Relatório ERS sobre “Excelência Clínica”: maiores centros hospitalares fora da avaliação!
DATA
15/01/2014 16:20:50
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Jornal Médico
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Relatório ERS sobre “Excelência Clínica”: maiores centros hospitalares fora da avaliação!

[caption id="attachment_5759" align="alignleft" width="300"]hospitaldefaro Das unidades que integram o Centro Hospitalar do Algarve EPE, liderado pelo antigo Bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, apenas o Hospital de Faro foi submetido a avaliação, tendo as duas outras unidades que o integram – os hospitais de Lagos e de Portimão – “declinado a avaliação”, o que no guião fornecido pela ERS na sua página se traduz em “o prestador não forneceu os elementos necessários para avaliação”[/caption]

Da lista de 126 unidades dos cuidados secundários avaliadas pela Entidade Reguladora de Saúde (ERS) que cumprem critérios de qualidade em termos de excelência clínica, não consta a maioria dos maiores hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Mais: de entre os hospitais que conquistaram, de acordo com as notícias divulgadas, o almejado patamar qualitativo, a maioria só o conseguiu em menos de metade das áreas sujeitas a avaliação.

[caption id="attachment_5875" align="alignleft" width="300"]hospitalcurrycabral No Hospital de Curry Cabral, apenas as áreas da cirurgia de ambulatório, cuidados intensivos e ortopedia foram avaliadas como cumprindo todos os critérios de qualidade em termos de excelência. O mesmo aconteceu com os demais hospitais do CH de Lisboa Central. São José obteve nota máxima em cinco áreas, Santa Marta em quatro, Santo António dos Capuchos em cinco, D. Estefânia em três, e MAC com apenas quatro áreas das 14 avaliadas a obter a distinção “Excelência Clínica”.[/caption]

Começando pelo Sul… Das unidades que integram o Centro Hospitalar do Algarve EPE, liderado pelo antigo Bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, apenas o Hospital de Faro foi submetido a avaliação, tendo as duas outras unidades que o integram – os hospitais de Lagos e de Portimão – “declinado a avaliação”, o que no guião fornecido pela ERS na sua página se traduz em “o prestador não forneceu os elementos necessários para avaliação”. Refira-se que, no que respeita à única unidade avaliada – Faro – constatou-se que “o prestador cumpre com todos os parâmetros de qualidade exigidos” em 11 das 14 áreas avaliadas, feito raro, a nível nacional, na avaliação realizada pela ERS. Isto porque, no todo nacional, apenas uma unidade – o Hospital Eduardo Santos Silva, do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho – obteve nota máxima em todas as áreas de avaliação previstas.

[caption id="attachment_5873" align="alignleft" width="300"]hospitalsantamaria No maior hospital da capital, o de Santa Maria, foram avaliadas sete das 14 áreas que integram o SINAS, sem que no entanto tenha sido possível aferir, em nenhuma delas, o cumprimento de todos os parâmetros de qualidade exigidos. Nas demais dimensões avaliadas, que não a que permite aferir da excelência clínica, como a “Segurança do doente”, “Instalações e conforto”, Focalização no utente” e “Satisfação do utente”, os responsáveis da unidade declinaram a avaliação[/caption]

Ao contrário do que aconteceu no Algarve, o Centro Hospitalar de Lisboa Central – que inclui os Hospitais de Curry Cabral, São José, Santa Marta, Santo António dos Capuchos, D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa (MAC) – aceitou a avaliação. Mas, os resultados obtidos não permitem afirmar que aquelas unidades obtiveram nota “Excelente” em todas as 14 áreas avaliadas. De facto, informa o relatório da ERS, no Hospital de Curry Cabral, por exemplo, apenas as áreas da cirurgia de ambulatório, cuidados intensivos e ortopedia foram avaliadas como cumprindo todos os critérios de qualidade em termos de excelência clínica. O mesmo aconteceu com os demais hospitais deste centro hospitalar. São José obteve nota máxima em cinco áreas, Santa Marta em quatro, Santo António dos Capuchos em cinco, D. Estefânia em três, e MAC com apenas quatro áreas das 14 avaliadas a obter a distinção “Excelência Clínica”.

Santa Maria… Na penumbra

[caption id="attachment_5874" align="alignleft" width="300"]hospitalsantacruz No Hospital de Santa Cruz, das três áreas do universo de critérios que permitem determinar “Excelência Clínica” avaliadas pela ERS, em nenhuma delas foi possível atestar o cumprimento dos critérios estabelecidos no SINAS. Ainda assim, o hospital obteve nota positiva no que toca à vertente “Segurança do doente”, “Focalização no utente” e “Satisfação do utente”.[/caption]

No maior hospital da capital, o de Santa Maria, foram avaliadas sete das 14 áreas que integram o SINAS, sem que no entanto tenha sido possível aferir, em nenhuma delas, o cumprimento de todos os parâmetros de qualidade exigidos.

Nas demais dimensões avaliadas, que não a que permite aferir da excelência clínica, como a “Segurança do doente”, “Instalações e conforto”, Focalização no utente” e “Satisfação do utente”, os responsáveis da unidade declinaram a avaliação.

A mesma resposta obtiveram os técnicos da ERS relativamente ao Hospital Pulido Valente, no qual não foi possível, sequer, avaliar uma só área da vertente “Excelência Clínica”.

CH Lisboa Oriental… Sabe-se muito pouco!

