Especial - Eleições na Ordem dos Médicos 2017: Miguel Guimarães
DATA
16/01/2017 09:01:00
AUTOR
Jornal Médico
Especial - Eleições na Ordem dos Médicos 2017: Miguel Guimarães

Saiba o que pensa Miguel Guimarães acerca dos temas quentes da Medicina e quais os pontos-chave da sua campanha. Até 19 de janeiro, acompanhe diariamente as nossas atualizações e explore um tema por dia


PONTO-CHAVE DA CAMPANHA/MENSAGEM AOS COLEGAS

A ideia central da minha campanha é a de que a Ordem deve ter uma postura interventiva na defesa da qualidade da Medicina e dos doentes, centrada na ética, na relação médico-doente e na formação médica. E exigir que os médicos sejam respeitados e valorizados. Conheço bem as preocupações e expectativas dos colegas e sei que há um nível crescente de insatisfação e desencanto. O meu grande desafio como bastonário será contribuir para que os médicos portugueses se sintam mais valorizados, mais respeitados e bem representados. Com competência, liderança e total independência.


RELAÇÃO COM A TUTELA

Tenho a melhor opinião pessoal e profissional do ministro Adalberto Campos Fernandes, com quem mantive uma relação muito construtiva ao longo dos anos. Isso não me impede de reconhecer que não houve alterações de fundo na política de saúde conduzida pelo atual Ministério da Saúde e que se continuam a registar problemas sérios no sector público devido ao seu estado de subfinanciamento. 


 SPMS

Os SPMS têm tido uma atuação pouco competente na manutenção dos equipamentos e, sobretudo, na gestão dos processos informáticos. Exemplo disso é o caos diário nas várias aplicações existentes e, em especial, na PEM. Por isso defendo diminuir a complicação, a inoperância e o peso excessivos dos sistemas informáticos atualmente em uso nos diversos serviços públicos de saúde. E exigir ao Ministério da Saúde a integração das várias aplicações informáticas, a simplificação de processos de identificação e o investimento em equipamentos/hardware. De resto, e se a situação não evoluir favoravelmente, pretendo responsabilizar publicamente e nas sedes competentes o Ministério da Saúde e as respetivas estruturas dependentes pelas disfunções graves das aplicações e sistemas informáticos que tenham consequências negativas para os doentes, para os médicos e para a eficiência do sistema de saúde. Adicionalmente pretendo desenvolver as diligências necessárias à disponibilização gratuita aos médicos, de uma plataforma de prescrição eletrónica.


BURNOUT DOS MÉDICOS

Faz parte da minha Carta de Compromissos a concretização e ampliação do trabalho desenvolvido pela Ordem dos Médicos no âmbito da síndrome de burnout e de disfunções associadas. Na prática, criando um núcleo de trabalho que estabelecerá os protocolos necessários para diminuir a incidência do burnout e apoiar os profissionais afetados. Penso que o mesmo deve ser feito relativamente ao assédio moral e/ou violência psicológica.


GESTÃO DO SNS

O SNS é o grande pilar que sustenta os cuidados de saúde em Portugal e é com grande preocupação que assisto, como médico, à sua lenta degradação. É necessário compreender a importância estrutural do serviço público, respeitar o primado da universalidade inscrito na Constituição e reforçar – com um investimento sério – o seu capital humano e condições de trabalho. Disso depende, entre outras coisas, a qualidade da formação médica que é uma preocupação central do meu projeto para a OM. Adicionalmente considero que o modelo de gestão do SNS deve ser reformado no sentido de se centrar nos doentes, reforçando o ‘poder’ e responsabilidade das pessoas como gestoras do seu percurso na Saúde. E que respeite, escute, valorize e dignifique os profissionais de saúde.

   



EUTANÁSIA

Sou um defensor convicto do Código Deontológico e este é muito claro ao proibir as práticas como a eutanásia, a distanásia e o suicídio assistido. Esta é uma questão fraturante na sociedade portuguesa, com opiniões diversificadas. Respeito as posições contrárias, creio que deve haver debate público sobre esta matéria mas, a minha convicção é a de que esta discussão é neste momento extemporânea. Defendo que se aposte seriamente nos cuidados paliativos como forma de assegurar o máximo de conforto aos doentes em fim de vida. Simultaneamente, a Ordem deve implementar debates e programas de formação sobre a prática de distanásia, que como se sabe é uma prática condenável, e sobre o testamento vital. De resto, a OM participou em debates públicos sobre as várias questões relacionadas com a eutanásia, tendo sempre como referencial o património ético e deontológico que deve ser respeitado e preservado.


CARREIRAS MÉDICAS

As muitas flutuações registadas na aplicação prática da Carreira Médica agravaram a instabilidade laboral e formativa dos médicos. Apesar de ser também uma matéria do foro sindical, a OM deve assumir o objetivo da revitalização da Carreira, reforçando os graus de qualificação profissional e a celeridade e transparência dos concursos públicos. Nesse sentido, proponho a abertura regular e atempada de mais concursos públicos, a abertura de concursos de provimento para as vagas não preenchidas, a realização anual dos concursos de habilitação, a equivalência em número de graus e categorias para não limitar a progressão profissional e a extensão da Carreira Médica aos sectores privado e social.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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