Médicos de família da ARSVLT mais envolvidos na área da farmacovigilância
DATA
17/02/2017 13:24:51
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Jornal Médico
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Médicos de família da ARSVLT mais envolvidos na área da farmacovigilância

Os especialistas de Medicina Geral e Familiar vão ver reforçado o seu papel e envolvimento na área da vigilância da segurança e notificação de reações adversas a medicamentos. A colaboração entre a ARSVLT e o Infarmed foi ontem anunciada, na mesma data da inauguração da nova Unidade de Farmacovigilância deste último organismo, a oitava a integrar o Sistema Nacional de Farmacovigilância. Sob a alçada da Direção de Gestão do Risco de Medicamentos (DGRM) do Infarmed, a criação desta nova área pretende abranger uma população total de um milhão de habitantes.

Com a criação desta unidade, e de acordo com fonte do Infarmed, “o envolvimento dos médicos de família será fundamental para reduzir a subnotificação, garantindo a recolha de mais informação sobre os medicamentos utilizados, a deteção de reações adversas menos frequentes e uma vigilância mais apertada, numa altura em que os medicamentos são utilizados em fases cada vez mais precoces”.

Na cerimónia de inauguração desta nova unidade estiveram presentes o Presidente do Conselho Diretivo do Infarmed, Henrique Luz Rodrigues, o Vice-Presidente do Conselho de Diretivo da ARS Lisboa e Vale do Tejo (ARSVLT), Luís Pisco, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, e a diretora da área de Gestão do Risco de Medicamentos do Infarmed, Fátima Canedo.

Para o responsável da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, é essencial que o organismo que representa utilize o seu conhecimento no sentido de se aproximar dos vários atores nesta área, como os profissionais de saúde e os cuidados de saúde primários, numa atividade que considera ser útil e inédita. “Sem a colaboração de todos, o processo não funciona”, garante. Para Luz Rodrigues, a inovação constante da área do medicamento não permite que estes tenham “o mesmo tempo de maturação”, ideia reforçada pelos outros convidados.

Para Luís Pisco, “as reações adversas são um problema de saúde, sendo causa de 5 a 10% dos internamentos hospitalares”. Neste contexto, o responsável da ARSVLT exacerba que “os delegados de farmacovigilância são a peça central de todo este processo”, na prossecução de um objetivo claro e que é do interesse de todos: a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde prestados.

O secretário de Estado da Saúde afirmou ter verificado “uma forte sensibilidade por parte dos profissionais de saúde no que diz respeito ao tema da Farmacovigilância, particularmente no que concerne aos riscos dos efeitos adversos”. Para Manuel Delgado, “uma das principais vantagens da criação desta unidade é a descentralização: existem oito unidades em todo o país, cobrindo várias populações, o que resulta numa maior aproximação entre os profissionais de saúde e quem está no terreno. Esta rede vai dinamizar o conhecimento e valorizar a situação dos efeitos adversos, avaliados em [apenas] cerca de 4%”, um valor que o responsável considera não ser real. Acrescentou ainda que a implementação desta unidade irá permitir “um conhecimento mais realista das situações, possibilitando uma maior adequação do tratamento e, por sua vez, maior adaptação das terapêuticas”. “O Ministério da Saúde reitera a sua disponibilidade para acompanhar este projeto, bem como toda a atividade desenvolvida pelo Infarmed”, garante Manuel Delgado.

Questionado sobre o facto de Portugal ser candidato às instalações da Agência Europeia do Medicamento (EMA), após conclusão do processo de saída do Reino Unido do contexto da União Europeia, o secretário de Estado afirmou que “a criação da unidade de Farmacovigilância se associa a um conjunto de pontos importantes que marcam a nossa candidatura e um deles tem a ver, justamente, com o prestígio, a organização demonstrada e a forma como se trabalha no Infarmed: é uma agência europeia de referência e está classificada entre as três melhores agências europeias do medicamento. Penso que o conjunto destes fatores poderá ter efeito positivo na nossa candidatura”.

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Editorial | Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
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Assaltar o desnecessário. Rasgar a burocracia. Rejeitar o desperdício. Anular a perda de tempo. As aprendizagens da pandemia serão uma ótima oportunidade para acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência e o estado de calamidade ensinaram-nos muito! É necessário desconfinar o centro de saúde e reinventar o conceito com unidades de saúde aprendentes e inovadoras.

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