População de Ribeira de Pena reivindica reforço urgente de médicos
DATA
11/09/2015 13:00:10
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Jornal Médico
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População de Ribeira de Pena reivindica reforço urgente de médicos

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Cerca de 300 pessoas manifestaram-se hoje, em Ribeira de Pena, no distrito de Vila Real, alertando para a falta de médicos para servir os 6.239 utentes do concelho e exigindo ao governo um reforço “urgente” de quatro clínicos.

Os populares, em grande parte idosos, juntaram-se em frente ao centro de saúde de Ribeira de Pena, distrito de Vila Real, empunhando faixas negras onde se podia ler “médicos para todos”, “as nossas vidas não são negócios – queremos médicos” ou “a saúde é direito de todos”.

Francisco Oliveira, 46 anos, empunhou uma das faixas e fez questão de se juntar ao protesto de hoje, porque não tem médico. “Já há bastante tempo que eu, a minha mulher e o meu filho não temos médico de família e faz-nos muita falta. É uma situação muito, muito preocupante”, salientou.

O concelho, neste momento, só dispõe de um médico de família na extensão de saúde de Cerva, com 2.457 utentes a seu cargo, ao passo que os restantes 3.782 habitantes do concelho apenas são servidos por um clínico já aposentado.

No contacto com os jornalistas, os populares foram dando largas à sua indignação e, entre algumas palmas, gritaram também algumas palavras de ordem, como “queremos médicos” ou “ministro para a rua”.

“Chegámos a um ponto que é inadmissível, não temos médico nenhum”, acrescentou Francisco Oliveira.

Clotilde Morais, 78 anos, está preocupada porque precisa de fazer exames e diz que, enquanto não tiver médico de família, não vai poder fazê-los.

“Sou paciente do doutor Paulino e quando ele for embora, porque já está reformado, vamos ficar sem ninguém. Isto é uma vergonha, um centro de saúde tão jeitoso como este está e não ter médicos para trabalhar”, sublinhou Maria Rosa, 54 anos.

Maria Igreja, 53 anos, lamentou não haver um profissional para atender a sua mãe, já idosa, considerando que se trata de uma situação vergonhosa. “Precisa de uma consulta e não tem médico e agora temos de ir para Vila Pouca de Aguiar ou Vila Real”, frisou.

Só que, acrescentou, o hospital de Vila Real “está esgotado por todo o lado” e, às vezes, é preciso esperar “várias horas para ser atendida”.

Maria Igreja queixou-se, ainda, da inexistência de uma rede de transportes públicos para as pessoas se deslocarem até à capital de distrito.

“Se temos de ir para Vila Real, que são mais de 50 quilómetros, chegamos lá mortas, se for um caso muito grave. O governo, se não é competente para governar, que vá à vida e dê lugar a outro”, salientou Maria Rosa.

Fátima Melo, 46 anos, referiu que tem ficado periodicamente sem médico de família. “Tenho meio ano, depois fico meio ano sem ter. Em três anos já mudei de médico umas poucas de vezes. Eles vêm, mas nunca ficam cá muito tempo”, frisou.

Rui Vaz Alves, presidente da Câmara de Ribeira de Pena (PS), disse que "o problema se agudizou há cerca de um mês” e que o município tem insistido e pressionado o Ministério da Saúde, mas que não obteve resposta até ao momento.

“Por isso, as pessoas quiseram hoje vir aqui gritar em voz alta essa angústia”, afirmou.

A aumentar as preocupações está o facto de se aproximar o outono, altura em que, segundo o presidente, aumenta o número de doenças que afeta esta população, maioritariamente idosa.

Para dar resposta às necessidades do concelho, o autarca defende que os serviços de saúde locais deviam ser reforçados com mais quatro médicos.

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Editorial | Jornal Médico
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