Bastonário: reposição das 35 horas de trabalho semanais na saúde está a ser paga pelos doentes
DATA
16/01/2017 16:17:55
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Jornal Médico
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Bastonário: reposição das 35 horas de trabalho semanais na saúde está a ser paga pelos doentes

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), José Manuel Silva, afirmou que a reposição das 35 horas de trabalho semanais na saúde está a ser paga pelos doentes, que continuam a sofrer com os efeitos da falta de financiamento na área.

“O reforço de financiamento da prestação pública de cuidados de saúde tem sido consumido na reposição dos vencimentos e das 35 horas. De alguma maneira os doentes é que estão a pagar, com a sua saúde ou falta dela, a reposição dos direitos individuais dos profissionais de saúde”, afirmou José Manuel Silva em entrevista à Agência Lusa, a dias da eleição do seu sucessor.

O bastonário manifestou-se contra a reposição das 35 horas no contexto atual, considerando que não havia condições para o fazer: “Não devemos sobrepor os direitos individuais aos direitos coletivos; os doentes também têm direitos e devíamos ter reposto esses direitos, que não foram repostos.”

José Manuel Silva garante ainda que continua a haver casos de “situações dramáticas” de doentes porque o Serviço Nacional de Saúde(SNS) está “crónica e tremendamente subfinanciado”.

“É evidente que o dinheiro não chega para tudo e há pessoas que sofrem com isso. Está-se a institucionalizar em Portugal uma saúde a duas velocidades, prejudicado claramente os mais desfavorecidos”, sublinhou.

Para o bastonário, a OM nunca poderá aceitar um sistema a duas vozes: “um para os mais pobres, para onde está a ser empurrado o SNS, e outro para os que têm dinheiro para pagar a saúde duas vezes - através dos impostos e de um seguro ou subsistema”.

De acordo com as suas palavras, um dos principais desafios do novo bastonário será garantir aos doentes a acessibilidade atempada a cuidados de saúde de qualidade, recusando um sistema que divide os mais ricos e os mais pobres.

"Com a reposição das 35 horas, e faltando dinheiro para mais, ficam por renovar equipamentos, fica por incrementar o acesso à inovação, ficam por alargar horários nas unidades de saúde e não se contratam mais profissionais", defende o bastonário.

Num balanço dos seis anos passados à frente da Ordem, José Manuel Silva confessa que a maior dificuldade “em termos pessoais e emocionais” foi ver doentes “a não serem tratados de acordo com o estado da arte por causa dos cortes na saúde”. “Para um profissional que sente a saúde como uma vocação, isso é muito difícil”, reconheceu.

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Editorial | Jornal Médico
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