Cabo Verde: famílias gastam mais de 20% do seu orçamento em saúde
DATA
16/08/2016 12:05:04
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Jornal Médico
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Cabo Verde: famílias gastam mais de 20% do seu orçamento em saúde

Cabo Verde

As famílias cabo-verdianas gastam cerca de 23% do seu orçamento com a saúde, avança o Ministério da Saúde deste país africano, indicando que os recursos do Estado para o setor são insuficientes.

“Cerca de 23% das despesas com a saúde provém dos pagamentos diretos das famílias, que já pagam impostos. Temos, portanto, que melhorar esta questão, sob pena de as famílias ficarem empobrecidas”, indicou Serafina Alves, diretora-geral do Planeamento, Orçamento e Gestão (DGPOG) do Ministério da Saúde e Segurança Social de Cabo Verde. A responsável falava à imprensa no âmbito da reunião alargada do ministério que acontece desde segunda-feira e que termina hoje na Ribeira Grande de Santiago (Cidade Velha).

Sem precisar números, Serafina Alves avançou que os cabo-verdianos “gastam imenso” com a sua saúde e que o Estado não tem recursos suficientes para o setor.

“A saúde não tem recursos suficientes, é um grande desafio e um grande problema. Não há recursos para a cobertura universal, ou seja, para que todos tenham acesso à saúde”, sustentou a diretora-geral, dizendo, por isso, que é preciso alocar mais recursos, mas também adotar maior eficiência e rigor na utilização dos já existentes.

Serafina Alves referiu, ainda, que a estratégia para a saúde para os próximos cinco anos, em Cabo Verde, prevê a possibilidade de criação de uma lei para angariação de mais meios através de fontes alternativas, como a taxa do turismo, o fundo do ambiente e aumento da verba que o Instituto de Previdência Social (INPS) comparticipa para o setor.

“Toda a gente tem a consciência que os recursos para a saúde não chegam. O Governo tem esta intenção de procurar mais recursos para o setor, mas o que necessitamos fazer neste momento é retomar essa discussão e ver se o Governo está de acordo com essas fontes de financiamento ou se há outras alternativas”, prosseguiu a responsável, acrescentando que outro fator que tem contribuído para aumentar os custos com o setor da saúde no país é a falta de segurança, principalmente nos grandes centros urbanos.

“Este é um problema grave que nós temos com a saúde. O Hospital Agostinho Neto apresentou números de gastos com a saúde que são demasiado elevados. A falta de segurança no país, especialmente na cidade da Praia, tem trazido muitos problemas para o setor da saúde, porque há muitas agressões, cirurgias, acidentes rodoviários”, lamentou, salientando que também o consumo abusivo do álcool tem representado problemas acrescidos para a saúde em Cabo Verde, país que pretende baixar o nível da taxa de álcool no sangue dos condutores de 0,8% para 0,5% e que em julho lançou uma campanha de prevenção contra o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Serafina Alves, que apresentou o tema sobre os desafios e perspetivas de financiamento da saúde no referido encontro, indicou ainda que outra forma de reduzir os cursos com o setor seria diminuir os exames complementares, que constituem uma área de desperdício.

“Quando é feito um exame e o utente não o vai buscar, estamos a desperdiçar um recurso que poderia ser necessário para outra pessoa que, se calhar, tem mais necessidade”, exemplificou, dizendo que os médicos passam muitos exames complementares que os utentes deixam nas estruturas de saúde.

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Sejam Felizes
Editorial | António Luz Pereira, vice-presidente da APMGF
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