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Hospital Beatriz Ângelo: dois anos volvidos mantêm-se problemas de acessibilidade
DATA
26/02/2014 11:13:09
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Hospital Beatriz Ângelo: dois anos volvidos mantêm-se problemas de acessibilidade

hospitalbeatrizangeloDois anos depois de terem sido inauguradas as urgências do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a administração faz um balanço positivo, mas reconhece que ainda há aspectos a melhorar, nomeadamente a nível de transportes para a unidade de saúde.

O hospital Beatriz Ângelo, situado em Loures, abriu portas em Janeiro de 2012 para servir 272 mil habitantes dos concelhos de Loures, Odivelas, Mafra e Sobral de Monte Agraço.

No entanto, as urgências do hospital só abriram um mês depois, há precisamente dois anos.

“Creio que as coisas têm corrido bem e que temos cumprido todos os objectivos que tínhamos”, afirmou à agência Lusa o administrador executivo do Hospital Beatriz Ângelo, Artur Vaz.

O responsável sublinhou que a procura daquela unidade hospitalar tem correspondido às expectativas e que por isso a administração está muito satisfeita com os resultados.

“Tanto a nível financeiro como a nível da qualidade do serviço prestado as coisas estão a correr bem. Um inquérito que fizemos aos utentes mostrou-nos que os níveis de satisfação aumentaram em 2013 face ao primeiro ano de funcionamento”, referiu.

No entanto, apesar de fazer um balanço positivo, Artur Vaz reconheceu que ainda existem alguns problemas que têm de ser resolvidos, nomeadamente nos acessos ao hospital.

“A esse respeito tem existido da nossa parte um grande esforço junto dos operadores de transportes e das autarquias para fazer face a alguns problemas que existem. Já demos passos importantes dentro daquilo que é a nossa responsabilidade”, sublinhou.

O aumento do número de carreiras directas para o hospital e a redução do preço dos bilhetes têm sido as principais reivindicações dos utentes que recorrem à unidade de saúde.

“A avaliação que fazemos destes dois anos não é muito favorável, uma vez que os problemas de fundo mantêm-se. Por um lado o número de carreiras directas ainda não é suficiente e por outro o preço do estacionamento é bastante elevado”, apontou à Lusa Telma Ferreira da Comissão de Utentes de Saúde de Loures (CUSL).

Telma Ferreira disse que desde o início tanto a CUSL como a Comissão de Utentes dos Transportes Públicos de Odivelas (CUTPO) têm alertado a administração do hospital Beatriz Ângelo da necessidade de melhorar os acessos àquela unidade de saúde.

“Temos falado com eles [administração] e penso que, na medida do que foi possível, eles têm procurado dar resposta às nossas reivindicações. Hoje, por exemplo, já existem duas carreiras que entram dentro do recinto do hospital, coisa que no passado não acontecia”, realçou.

No entanto, além do problema das acessibilidades, Telma Ferreira queixou-se do tempo de espera das urgências, que, em alguns casos, chega a ser de seis horas.

“Temos informações de que o tempo de espera das urgências continua elevado. Em alguns casos de cinco ou seis horas. Compreendemos que existam procedimentos que levam mais tempo, mas algo tem de ser feito para minimizar esta situação”, sublinhou.

Como ponto positivo, Telma Ferreira elogiou a “simpatia no atendimento de todos os funcionários do hospital”.

No mesmo sentido da opinião manifestada pela Comissão de Utentes, o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares (CDU), apontou a necessidade de se solucionarem os problemas de acessibilidade, que persistem dois anos depois da abertura do hospital.

“Estamos a acompanhar com a atenção a evolução da situação e temos mantido um diálogo constante com todas as entidades no sentido de melhorar as acessibilidades ao hospital”, afirmou o autarca.

A título de exemplo, Bernardino Soares referiu que a autarquia tem procurado sensibilizar a entidade gestora do parque de estacionamento do hospital da necessidade de rever as tarifas aplicadas.

“Os preços são muito elevados e numa altura como esta torna-se insuportável para os utentes”, apontou.

O autarca defendeu ainda a necessidade de se arranjar uma solução viável para os cerca de 100 mil utentes das freguesias da zona oriental do concelho que não estão abrangidos pelo equipamento de saúde, tendo de recorrer ao hospital de São José, em Lisboa

“Essa questão não está esquecida e continua a ser um dos problemas que o Governo tem de resolver. A alternativa que existe actualmente não é viável”, apontou o autarca.

 

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Editorial
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