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Tratamento para otite com dispositivo acoplado a peluche reduz cirurgias
DATA
11/02/2014 13:00:54
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Tratamento para otite com dispositivo acoplado a peluche reduz cirurgias

[caption id="attachment_6637" align="alignleft" width="300"]Foto: Sul Informação O médico Armin Bidarian Moniri, que criou o dispositivo, revelou que desde que começaram os primeiros estudos, no serviço de Otorrinolaringologia do hospital de Portimão, entre 2010 e 2011, já houve cerca de uma centena de crianças que evitaram a cirurgia.
Foto: Sul Informação[/caption]

Um tratamento não invasivo para a otite serosa com recurso a um dispositivo acoplado a um boneco de peluche está a permitir que dezenas de crianças, no Algarve, sejam retiradas das listas de espera para cirurgia.

Em declarações à agência Lusa, o médico Armin Bidarian Moniri, que criou o dispositivo, disse que desde que começaram os primeiros estudos, no serviço de Otorrinolaringologia do hospital de Portimão, entre 2010 e 2011, já houve cerca de uma centena de crianças que evitaram a cirurgia.

"A maior parte destas crianças ficam a ouvir melhor apenas passadas duas a quatro semanas de tratamento", afirmou, explicando que o tratamento é baseado em manobras também usadas por pilotos e mergulhadores, como exalar forçadamente com a boca fechada e o nariz tapado.

O dispositivo consiste numa máscara com um tubo acoplados a um boneco de peluche, que tem um balão que se enche de ar quando se tenta expirar e ainda uma bomba, que pode ser accionada por um adulto se a criança ainda for demasiado pequena para conseguir soprar.

Segundo Armin Moniri, a diferença entre a otite aguda e a otite serosa é que esta é assintomática, habitualmente não causa febre e caracteriza-se pela presença de líquido no ouvido, o que pode causar dificuldades de audição, muitas vezes difíceis de detectar pelos pais.

"A membrana timpânica tem que ter mobilidade normal para termos audição normal e o líquido lá dentro impede este movimento normal e a criança fica com falta de audição", observou.

Foi o que aconteceu à Leonor, de quatro anos, que, segundo contou à Lusa a mãe, Patrícia Ramos, começou a ter otites desde muito bebé e mais tarde começou a pedir frequentemente para falarem mais alto com ela e a ter alguma dificuldade em ouvir.

"Nós estávamos à espera que ela fosse mais velha para ser submetida a uma cirurgia", explicou a mãe da menina, que tinha muitas reservas em que a Leonor fosse operada e ficou radiante pelo facto de os tratamentos terem resultado.

No início, o tratamento era feito diariamente, mas era fácil e resultou bem porque "é quase um brinquedo para eles, torna-se um jogo", concluiu.

De acordo com médico do Centro Hospitalar do Algarve, apesar de a cirurgia nestes casos ser relativamente simples, implica sempre anestesia geral e ainda o risco de perfuração permanente da membrana timpânica, o que pode obrigar a nova cirurgia.

Armin Moniri, sueco de origem persa, formado em Medicina pela Universidade de Bergen, na Noruega, é o criador do dispositivo para o tratamento da otite seromucosa em crianças, já patenteado por si e que até ao verão deverá começar a ser comercializado.

Com 39 anos, o médico e professor convidado do curso de Medicina da Universidade do Algarve, foi galardoado em Janeiro pela Rainha da Suécia pela sua investigação, que é também um dos temas do doutoramento iniciado na Suécia: "Apneia do Sono em adultos e otite seromucosa em crianças”.

 

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
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