Vacina experimental revelou eficácia no combate a múltiplas estirpes de malária
DATA
21/02/2017 09:41:07
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Jornal Médico
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Vacina experimental revelou eficácia no combate a múltiplas estirpes de malária

Uma vacina experimental contra a malária demonstrou proteção contra múltiplas estirpes da doença. A conclusão provem de um estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland e no Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas, nos Estados Unidos da América.

Na investigação, agora publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, indivíduos saudáveis foram protegidos da infeção por uma estirpe que não estava contida na vacina.

Para os responsáveis pela investigação, a realização do ensaio clínico foi de extrema importância porque em locais onde há malária é comum haver mais de um tipo da doença - a maioria dos casos de malária em todo o mundo é causada pelos parasitas 'plasmodium vivax' e 'plasmodium falciparum' -, pelo que uma vacina, para ser eficaz, deve ser o mais abrangente possível.

De acordo com a investigadora principal do estudo, Kirsten Lyke, e perante a versatilidade da vacina, “o nosso estudo mostra que a vacina pode proteger contra pelo menos duas estirpes da malária. Precisamos de continuar a nossa pesquisa, mas esta é uma descoberta fantástica”.

A malária é transmitida aos humanos através da picada de mosquitos infetados do género 'Anopheles', que injetam o parasita (esporozoíto) na corrente sanguínea e que se instalam no fígado, onde se desenvolvem. Segundo a Organização Mundial de Saúde em 2015 foram infetadas com a doença 212 milhões de pessoas e morreram 429.000, principalmente crianças africanas.

A vacina usada nos testes contém esporozoítos enfraquecidos, que não causam a infeção, mas que conseguem gerar uma resposta imunológica protetora que protege contra a infeção. Pesquisas anteriores demonstraram que é segura, bem tolerada, e que protege durante pelo menos um ano.

O estudo envolveu 31 adultos entre os 18 e os 45 anos, que receberam três doses da vacina em vários meses. Dezanove semanas após a última tomada parte dos participantes no estudo juntou-se a um grupo de voluntários não vacinados e todos foram expostos de forma controlada a mosquitos infetados com a estirpe mais comum em África, a 'plasmodium falciparum'.

Como resultado nove dos 14 participantes (64%) vacinados não demonstraram evidência de parasitas da malária, mas todos os seis não vacinados estavam infetados.

Desses nove, seis foram novamente expostos a um parasita da malária, mas diferente do anterior e destes cinco também foram protegidos.

A equipa de investigação descobriu que a vacina ativava as células T, glóbulos brancos que defendem o organismo e são uma componente chave das defesas contra a malária, que produziram respostas contras as duas estirpes.

Este mês já foram divulgadas mais duas investigações com resultados considerados promissores para uma vacina eficaz a curto prazo.

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