Barreiro: utentes e autarquias marcham em protesto contra falta de profissionais
DATA
20/02/2017 10:42:52
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Jornal Médico
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Barreiro: utentes e autarquias marcham em protesto contra falta de profissionais

Uma dezena de entidades vão realizar uma marcha de protesto, a 4 de março, até ao Hospital do Barreiro, referindo que existe falta de profissionais e demoras em diversos serviços.

"Registamos a necessidade de mais profissionais, um aumento dos tempos de espera nas urgências, consultas ou cirurgias e uma perda de valências. Foram feitas algumas contratações, mas estão longe de responder às necessidades", afirmou Antonieta Fortunato, membro da Comissão de Utentes da Saúde do Barreiro.

As Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Comissões de Utentes da Saúde, Estruturas Representativas dos Trabalhadores, dos Reformados e de Utentes de Serviços Públicos, dos concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, que são servidos pelo Centro Hospitalar Barreiro Montijo, que integra o Hospital do Barreiro e o Hospital do Montijo, realizaram hoje uma conferência de imprensa para anunciar o protesto.

"Nos quatro concelhos existem 76 mil pessoas sem médicos de família. Vamos realizar uma marcha de protesto no dia 04 de março, que vai partir do Centro de Saúde da Baixa da Banheira e que vai culminar com uma concentração junto ao Hospital do Barreiro", acrescentou.

José Fernandes, que integra a Comissão de Utentes da Baixa da Banheira, na Moita, referiu que já reuniram com o novo conselho de administração do Centro Hospitalar, mas que nada tem sido feito.

"Nós exigimos mudanças. Temos visto cada vez mais casos de mortes prematuras em que existe falta de um atendimento conveniente. É preciso alertar a população e radicalizar a nossa luta, porque as nossas queixas não têm sido ouvidas", afirmou.

As comissões referem que em outubro de 2016, o Centro Hospitalar Barreiro Montijo tinha falta de 55 médicos, 65 enfermeiros, 40 assistentes operacionais e 11 técnicos de diagnóstico.

Sobre as consultas salientam que, para a especialidade de Oftalmologia, o tempo de espera é de 658 dias. Para Urologia é de 385 dias e para Ginecologia 246 dias, enquanto na Cirurgia Geral o tempo de espera é de 177 dias.

Fernanda Ventura, membro da Associação de Mulheres com Patologia Mamária, salientou que, para além da falta de profissionais, existem também problemas estruturais.

"O Hospital do Montijo, que pertence ao Centro Hospitalar, não tem urgência básica, e se funcionasse iria ajudar. No caso do hospital do Barreiro existem também problemas estruturais e tem que se saber qual é o plano estratégico e garantir que os profissionais têm condições de trabalho", defendeu.

Os responsáveis alertaram ainda que a falta de cuidados de saúde primários está também na base dos problemas do hospital, exigindo a reposição dos SAP nos centros de saúde e alargamento do seu horário de funcionamento.

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