Trás-os-Montes: "divergências profundas" na origem das demissões em bloco
DATA
05/01/2017 10:17:53
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Jornal Médico
Trás-os-Montes: "divergências profundas" na origem das demissões em bloco

Os cinco adjuntos do diretor clínico do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro afirmaram ontem que se demitiram em bloco em outubro “por divergências profundas com o rumo de acontecimentos no hospital”, discordâncias que “se foram agravando”.

Os cinco clínicos deram explicações aos deputados da Comissão de Saúde na Assembleia da República (AR), durante o dia de ontem, sobre os motivos que levaram à demissão em bloco enquanto adjuntos do diretor clínico do centro hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), seis meses depois de terem aceite o cargo.

Manuel Cunha, um dos médicos, explicou aos deputados que o que lhes tinha sido “proposto e prometido” pelo conselho de administração sobre o projeto para o centro hospitalar não se concretizou.

O clínico destacou que os adjuntos verificaram sobretudo “falta de respeito pelas carreiras, pelas hierarquias e deontologia médicas”, incluindo substituição de diretores de serviço sem conhecimento da equipa que acabou por se demitir.

Manuel Cunha realçou que a situação se foi degradando progressivamente e, quando foram pedidas explicações, quer a administração quer o diretor clínico “consideraram que não tinham nada a esclarecer”, pelo que se demitiram a 10 de outubro “por divergências profundas com o rumo de acontecimentos no hospital”.

O médico adiantou ainda que os acontecimentos continuaram a “agravar-se” já depois das demissões, pelo que lançaram um abaixo-assinado, que entregaram na Assembleia da República, com a assinatura “de cerca de 75% dos assistentes graduados e assistentes graduados seniores”, entre os quais 20 dos 26 diretores de serviço.

O abaixo–assinado “é uma posição de condenação por no hospital todos os níveis de chefia estarem sistematicamente a ser substituídos por médicos que não têm graduação devida para desempenhar aquelas funções”, explicou Manuel Cunha.

“Há aqui uma inversão das hierarquias que nos confunde e que tem uma questão essencial: ou o conselho de administração não encontra nos médicos mais graduados apoio para a sua missão ou quer deliberadamente ter à frente dos departamentos médicos sem peso institucional”, considerou, realçando que, mesmo depois da demissão dos cinco médicos, “havia muitos mais médicos disponíveis para serem da direção, com currículo suficiente”.

O CHTMAD inclui os hospitais de Vila Real, Lamego, Chaves, um polo em Vila Pouca e um na Régua, que atualmente está fechado.

Recorde-se que em outubro, os cinco adjuntos da direção clínica do CHTMAD, com sede social em Vila Real, apresentaram a demissão deste cargo, sem terem explicado publicamente as razões que estiveram na base desta tomada de decisão.

Em novembro, a Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos iniciou uma investigação ao caso.

O presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considerou que "a situação de Vila Real é, neste momento, crítica" e salientou que "a intervenção que está a ser utilizada para tentar resolver a situação está a ser sem a colaboração dos profissionais de saúde de Vila Real e isto está a causar perturbações grandes dentro do hospital

Este é, segundo o responsável, um problema “que se arrasta já há alguns anos” e que “o poder político não tem sido capaz de resolver”.

Desde outubro, também pediram a demissão dos cargos os diretores dos serviços de cirurgia, anestesiologia e imagiologia.

O conselho de administração do CHTMAD informou, em novembro, já ter nomeado os novos adjuntos da direção clínica.

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Editorial | Jornal Médico
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