Cancro da cabeça e pescoço: 31 casos de lesão suspeita em mais de 850 rastreados
DATA
08/08/2016 17:56:53
AUTOR
Jornal Médico
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Cancro da cabeça e pescoço: 31 casos de lesão suspeita em mais de 850 rastreados

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Mais de 850 pessoas foram submetidas a um rastreio ao cancro da cabeça e do pescoço desde o início da 78ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta, no passado dia 27 de julho, no âmbito de uma iniciativa promovida pelo Grupo de Estudos do Cancro de Cabeça e Pescoço (GECCP).

Neste rastreio gratuito, 31 pessoas foram encaminhadas para exames complementares por apresentarem lesões suspeitas, de acordo com o balanço realizado pela presidente do GECCP, a médica oncologista Ana Castro.

Ao longo de 11 dias, o GECCP percorreu mais de 1.500 quilómetros de estrada, acompanhando a Volta a Portugal em Bicicleta, ao longo da qual foi montando tendas de rastreio nos pontos de chegada de todas as etapas.

“Estamos na última etapa dos rastreios. Até agora fizemos 854 rastreios e foram referenciadas 31 pessoas com lesões suspeitas para serem avaliadas em ambiente hospitalar. Com estas pessoas esperamos poder fazer a diferença”, afirmou Ana Castro, no último dia da iniciativa, fazendo um balanço “muito positivo” e considerando que o número de pessoas abrangidas ultrapassou as suas expectativas.

Para este número contribuiu o facto de o rastreio ter sido feito no âmbito da Volta a Portugal em Bicicleta, indo ao encontro das pessoas que estavam a assistir ao evento.

“Quando fazemos rastreios em hospitais conseguimos uma adesão mais baixa, porque as pessoas têm que se deslocar. Quando vamos ao encontro da população, faz a diferença: Conseguimos chegar a mais pessoas e ter um maior número de pessoas rastreadas, que não iriam ao hospital”, explicou.

As 31 pessoas referenciadas irão agora ser chamadas para consulta de avaliação e para realização de biópsias, disse a responsável, acrescentando que “as principais lesões detetadas nos rastreios são lipoides na língua, nas bochechas e no pavimento da boca, bem como feridas e violáceas”.

Segundo Ana Castro, a petição on-line lançada pelo GECCP e pela Associação dos Amigos dos Doentes com Cancro Oral para levar à Assembleia da República a discussão do apoio do SNS na reabilitação oral dos doentes com esta patologia conseguiu até ao momento reunir 1.038 assinaturas. A petição em papel, com o mesmo objetivo, conta com 235 assinaturas.

Todos os anos, são diagnosticados entre 2.500 e três mil novos casos de cancro de cabeça e pescoço em Portugal e 85% das vítimas são fumadores ou ex-fumadores, daí a importância dos rastreios à doença a pessoas com hábitos tabágicos ou de consumo excessivo de álcool.

Em Portugal, os cancros de cabeça e pescoço são a quarta doença com maior incidência em indivíduos do sexo masculino, matando três portugueses por dia.

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