Ainda pela capital, no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, a informação recolhida pela ERS foi também escassa. No Hospital de S. Francisco Xavier, foi possível aferir a excelência clínica de nove das 14 áreas previstas pelo SINAS. A segurança do doente, outra das vertentes avaliadas, também obteve nota máxima, bem como a satisfação do utente. Quanto às vertentes “Instalações e conforto” e “Focalização no utente”, não foi possível, aos especialistas da ERS, aferir o cumprimento de todos os parâmetros de qualidade exigidos.

No Hospital de Santa Cruz, das três áreas do universo de critérios que permitem determinar “Excelência Clínica” avaliadas pela ERS, em nenhuma delas foi possível atestar o cumprimento dos critérios estabelecidos no SINAS. Ainda assim, o hospital obteve nota positiva no que toca à vertente “Segurança do doente”, “Focalização no utente” e “Satisfação do utente”.

[caption id="attachment_5883" align="alignleft" width="300"]hospitalegasmoniz No Egas Moniz, outra das referências da capital, na única área (de um universo de 14) em que foi possível obter informação, os técnicos da ERS concluem que a mesma não permite aferir o cumprimento de todos os parâmetros de qualidade exigidos.[/caption]

No Egas Moniz, outra das referências da capital, na única área (de um universo de 14) em que foi possível obter informação, os técnicos da ERS concluem que a mesma não permite aferir o cumprimento de todos os parâmetros de qualidade exigidos.

Ainda na zona de influência de Lisboa, saliente-se a excelente posição alcançada pelo Hospital Garcia de Orta, que das 14 áreas de avaliação prevista na vertente “Excelência Clínica”, obteve nota máxima em 12.

Centro…. Poucas notícias!

Conforme nos dirigimos para Norte na análise da avaliação propiciada pelo SINAS, deparamo-nos, amiúde, com total (ou quase total) falta de elementos que permitam avaliar o que quer que seja das unidades incluídas no relatório.

[caption id="attachment_5876" align="alignleft" width="300"]hospitaluniversidadedecoimbra Ao contrário de Lisboa e Porto, Coimbra e as suas unidades de cuidados secundários, obtiveram nota positiva na avaliação realizada pela ERS. Os Hospitais da Universidade conquistaram a chancela de “Excelência Clínica” em 11 das 14 áreas que integram, nesta vertente, o SINAS. Pese a boa nota “clínica”, não foi possível aos técnicos da ERS aferir de todos os parâmetros de qualidade exigidos no que toca às vertentes da focalização e segurança do doente[/caption]

No Centro Hospitalar do Oeste, que integra os hospitais das Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, não foi possível aferir o cumprimento do que quer que fosse, não obstante ter ocorrido uma avaliação, de acordo com os dados disponibilizados pela ERS.

Em Leiria, das 14 áreas previstas na avaliação, apenas duas foram avaliadas como tendo alcançado o patamar da “Excelência Clínica”: a Ginecologia (histerectomias) e a Ortopedia, no que toca às artroplastias totais da anca e do joelho. Tudo o mais… recebeu a chancela de “declinada avaliação”.

Coimbra… A Excepção

[caption id="attachment_5877" align="alignleft" width="300"]hospitaldesaojoao No Centro Hospitalar de S. João, no Porto, que integra outros dos grandes hospitais nacionais, no que toca à dimensão “excelência clínica”, das 8 áreas avaliadas, não foi possível encontrar uma só que preenchesse os critérios propostos pela ERS. Nas demais vertentes que se pretendiam avaliar, o mesmo “carimbo”: “declinada avaliação”[/caption]

Ao contrário de Lisboa e Porto, Coimbra e as suas unidades de cuidados secundários, obtiveram nota positiva na avaliação realizada pela ERS. Os Hospitais da Universidade conquistaram a chancela de “Excelência Clínica” em 11 das 14 áreas que integram, nesta vertente, o SINAS. Pese a boa nota “clínica”, não foi possível aos técnicos da ERS aferir de todos os parâmetros de qualidade exigidos no que toca às vertentes da focalização e segurança do doente.

O Hospital Geral obteve a nota máxima em cinco áreas; o pediátrico em duas e a Maternidade Bissaya Barreto em quatro.

A melhor pontuação alcançada por uma unidade hospitalar da Zona Centro foi a do Hospital de S. Teotónio, de Tondela (CH Tondela – Viseu), com “Excelência Clínica” em 12 das 14 áreas avaliadas.

Invicta… Cheia de brechas!

No Centro Hospitalar de S. João, no Porto, que integra outros dos grandes hospitais nacionais, no que toca à dimensão “excelência clínica”, das 8 áreas avaliadas, não foi possível encontrar uma só que preenchesse os critérios propostos pela ERS. Nas demais vertentes que se pretendiam avaliar, o mesmo “carimbo”: “declinada avaliação”.

[caption id="attachment_5879" align="alignleft" width="300"]hospitalbraga Pese o “mau comportamento” do maior centro hospitalar do Norte, a verdade é que é também no Norte que encontramos o maior número de unidades com 11 ou mais áreas avaliadas como de “Excelência Clínica”. É o caso dos hospitais do HPP - Hospital de Braga, na imagem (12), de S. Pedro, de Vila Real (11), Hospital de Santa Luzia (11) e Hospital Pedro Hispano (11)[/caption]

Pese o “mau comportamento” do maior centro hospitalar do Norte, a verdade é que é também no Norte que encontramos o maior número de unidades com 11 ou mais áreas avaliadas como de “Excelência Clínica”. É o caso dos hospitais de S. Pedro, de Vila Real (11), do HPP - Hospital de Braga (12), Hospital de Santa Luzia (11) e Hospital Pedro Hispano (11).

E o melhor de todos os hospitais avaliados: o Hospital Eduardo Santos Silva, do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, que obteve nota máxima em todas as áreas de avaliação.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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