Miguel Guimarães dirige mensagem de apoio aos jovens médicos
DATA
09/01/2017 11:03:00
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Jornal Médico
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Miguel Guimarães dirige mensagem de apoio aos jovens médicos

Na mensagem que dirige aos mais de 3800 jovens médicos que iniciam esta semana a sua formação pós-graduada de Internato do Ano Comum ou de Formação Especializada, o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRNOM), e candidato a bastonário da Ordem dos Médicos alerta para a falta de médicos no SNS em especialidades como Medicina Geral e Familiar, Anestesiologia, Radiologia, Dermatologia e Medicina Interna.

Miguel Guimarães, presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRNOM), e candidato a bastonário da Ordem dos Médicos, dirigiu uma mensagem aos mais de 3800 jovens médicos iniciam esta semana a sua formação pós-graduada, de Internato do Ano Comum ou da Formação Especializada.

Dando as boas-vindas a todos, Miguel Guimarães adianta que “este será um ano de novos desafios para os jovens médicos e um período que se espera de enriquecimento dos vossos conhecimentos e experiências na mais bela profissão do mundo. Sabemos que nem tudo é um mar de rosas. Certamente que já ouviram dizer que temos um excelente SNS quando levamos em linha de conta as variáveis custo, acesso e qualidade. Mesmo que este apresente atualmente feridas mais ou menos profundas e a vários níveis, a começar no capital humano, isto é, nas pessoas”.

“Quantos de vocês já não ouviram dizer que temos médicos a mais? O relatório de 2016 da OCDE diz que Portugal tem 4,4 médicos por mil habitantes, o que faz do país, o 3º com maior número relativo de médicos, bem acima da média de 3,5 dos países da União Europeia
“, recorda Miguel Guimarães advertindo que este é um valor distorcido, “pois os números da OCDE incluem todos os médicos habilitados para a prática médica, independentemente de exercerem medicina, de estarem aposentados (desde que inscritos na OM) ou de trabalharem no sector público, social ou privado”.

De acordo com os dados mais recentes publicados pela ACSS há cerca de 26000 médicos (isto é, 2,7 médicos por mil habitantes), incluindo aqui todos os médicos que se encontram a realizar o internato médico e, como tal, não são especialistas, com todas as limitações práticas daí decorrentes. “Com 2,7 médicos por mil habitantes, Portugal estaria na cauda da Europa e dos países da OCDE”, garante.

“Faltam médicos no SNS. E de várias especialidades. A Medicina Geral e Familiar, a Anestesiologia, a Radiologia, a Dermatologia, e a Medicina Interna, são apenas alguns exemplos. Nesta medida, temos que, com base nos dados objetivos e fundamentados já existentes, informar os portugueses sobre a realidade da Medicina no nosso país. Toda a realidade. Que envolve necessariamente o capital humano”, refere lançando aos visados um desafio no sentido da exigência, da confiança nas autoridades competentes, na dignidade e humanização do ato médico: “sejam exigentes na defesa da qualidade da formação médica. Procurem adquirir o máximo de conhecimento e de competências técnicas durante a vossa formação, pois um médico com boa formação académica e especializada tem sempre trabalho garantido”.

E conclui: “N não deixem que sejam os outros a decidir por vocês. A capacidade de decisão é absolutamente determinante no presente e no futuro, como médicos e como cidadãos. A qualidade e evolução permanente da medicina portuguesa necessitam do contributo ativo dos jovens médicos, do vosso contributo. Sem vós, os jovens médicos, o SNS fica mais pobre e fragilizado. O Conselho Regional do Norte, que tenho a honra de presidir, estará sempre presente na defesa da qualidade da formação médica honrando o seu compromisso com a qualidade da Medicina. E continuará a defender a transparência de todos os processos relacionados com a formação médica especializada. Só assim, estaremos a defender os doentes e a qualidade da Saúde em Portugal.”

800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

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