Antigo Sanatório Sousa Martins, na Guarda, classificado de interesse público
DATA
22/01/2014 08:15:11
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Jornal Médico
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Antigo Sanatório Sousa Martins, na Guarda, classificado de interesse público

[caption id="attachment_6070" align="alignleft" width="300"]sanatóriosousmartins O antigo Sanatório Sousa Martins, projectado no início do século XX por Raul Lino e instituído na Guarda, cujo clima favoreceria a cura de doenças respiratórias graves, foi a primeira instituição criada de raiz para a assistência a doentes com tuberculose, tendo-se constituído como um complexo hospitalar de referência nas áreas social, científica e arquitectónica[/caption]

O antigo Sanatório Sousa Martins, no Parque da Saúde da Guarda, que integra vários edifícios centenários, foi classificado como conjunto de interesse público, segundo uma portaria  publicada em Diário da República.

No documento, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, refere que a classificação do antigo Sanatório é baseada em critérios "relativos ao carácter matricial do bem, ao génio do respectivo criador" e "ao seu interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos".

A decisão também é justificada pelo valor estético, técnico e material intrínseco, pela concepção arquitectónica, urbanística e paisagística, pela extensão "e ao que nela se reflecte do ponto de vista da memória colectiva, e às circunstâncias susceptíveis de acarretarem diminuição ou perda da perenidade ou da integridade do bem".

"O antigo Sanatório Sousa Martins, projectado no início do século XX por Raul Lino e instituído na Guarda, cujo clima favoreceria a cura de doenças respiratórias graves, foi a primeira instituição criada de raiz para a assistência a doentes com tuberculose, tendo-se constituído como um complexo hospitalar de referência nas áreas social, científica e arquitectónica", refere a portaria.

Lembra que o equipamento de saúde foi ampliado entre 1950 e 1955 e está inserido "num extenso parque concebido de acordo com o gosto romântico e revivalista da época, onde se distribuem espaços exuberantemente ajardinados, lagos, fontes, grutas e recantos pitorescos".

"Entre os edifícios principais, exemplos de grande qualidade de arquitectura do ferro, destacam-se, pela sua autenticidade, o pavilhão Dona Amélia e, particularmente, o pavilhão Dom António de Lencastre, verdadeiro ex-libris do conjunto", lê-se no documento.

Aos dois pavilhões juntam-se os edifícios da administração, farmácia, laboratório, posto de radiologia, capela neogótica, ‘chalets', pombal e lavandaria.

O antigo Sanatório Sousa Martins foi inaugurado em 18 de maio de 1907 pelo rei Dom Carlos I e pela rainha Dona Amélia, tendo sido o primeiro instituído pela Assistência Nacional aos Tuberculosos, a que presidia a rainha.

O investigador Hélder Sequeira, que tem vários trabalhos publicados sobre temas relacionados com o antigo sanatório, disse hoje à Lusa que a classificação "é de grande importância" por sublinhar aquele património "como valor cultural de relevo nacional, de onde decorrem vários mecanismos e disposições de protecção legal".

A classificação "apenas peca por tardia", disse, lembrando que defende, há muito tempo, a "urgência em se preservar o património edificado pertença do Sanatório Sousa Martins, o seu estudo, divulgação e animação, garantindo-o como espaço de saúde e de cultura, afirmando-o como museu vivo e recusando que se transforme num ‘túmulo de memória'".

"Esperemos que o reconhecimento agora formalizado trave a degradação dos pavilhões do Sanatório e zona envolvente e suscite junto das entidades responsáveis as medidas e os projectos indispensáveis e urgentes", concluiu.

 

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Editorial | António Luz Pereira, vice-presidente da APMGF
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