Ainda há mais de 2.000 doentes à espera de um transplante renal

O presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), João Almeida e Sousa, afirmou ontem que há mais de 2.000 doentes em Portugal a aguardar por um transplante renal, um aumento que também se regista noutros países.

As declarações surgiram durante uma conferência de imprensa, decorrida no final da apresentação dos dados da doação e transplantação de órgãos em 2016.

Os dados indicam que o número de órgãos colhidos para transplante em 2016 foi o maior de sempre, tendo-se registado pela primeira vez transplantes com órgãos de dadores em paragem circulatória.

Neste período registou-se um aumento de órgãos colhidos de dador falecido, que subiram de 896 em 2015 para 936 no ano passado. Destes, foram transplantados 784 órgãos, refletindo uma taxa de utilização de 84% (face a 79% no ano anterior).

Na sua intervenção após a apresentação destes indicadores, João Almeida e Sousa referiu que “a existência de listas de espera obriga a que se faça sempre melhor”.

“Não é admissível o desperdício de órgãos”, afirmou, considerando que “ainda existe, nos hospitais portugueses, um potencial de crescimento de doação”.

Para a coordenadora nacional da transplantação, Ana França, os dados de 2016 são muito positivos. A responsável sublinhou as diferenças entre os dadores atuais e os de há 15 ou 20 anos. No passado, eram essencialmente doentes em morte cerebral que tinham sofrido um acidente de viação. Atualmente, são mais idosos e com situações de AVC.

Apesar deste aumento da idade dos dadores, com maiores probabilidades de doenças associadas, o número de órgãos colhidos tem subido.

Para o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, presente na apresentação destes dados, os mesmos revelam “um sucesso”. “É preciso agora apurar o nível de coordenação e melhorar estas metas que nos deixam orgulhosos”, atestou.

Dos 864 órgãos transplantados em 2016, o maior número ocorreu na transplantação renal (499), seguindo-se a hepática (272), a cardíaca (42), a pulmonar (26) e a pancreática (25).

Segundo a Coordenação Nacional da Transplantação, estes dados representam o “maior número de transplantes hepáticos e pulmonares de sempre” e refletem um “aumento da transplantação renal para valores superiores aos dos últimos quatro anos (2012-2016)”.

Pela primeira vez registaram-se transplantes de dadores em paragem circulatória, conhecidos como dadores de coração parado, num total de dez.

Estes dadores são pessoas falecidas a quem foi declarada a morte com base em critérios circulatórios, verificando-se a cessação irreversível das funções cardiocirculatórias. Os primeiros transplantes em paragem cardiocirculatória ocorreram em janeiro de 2016, no Hospital de São João (Porto).

Os dadores falecidos, os que se encontram em morte cerebral na altura da colheita do órgão continuam a representar a esmagadora maioria: 327, sendo 10 os dadores em paragem circulatória.

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