Prémio Miller Guerra: Gentil Martins vence 1ª edição dedicada à carreira hospitalar
DATA
09/06/2015 11:30:33
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Jornal Médico
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Prémio Miller Guerra: Gentil Martins vence 1ª edição dedicada à carreira hospitalar

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António Gentil Martins, médico especialista em cirurgia pediátrica e cirurgia plástica e reconstrutiva, ex-professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa e ex-bastonário da Ordem dos Médicos, foi distinguido, no passado dia 26, com o Prémio Miller Guerra, numa edição pela primeira vez dedicada à Medicina hospitalar.

Instituído pela Fundação Merck Sharp Dohme (MSD) e pela Ordem dos Médicos (OM) para distinguir a dimensão humanista da Medicina em Portugal o Prémio Miller Guerra de Carreira Médica tem o valor de 50 mil euros.

Em comunicado, o júri do galardão – que tem como presidente e vice-presidente, respectivamente, o bastonário da OM, José Manuel Silva e o presidente da Fundação MSD, Toscano Rico – destaca o percurso profissional de Gentil Martins, que “se distinguiu por uma carreira exemplar dedicada ao serviço dos doentes e ao progresso da assistência médica em Portugal, não só na sua vertente tecnológica mas também, e sobretudo, pela prática humanista no exercício da medicina, como era apanágio de Miller Guerra”.

Para além de José Manuel Silva e de Toscano Rico, o júri foi composto pelos presidentes das secções regionais do Norte, Centro e Sul da OM e por um membro da direcção da Fundação MSD a que se juntou o ex-ministro da Saúde, António Correia de Campos, escolhido pela Fundação para representar a sociedade civil. O júri contou igualmente com um membro médico da comunidade académica indicado pelo Conselho de Reitores, António Rendas, e com os presidentes da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e da Associação dos Médicos de Carreira Hospitalar.

Recorde-se que em 2013, na primeira edição deste prémio, dedicada à Medicina Familiar, a escolha do júri recaiu em Mário Moura, clínico geral que dedicou a sua vida profissional ao desenvolvimento da Medicina Familiar em Portugal, quer na prática médica, em Setúbal, quer ainda enquanto presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral.

Uma vida dedicada à Medicina, ao desporto, à música e à intervenção cívica

Não é possível descrever, ainda que sumariamente, no exíguo espaço concedido à notícia de mais um galardão, o percurso de vida de António Gentil Martins.

Para a maioria dos portugueses, é certo, destaca-se no seu currículo, o trabalho extraordinário que desenvolveu nas áreas da Cirurgia Pediátrica e na da Cirurgia Plástica, reconstrutiva e estética. Na memória de muitos, as nove intervenções, pioneiras em Portugal, de separação de gémeos siameses vivos, que amiúde encheram os noticiários nacionais… De um total de mais de 12 mil intervenções cirúrgicas da mais variada natureza.

Mesmo muitos dos seus pares, desconhecerão que foi autor de múltiplas técnicas cirúrgicas originais tendo fundado a primeira unidade multidisciplinar para o tratamento do cancro pediátrico, a nível mundial, pioneira na poliquimioterapia (1969) e nas nefrectomias parciais em nefroblastomas e osteossarcomas (1974).

Menos, recordam-no como o primeiro presidente da OM do pós-25 de Abril de 1974, cargo para o qual viria a ser eleito em 1977, após um período conturbado em que a instituição foi extinta e transformada em sindicato, e que ocuparia ao longo de três mandatos consecutivos.

Menos ainda saberão que foi Presidente da Associação Médica Mundial e fundador, entre muitas outras associações médicas e de intervenção cívica, da International Society of Paediatric Oncology (SIOP), da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Ambulatória, da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Estética, do Centro de Apoio a Vítimas de Tortura Portugal e da AMI – Assistência Médica Internacional, tendo presidido – à excepção desta última, a todas elas e a mais uma mão cheia de outras.

Muito poucos – diria mesmo, já quase ninguém – se lembra de que António Gentil Martins foi atleta olímpico, tendo representado Portugal nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, no tiro de velocidade com pistola, a 25 metros, tendo mais tarde sido fundador e primeiro presidente da Associação dos Atletas Olímpicos Portugueses. Ainda no desporto, foi campeão nacional em várias modalidades de tiro, com pistola de precisão, carabina e espingarda de guerra.

Menos “beligerante”… Foi também campeão nacional de Voleibol da primeira divisão em 1951 (jogando pelo CIF, de que é sócio n.º 1); de ténis (juniores, pares-homens), em 1947 e vice-campeão universitário dos 400 metros barreiras, em 1952.

Entre muitas outras distinções, foi-lhe conferido o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e em 2009 a Grã-Cruz da mesma ordem. Conta ainda no vasto quadro de honra, a Medalha de Ouro por Serviços Distintos do Ministério da Saúde e a de Honra, da OM.

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Editorial | Jornal Médico
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