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Cuidados a idosos: investigadores do Porto estudam desigualdades no acesso
DATA
11/07/2016 17:16:21
AUTOR
Jornal Médico
Cuidados a idosos: investigadores do Porto estudam desigualdades no acesso

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Uma equipa de investigadores do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto estão a participar num estudo europeu que reflete acerca do cuidado prestado aos idosos, de forma a responder às desigualdades e desafios do envelhecimento demográfico.

A investigadora e coordenadora do projeto SPRINT (Social Protection Innovative Investment in Long Term Care) a nível nacional, Alexandra Lopes, disse à agência Lusa que este surgiu da necessidade de perceber de que forma os cuidados a idosos podem ser prestados de modo satisfatório a nível da procura, da qualidade e de sustentabilidade financeira e fiscal, numa lógica de investimento social. O consórcio SPRINT é constituído por especialistas e organizações que atuam nas áreas da política e economia social e nos cuidados de longa duração.

A responsável afirmou que esta iniciativa irá promover as aspirações do Pacote de Investimento Social da Comissão Europeia, avaliando os custos e benefícios sociais das diferentes modalidades da organização da prestação deste tipo de serviço. O projeto apresenta também outras abordagens, cujos resultados são positivos e vão ao encontro dos objetivos de quem fornece e necessita de cuidados de saúde, assim como para a comunidade em geral.

Os investigadores pretendem ainda desenvolver uma ferramenta de análise de viabilidade, escalas de avaliação e um mapa de impacto, para facilitar a aplicação de investimentos nesta área, por parte das autoridades públicas, dos fundos de segurança social e dos investidores privados.

"Até à data, o retorno do investimento em cuidados a idosos não tem sido quantificado", disse a coordenadora, acrescentando que, "de forma generalizada", o projeto é entendido como "uma fonte de custos e não como mecanismo para maximizar o capital social e a coesão social", definidos pela União Europeia.

O trabalho já desenvolvido nos países parceiros permitiu determinar o panorama atual da organização e financiamento dos cuidados de longa duração e sistematizar o papel dos diversos atores envolvidos na prestação e financiamento dos cuidados. Por outro lado, também se definiu a forma como a análise de custos-benefícios sociais pode ser aplicada no campo, ao mesmo tempo que se identificaram e catalogaram os investimentos sociais existentes nos cuidados de longa duração.

Para além de Portugal, fazem parte do consórcio o Reino Unido, a Alemanha, a Grécia, a Dinamarca, a Hungria, a Lituânia, a Itália, a Polónia, a Finlândia e a Bélgica. Iniciado em junho de 2015, o projeto tem a duração de 18 meses e é financiado pela Comissão Europeia no âmbito do programa Horizonte 2020, em cerca de dois milhões de euros.

O projeto SPRINT procura, desta forma, desenvolver mecanismos para enfrentar um dos maiores desafios que hoje se colocam, de forma transversal, a toda a Europa: o envelhecimento demográfico.

Saúde Pública

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