Investigação: linfócitos envolvidos no desenvolvimento de cancro do ovário
DATA
11/08/2014 10:45:38
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Jornal Médico
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Investigação: linfócitos envolvidos no desenvolvimento de cancro do ovário

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Determinados tipos de leucócitos desempenham um papel importante no desenvolvimento de cancro do ovário. A descoberta é de uma equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa (IMM), liderada por Bruno Silva Santos e os resultados da investigação foram publicados na revista Proceedings of the Natural Academy of Sciences.

Em declarações à Lusa, o investigador do IMM explicou que foi possível verificar através de experiências com cobaias, que a interacção entre os linfócitos T gama-delta e os macrófagos peritoneais - "promove o crescimento do cancro do ovário".

À Lusa, Bruno Silva Santos acrescentou ainda que os linfócitos T gama-delta produzem uma molécula, a interleucina-17, que "vai recrutar" os macrófagos e "levá-los para o sítio do tumor", causando a formação de vasos sanguíneos que "vão fornecer alimentos ao tumor, que cresce mais depressa".

O coordenador do grupo de trabalho, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, adiantou que o que o tumor faz é "raptar o mecanismo protector" dos linfócitos T gama-delta e dos macrófagos peritoneais contra infecções e "usá-lo a seu favor".

Os linfócitos T gama-delta e os macrófagos peritoneais são considerados "muito importantes" para a protecção natural do corpo contra microrganismos, em particular fungos e bactérias.

O que acontece, segundo Bruno Silva-Santos, é que a resposta do organismo "é aproveitada pelo tumor para favorecer o seu crescimento".

Por isso, assinalou, basta extrair do organismo os linfócitos T gama-delta ou a molécula interleucina-17 para travar a progressão do tumor.

"Se tivermos um doente com cancro, o que queremos é impedir o desenvolvimento do tumor. Vamos tirar estas células e esta molécula para impedir o desenvolvimento do tumor. Sabendo à partida que o doente vai ficar mais susceptível a uma infecção fúngica ou bacteriana, controlamos... Com recurso a antibióticos", exemplificou.

Sobre os benefícios terapêuticos da descoberta, Bruno Silva-Santos referiu que já estão a ser testados em ensaios clínicos anticorpos para neutralizar a interleucina-17, responsável pelo desenvolvimento de doenças auto-imunes. Os anticorpos, sustentou, podem ser úteis no tratamento - por imunoterapia - do cancro.

O próximo passo da sua equipa é estudar o mesmo mecanismo imunitário em células de humanos e verificar se é visível noutros tipos de cancro, sem ser o do ovário.

Bruno Silva-Santos invocou, a este propósito, um estudo recente de cientistas chineses que concluiu, em doentes, que os linfócitos T gama-delta estão associados a um mau prognóstico no cancro do cólon.

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Editorial | Jornal Médico
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