmara.

Embora não seja uma competência municipal, a autarca socialista, que é também médica de família, afirmou que a Câmara teve de assumir este serviço porque “não podia aceitar que as pessoas por problemas económicos deixassem de ter acesso a saúde em situações graves como é o caso destas doenças oncológicas, que podem até por em causa a vida dos doentes”.

Entre este grupo de doentes apoiados pelo município está um casal, ambos com cancro, que têm de se deslocar regularmente do extremo de Trás-os-Montes a Coimbra para tratamentos, exames e consultas.

“Estamos a falar de pessoas que muitas vezes até têm direito a transporte em ambulância, simplesmente da forma como neste momento os institutos e os hospitais estão a funcionar, mesmo pessoas que teriam direito não lhe é atribuído esse direito”, afirmou a autarca.

A maior parte destes doentes, segundo disse, são pessoas de meia-idade e seniores de famílias sem capacidade financeira para pagar transportes para grandes distâncias que “podem ficar em cerca de 100 euros” por cada deslocação.

“Uma pessoas que tenha o salário mínimo, que tenha duas ou três pessoas no agregado familiar e que tem que ir uma vez por semana ao IPO ao Porto, gasta todo o dinheiro que receberia e depois não lhe sobra para mais nada e é impossível as pessoas arcarem com este tipo de custo”, frisou a médica, que foi dirigente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

A presidente da Câmara insurge-se contra a legislação do transporte de doentes, argumentando que “quando se faz uma legislação como a que a foi feita e não se atende às distâncias que as pessoas têm que percorrer até ao local onde tem que ser tratadas” está-se “mais uma vez a onerar e a discriminar negativamente as pessoas que estão a maior distancia dos grandes centros e que são sempre as pessoas o interior”.

O transporte custa cerca de dois mil euros por mês à esta autarquia com dificuldades financeiras agravadas, segundo a presidente, pelos cortes nas transferências do Estado.

Berta Nunes contabiliza uma perda de “um milhão de euros por ano” desde 2010, “num contexto de cortes em que o próprio Estado está a retirar o apoio às pessoas e a obrigar as autarquias a substituí-lo”.

A presidente afirmou que tentará sensibilizar o ministro da Saúde para esta questão se Paulo Macedo aceitar o convite da Comunidade Intermunicipal (CIM) de Trás-os-Montes para estar presente na próxima reunião, no início de Fevereiro, para ouvir as preocupações dos autarcas transmontanos.

Um ano depois…
Editorial | Susete Simões
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Corria o ano de 2020. A Primavera estava a desabrochar e os dias mais quentes e longos convidavam a passeios nos jardins e nos parques, a convívios e desportos ao ar livre. Mas quando ela, de facto, chegou, a vida estava em suspenso e tudo o que era básico e que tínhamos como garantido, tinha fugido. Vimos a Primavera através de vidros, os amigos e familiares pelos ecrãs. As ruas desertas, as mensagens nas varandas, as escolas e parques infantis silenciosos. Faz agora um ano.

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