Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar defende aumento de auditorias a modelo B
DATA
12/01/2017 11:07:04
AUTOR
Jornal Médico
Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar defende aumento de auditorias a modelo B

Face à notícia que dá conta da transição de 25 USF do modelo A para o B, em 2016, o presidente da Associação Nacional das USF (USF-AN), João Rodrigues, defendeu que algumas das vagas do Centro e de Lisboa foram preenchidas com as do Norte, onde existem mais USF e foi maior o número de candidaturas. Recorde-se que a USF-AN é contra a existência de vagas e considera que só deveriam existir USF do modelo B.

“Não queremos quotas. Queremos metas. Essa é uma grande contradição que se mantém: Se as USF de modelo B são mais eficientes, e os números provam isso mesmo, em termos de acessibilidade e acompanhamento, então elas deveriam passar todas para o modelo B”, adiantou na expetativa de que, “num futuro curto, seja possível ter só USF modelo B. Este é o grande sonho”.

João Rodrigues sublinhou ainda as diferenças entre os dois modelos, recordando que “os profissionais só ganham mais se cumprirem”.

“O modelo B é o mais exigente em termos organizativos. Ganham mais se fizerem mais em quantidade e qualidade. Não ganham mais só por ser modelo B”, ressalvou.

Estas equipas (USF de modelo B) têm de “vigiar mais grávidas, fazer mais domicílios médicos e de enfermagens, vigiar melhor os diabéticos, os hipertensos, as crianças no primeiro e segundo ano de vida”.

A remuneração mais elevada funciona, pois, como “um estímulo acrescido, porque os profissionais de saúde tentam fazer sempre o melhor”.

No entanto, João Rodrigues sublinhou a necessidade de existirem mais auditorias, de modo a que o trabalho acrescido das seja constatado e divulgado, inclusive para consulta exterior.

“As USF de modelo B são pouco auditadas, deviam ser mais”, afirmou João Rodrigues, que considera este um problema comum ao país: a supervisão.

Segundo o presidente da USF-AN, são os próprios profissionais das USF que gostariam de ser auditados com maior frequência, sendo o habitual uma vez por ano, competência atribuída às equipas regionais de acompanhamento, que pertencem às Administrações Regionais de Saúde (ARS). No caso do norte do país esaa responsabilidade foi transferida para os conselhos clínicos dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), por falta de pessoal.

João Rodrigues revelou a sugestão que transmitiu ao Governo, no sentido de ser desenvolvida uma ferramenta que permitirá publicar os relatórios de acompanhamento, bem como o reforço das equipas regionais para a realização das auditorias.

De acordo com o Ministério da Saúde, o processo de transição destas 25 USF modelo B permite “um ganho de cobertura de mais 10.369 cidadãos, com atribuição de uma equipa de saúde familiar e efetivos ganhos assistenciais”.

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Editorial | Jornal Médico
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